A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), firmaram parceria com a Eletrofrio para o desenvolvimento e a divulgação de um equipamento com alta capacidade de refrigeração, eficiência energética e ambientalmente adequado, produzido pela empresa brasileira, voltada ao setor de supermercados. A apresentação foi realizada durante a APAS Show 2018, no início de maio, em São Paulo.

A iniciativa é parte do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) para o setor de manufatura de equipamentos de refrigeração e ar-condicionado, projeto implementado pela UNIDO e coordenado pelo MMA. O PBH visa à substituição dos HCFCs nos setores de refrigeração e ar condicionado e de espumas de poliuretano, por meio de apoio técnico e financeiro a empresas fabricantes de produtos desses setores. Dessa forma, o desenvolvimento do novo chiller se insere no conjunto de ações nacionais para o cumprimento das metas do Protocolo de Montreal.

“Estamos apresentando nosso primeiro equipamento fabricado para o mercado brasileiro e sul-americano capaz de atender a sistemas de média e baixa temperatura. Um projeto com fluidos 100% naturais. O propano circula exclusivamente dentro dos módulos específicos, em pequeno volume, sendo condensado pela água proveniente de um Dry-Cooler. O glicol e o CO2 são os fluidos que circulam pelos expositores e câmaras de média e baixa temperatura”, explicou o representante da Eletrofrio, Rogério Rodrigues.

O propano é um fluido natural de baixo custo e com características termodinâmicas muito próximas do HCFC-22, uma substância destruidora da camada de ozônio utilizada atualmente como fluido refrigerante pelo setor produtivo brasileiro. Além de não degradar a camada de ozônio, o propano apresenta baixo potencial de aquecimento global, ou seja, seu uso em substituição aos HCFCs auxilia na mitigação da mudança do clima. Contudo, por ser uma substância inflamável, seu manuseio requer alguns cuidados.

“Apesar de o uso dos hidrocarbonetos como fluidos refrigerantes introduzir ao sistema de refrigeração o risco da inflamabilidade, este risco pode ser reduzido com a implantação de cuidados simples, porém relevantes, como, por exemplo, utilização de baixas cargas de fluido refrigerante, sistema resistente e estanque a vazamentos, com eliminação de fontes de ignição ou uso de componentes elétricos à prova de explosão. É ainda indispensável treinamento para manusear, manter e operar sistemas com fluidos inflamáveis”, lembrou o assessor técnico da UNIDO, Edgard Soares.

“O chiller apresentado pela Eletrofrio na Feira da APAS demonstra o esforço do Brasil na busca de alternativas ambientalmente adequadas para o setor de refrigeração no processo de eliminação dos HCFCs. A parceria entre Governo Brasileiro, agência implementadora e setor privado na implementação do Protocolo de Montreal continuará a trazer benefícios tecnológicos ao país, com inovação e em sintonia com os novos rumos da refrigeração mundial”, afirmou a analista ambiental do MMA, Gabriela Lira.

Por:Ana Basile

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