Sidney de Oliveira nos deixou no último dia 16 de abril. Morreu aos 82 anos e fez história no setor de AVAC-R. Colaborador por vários anos da revista Abrava+CR, tivemos o privilégio de conviver com essa figura ímpar! Através de sua dedicação, trabalho duro, e uma incessante devoção às coisas em que acreditava, viu muitas delas acontecerem. A idade não lhe tirou o fôlego, nem o seu jeito polêmico e instigador, uma de suas principais qualidades. “Estou fazendo minha parte”, dizia ele.

Um dos “Dinossauros” do mercado, como ele próprio brincava, foi testemunha de longas batalhas travadas na Girotubo, Starco, Cebec, Sulzer, Thermotec, entre outras tantas. Assistiu a morte de grandes instaladoras e chamava a atenção do mercado para a qualidade na prestação de serviços, competitividade de preços das mais novas e instalação de sistemas de climatização.

Certa vez publicou em seu artigo: “Missão cumprida! Meu artigo publicado na edição de março de 2010, sob o título VRV: aplicação e utilização, deu voz a vários agentes do mercado que comercializam e instalam os ditos sistemas. Creio que provocamos uma boa discussão sobre o assunto e todas as opiniões recebidas foram publicadas. O ocorrido poderá e deverá se repetir sobre outros assuntos polêmicos”.

Formado em Direito, tramitava pelos corredores e salas da OAB, CREA, Anvisa, entre outros órgãos e entidades, em busca de apoio para a melhoria da qualidade do ar interno através dos sistemas de climatização visando sua regulamentação e instigava os projetistas de ar condicionado ao debate.

Acompanhou com Pedro Anaya o crescimento da Abrava e foi um dos fundadores da Anprac, incentivando o desenvolvimento profissional através da difusão da cultura e tecnologia por meio de seminários, congressos e publicações.

“Muito me alegra e me diverte o encontro com amigos de outros tempos e os de hoje. É possível, nesses momentos, verificarmos o que fomos, o que somos e o que poderíamos ser. O que fomos é fácil de verificar. As pessoas e os fatos existiram e aconteceram. O que somos é o que aí está. O problema é quando procuramos analisar o que poderíamos ser. Dei boas risadas num almoço com um amigo antigo, em Recife. Relembramos fatos e pessoas, lutas, vitórias e derrotas, pois é delas que vamos fazendo a vida” – Sidney de Oliveira – 20/12/1936 – 16/04/2018

Fazendo história

“Tive oportunidade de conviver com o Sidney na vida familiar, porque ele era meu tio. Falar dele, necessariamente, me faz lembrar de minha infância e de inúmeras viagens que fiz com ele e meus primos, a casa de Analândia, que ele amava e os acampamentos que eram divertidíssimos. Inclusive, me lembro dele ter escrito sobre um fato engraçado nessa própria revista que guardei com carinho que reproduzo parte aqui: ‘Para manter o ambiente interno das barracas um pouco mais confortável, todos usávamos lampiões e aquecedores montados em pequenos botijões de gás…Loucura nos dias de hoje, mas procedimento normal e, inegavelmente irresponsável, num passado já não muito distante. Inopinadamente, ainda não atinei até hoje qual a razão, e tentarei descobrir quando o encontrar do lado de lá, pega meu primo o botijão com chama acesa e empurra o diabo do botijão para baixo de meu carro’. Sem dúvidas, ele, meu pai e meu padrinho (o cara do botijão) terão muitas histórias para rir e brigar (no caso do meu pai), onde estejam. Para falar um pouco da importância dele na minha vida profissional, me lembro que sempre quis ser engenheiro mecânico, mas na época das escolhas profissionais não temos a exata dimensão do mercado, para mim engenharia mecânica estava ligada a motores a combustão, engrenagens e etc…e foi através dele que descobri a existência da engenharia de ar condicionado e este mercado que nós vivemos e que agora se despede dele” – Gerson Catapano – Masstin  

“Conheci o Dr. Sidney percorrendo a mesma cruzada que eu: na busca por sistemas de climatização adequados para garantir uma boa qualidade do ar interno aos usuários. Às vezes, por caminhos diferentes, participamos de diversos eventos juntos, fomos ao CREA, Vigilância Sanitária, Câmara Municipal, entre outros órgãos nessa cruzada. A leitura de sua coluna na revista era sempre muito aguardada. De sua maneira única, muitas vezes polêmica, mas sempre com muito fundamento jurídico, ele deixa sua contribuição e seu nome no mercado de AVAC no Brasil” – Leonardo Cozac – Conforlab

“Sempre lutando, trabalhando duramente em prol do mercado de ar condicionado, mesmo que os objetivos nem sempre fossem alcançados. Sidney de Oliveira, verdadeiro Dom Quixote, me remete a história do incêndio na floresta, onde o beija-flor, incansavelmente levava pelo bico uma gota d’agua para debelar o fogo, quando foi interpelado pelo elefante, alertando ser inútil aquele trabalho, no que o beija-flor prontamente respondeu: ‘estou fazendo minha parte’. Mesmo que a luta seja contra moinhos de vento, ou de beija-flor tentando debelar o fogo da floresta” – Do fiel escudeiro – Adilson Blois (Sancho Pança)

“Sidney de Oliveira foi um exemplo de cidadão brasileiro batalhador, que sempre defendeu suas ideias com muita convicção, trabalhando até com bastante idade na sua vida profissional.  Foi uma figura marcante no nosso mercado, com network invejável. Eu aprendi bastante com o Sidney e por diversas vezes debatemos temas importantes sobre o nosso setor e em pelo menos duas oportunidades ele me disse de maneira bastante divertida e rindo: ‘Meu propósito é provocar debates e discussões’” – Arnaldo Basile, presidente da Abrava

“O advogado Sidney de Oliveira era meu chefe nos anos dourados da Starco. Ajudou-me bastante, motivando-me a conhecer o produto e valorizar o consumidor. Era uma pessoa alegre, carismática e aglutinadora. Não obstante, nesta última fase de sua vida profissional, escolheu o lado polêmico, de controvérsias, provocando-nos a pensar construtivamente. Vou sentir sua falta!” – Wadi Tadeu Neaime – Elo Ar Condicionado

Ana Paula Basile Pinheiro – anapaula@nteditorial.com.br

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