Até 2030, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), prevê um importante crescimento do consumo de pescado na América Latina e no Caribe. segundo relatório “O Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2018″, publicado no último dia 9 de julho. Esse aumento é importante para a região, que atualmente é exportadora de peixes e importante ator do mercado de aquicultura. No entanto, a região tem o menor consumo per capita de peixes do mundo: de apenas 9,8 quilos por ano.

Em 2015, a região consumiu apenas 6,2 milhões de toneladas de pescado, menos que todas as outras regiões do mundo, com exceção da Oceania. Até 2030, espera-se que o consumo total de pescado aumente em todas as regiões e sub-regiões, com um forte crescimento projetado na América Latina (+ 33%), África (+37%), Oceania (+28%) e Ásia (+20%). Em termos per capita, é previsto que o consumo mundial de pescado atinja 21,5 kg em 2030, em comparação com 20,3 kg, em 2016. O consumo per capita aumentará em todas as regiões, exceto na África (-2%). As maiores taxas de crescimento são projetadas para a América Latina (+ 18%) e para a Ásia e Oceania (+8% cada região).

No entanto, apesar desses aumentos, o relatório prevê que em 2030 aproximadamente 71% dos peixes disponíveis para consumo humano (184 milhões de toneladas) serão consumidos nos países asiáticos, enquanto que as menores quantidades serão consumidas na Oceania e na América Latina. O documento prevê ainda que, até 2030, a região cresça 24,2% na produção pesqueira (pesca e aquicultura), passando de 12,9 milhões de toneladas para 16 milhões de toneladas. Embora atualmente apenas 4% da população mundial dedicada aos setores de pesca e aquicultura vivam na América Latina e no Caribe, na Amazônia brasileira, por exemplo, as famílias obtêm 30% da renda familiar com a pesca. Espera-se que a produção aquícola continue se expandindo em todos os continentes, e novos aumentos são esperados particularmente na América Latina, onde crescerá 49%, saltando de mais de 2,7 milhões de toneladas para mais de 4 milhões de toneladas.

Atualmente, 3,8 milhões de pessoas trabalham em aquicultura na região, 2% do total mundial. O emprego nos setores da pesca e da aquicultura está crescendo moderadamente, enquanto que a produção aquícola experimentou um crescimento sustentável bastante elevado. A América Latina e o Caribe continuam sendo uma região exportadora de pescado. As exportações latino-americanas, que incluem principalmente camarão, atum, salmão e farinha de peixe de Equador, Chile e Peru, aumentaram em 2016 e, novamente, em 2017, devido à maior produção e uma recuperação nos preços do atum.

Até 2030, as exportações de peixe projetadas da região aumentarão em 29%, de 3,9 milhões de toneladas em 2016 para 5,1 milhões de toneladas. As importações terão um aumento ainda maior de 53%, de 2,3 milhões de toneladas em 2016 para 3,5 milhões de toneladas em 2030. O impacto da pesca de captura continental pode ser focado em áreas específicas de um país: no Brasil, por exemplo, o consumo médio nacional de peixes de água doce (da pesca de captura continental e aquicultura de água doce) é bastante baixo — somente 3,95 kg per capita por ano em 2013 — mas, na Amazônia, esse mesmo consumo está próximo de 150 kg per capita por ano.

Fonte: FAO

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