De acordo com Paula Miranda, gerente nacional de especificação da Hunter Douglas do Brasil, existem diversos recursos construtivos para a realização de um edifício com menor carga térmica que, se bem aplicados, gerarão um menor consumo de energia elétrica.

“Neste aspecto não podemos analisar pontualmente os materiais e, sim, o funcionamento do edifício de uma forma global. Costumo relacionar o funcionamento de um edifício ao funcionamento do corpo humano, onde cada órgão tem sua função. Na construção também cada parte do sistema construtivo tem seu objetivo e funcionalidade. Além da análise dos materiais, deve ser analisado como os mesmos serão distribuídos na edificação, compensando pontos frágeis que gerarão maior carga térmica interna, por pontos que ajudarão na redução, isto é, uma equalização dos elementos construtivos, para que o edifício atinja o objetivo de economia energética planejada. Outros aspectos também precisam ser analisados, como localização do terreno, entorno do mesmo, tipo e uso da edificação, número de usuários, horários de uso, entre outros. Por exemplo, as intervenções necessárias na envoltória dividem-se em dois planos: o vertical e o zenital. O vertical refere-se às fachadas do edifício. Existem partidos arquitetônicos distintos para chegarmos ao mesmo objetivo de redução da carga térmica. Para um país como o Brasil, o ideal é projetarmos um envelopamento que permita a menor transmissão térmica para dentro do edifício. Uma forma de atingir este objetivo é trabalhar com áreas cegas extensas nas fachadas mais exposta a radiação solar direta e uma área menor de materiais translúcidos. Atualmente, o mercado trabalha com muitos produtos com alto desempenho, inclusive de materiais translúcidos. Na minha concepção ideal, nunca analiso as necessidades isoladamente, por isso acredito que o uso de menores áreas translúcidas trará benefícios à construção, além da redução térmica. Quanto ao aspecto horizontal, refere-se às coberturas que, quando cegas, devem receber uma pintura que permita a baixa absorção da carga térmica solar pelo elemento construtivo, e desta forma transmitirá uma carga menor à edificação. Um ótimo uso deste espaço é a aplicação de placas de captação de energia solar, que permitirão gerar energia para uso na edificação. Este é um ponto que devemos explorar mais no Brasil devido ao nosso alto índice lumínico”, orienta Miranda.

Ela diz que há diversas opções e tecnologias disponíveis, como vidros de alto desempenho; revestimentos externos, como metálicos, cerâmicos, laminado de alto desempenho, malhas metálicas, brises e persianas externas.

“Como referência, a Hunter Douglas apresenta diversas tecnologias que cabem em conceitos arquitetônicos e necessidades distintas. Quando a edificação é revestida por parte translúcida, como o vidro, muitas vezes os brises e os revestimentos metálicos perfurados são os fatores equalizadores, tanto quanto as questões térmicas, como ao que se refere ao conforto visual. Os brises podem ser usados à frente das janelas ou ainda de forma zenital, dependendo da análise e necessidade de cada projeto. Já os revestimentos metálicos perfurados, proporcionam uma segunda pele às edificações, criando um filtro à radiação solar, minimizando a insolação direta e permitindo ao usuário a visibilidade ao exterior, de forma que ele não se sinta enclausurado. Outro recurso são as persianas exteriores em alumínio, que além de minimizar a entrada da radiação, permitem que o usuário tenha 100% da vista livre ao recolher as lâminas, ou ainda bascular as lâminas e achar a proteção ideal para sua necessidade. Energeticamente falando, a automação dessas peças é o mais prudente para atingirmos o melhor desempenho dos recursos, já que será programada para funcionar segundo a incidência solar de cada fachada. Outro material que considero um dos produtos de maior desempenho é a fachada ventilada. Trata-se de placas em terracota, extrudadas, com alma alveolar e encaixe clipado. O sistema é aplicado no mínimo a 12 cm da fachada principal, permitindo a circulação do ar, retirando o ar quente através do efeito conhecido como “efeito chaminé”. Neste sistema, o ar frio penetra não apenas pela parte inferior da instalação do sistema, como também entre os painéis, criando uma circulação de ar mais intensa”, explica Paula Miranda.

Denilson Rodrigues, engenheiro da Isorecort, destaca que os profissionais envolvidos no planejamento e execução de projetos podem orientar no sentido de prever a menor utilização de fontes geradoras de energia, o que passa, obrigatoriamente, pela escolha de materiais que evitem ou retardem a absorção e a troca de energia em forma de calor, sem impedir a dissipação desta mesma energia, gerada ou existente no ambiente.

“Em um mundo globalizado, é necessário que as empresas utilizem todo o seu potencial criativo no sentido de pesquisar e conhecer as particularidades dos materiais atualmente utilizados, não só para desenvolver novos produtos, mas também para aprimorar os existentes, com auxílio de novas tecnologias, explorando ao máximo o potencial dos mesmos, direcionando-os para a nossa realidade climática e social”, comenta Rodrigues.

Segundo ele os painéis de fechamento são o principal ponto de encontro entre as cargas térmicas do interior e exterior de um edifício. “É essencial que esse elemento possa contribuir para o isolamento entre os dois ambientes, criando uma barreira de baixa condutância térmica, impedindo ou retardando a troca de energia (ganho ou perda de energia em forma de calor).  O Grupo Isorecort, dispõe do painel monolítico em EPS, composto basicamente por uma placa de EPS enclausurada entre duas malhas metálicas, com posterior incorporação de argamassa (em ambos os lados), formando uma parede de vedação com alta eficiência térmica; ou ainda os painéis em EPS com argamassa polimérica, para revestimento externo ou interno de paredes de fechamento, com indiscutível desempenho térmico. A cobertura é outro elemento com papel fundamental na escala de contribuição ou redução da carga térmica em um edifício (principalmente em edificações térreas). A utilização de materiais ou componentes com bom fator de resistividade térmica, ditará a eficiência e garantirá a boa climatização dos ambientes. A utilização de telhas metálicas termo acústicas trapezoidais ou onduladas com núcleo em EPS, ou a utilização de placas de EPS como subcoberturas (abaixo das telhas), traz excelentes resultados. Embora poucos atentem para esta questão, as lajes podem ser um ponto importante na transmissão ou perda de calor de uma edificação, principalmente quanto as de cobertura, que sofrem quando expostas ou mesmo quando recobertas por um telhado e sujeitas a influência de um colchão térmico (quando se cria um forno entre a laje e o telhado). Quando utilizamos lajes pré-fabricadas com elementos inertes (lajotas) em EPS, reduzimos este efeito, mas o ideal é incorporar uma placa de EPS (20 a 30 mm) sobre a laje, antes da execução do contra piso, criando uma barreira termo acústica efetiva.  Nas lajes de coberturas expostas, o ideal é introduzir a placa de EPS sobre a impermeabilização (executando na sequência a proteção mecânica sobre o EPS), de modo a protegê-la contra os efeitos térmicos (o calor causa o ressecamento das mantas utilizadas na impermeabilização) e aumentar a sua vida útil. Já os brises funcionam como uma barreira de proteção à incidência solar, possibilitando a circulação de correntes de ar, podendo ser executados em diversos materiais, podem conter EPS no seu núcleo, o que propicia a sua neutralidade térmica; ou, ainda, serem executado com concreto leve (composto de areia, cimento e pérolas de EPS), que ajuda na questão térmica e no alívio de cargas para a estrutura. Embora pouco difundido no Brasil, o uso do EPS em obras de geotecnia (contenções, aterros, base para estradas etc.), tem desempenho relevante na utilização como isolante térmico das bases de fundação (principalmente do tipo Radier), nas lajes e contrapisos que estão em contato com o solo, sendo amplamente utilizado no exterior em regiões de clima frio (com invernos rigorosos”, relata o engenheiro da Isorecort.

Sobre telhados e coberturas, Rogério Pires, gerente da Epex, destaca a manta elastomerica Wincell + revestimento FibraFlex: “O sistema para isolamento de telhados e coberturas consiste da aplicação de manta de espuma elastomérica Wincell em conjunto como revestimento Fibra-Flex, proporcionando redução da carga térmica da cobertura. O isolamento térmico da cobertura ocorre devido à baixa condutividade térmica da manta elastomerica Wincell associada a alta reflexão da radiação, obtida pela superfície final na cor branca, alcançada pela aplicação do revestimento, promovendo uma sensível redução da energia transmitida para a edificação por condução e radiação para o ambiente interno”, conclui Pires. (APB)

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