Quando a abordagem são as boas práticas, o isolamento térmico da instalação é um capítulo à parte. Não há como otimizar o consumo energético se os condutos do fluido não estiverem devidamente isolados. Em se tratando de sistemas de expansão direta as precauções aumentam.

Mas como especificar o isolamento? “Alguns manuais podem sugerir o tipo e as espessuras que devem ser utilizadas para o isolamento da instalação. Porém, a forma mais apropriada para garantir um bom isolamento é o instalador receber treinamento do próprio fabricante de isolamento térmico. O isolamento depende muito das condições externas dos locais onde está sendo realizada a instalação. Assim, alguns fabricantes realizam o dimensionamento e selecionam o isolamento adequado para cada necessidade. Dessa maneira o instalador terá a certeza de fazer o procedimento corretamente”, diz Fernando Villarrubia, engenheiro de aplicação da Trane do Brasil.

Desconsiderar as mais básicas recomendações do fabricante de isolamento tem consequências. Por exemplo: “Em sistemas split ou mini split é um erro passar os dois tubos pelo mesmo isolamento térmico porque eles estão a temperaturas diferentes e haverá troca de calor entre eles, prejudicando a eficiência do sistema. Outro erro para os sistemas split com tecnologia inverter ou que operam com o fluido refrigerante R410A, é o uso de materiais que não suportam a temperatura máxima de trabalho desses equipamentos, que pode ultrapassar os 100 °C. Para equipamentos split com tecnologia inverter ou que operam com fluido refrigerante R410A, devem ser utilizados ou o isolamento Polipex Inverter ou o Armaflex, que suportam temperaturas acima dos 100 °C. Já no caso das linhas de VRF, que percorrem grandes distâncias dentro das edificações, dois erros são o uso de espessuras inadequadas e falhas na estanqueidade do isolamento durante a instalação. Para essas linhas (VRF) a espessura do isolamento deve ser determinada para atender a critérios de eficiência energética e controle de condensação, bem como o isolamento deve ser instalado formando um sistema estanque, isto é, impedindo o contato do ar úmido com a tubulação, pois, em qualquer ponto onde houver contato do ar com a tubulação fria haverá condensação, o que é um grave problema. Para ambos os sistemas, esmagar o isolamento, principalmente nos pontos de apoio ou sustentação das tubulações, é um erro”, explica Antonio Borsatti, engenheiro de aplicação e desenvolvimento de produto da Armacell.

Para Rogério Pires, da Epex, “são duas as maiores dificuldades que enfrentamos, hoje, no tocante às instalações de equipamentos tipo split e mini split, e são dois fatores intimamente ligados: o primeiro, e mais evidente,  é a baixa qualidade técnica da mão de obra, e isso pode ser dito no caso da  grande maioria dos instaladores desses tipos de equipamentos, sendo que o próprio mercado os enquadra, como instaladores de baixa qualificação técnica,  na categoria de “pindurador de split” ou “mechanicos”. Esse fenômeno contribui para um segundo fator:  a diminuição excessiva dos preços da instalação, o que compromete a instalação como um todo, devido ao uso frequente de material de menor qualidade ou mesmo reaproveitamento ou uso incorreto de material.

Na linha VRF, também temos problemas, mas felizmente a qualidade da mão de obra é um pouco melhor, pois nesse nicho podemos encontrar empresas especializadas fazendo a instalação, o problema aqui fica mais ligado a erros de especificação como, por exemplo, uso de espessura inadequada de isolamento ou material isolante não recomendado para o tipo de instalação.”

Pires diz, ainda, que os próprios manuais de instalação dos fabricantes fazem alertas claros sobre os procedimentos para instalação, inclusive do isolamento térmico, e seguir essas recomendações básicas é um excelente começo. “Podemos incluir nessas recomendações: evitar o esmagamento do material isolante (muito comum nesse tipo de instalação), evitar ao máximo deixar frestas entre os segmentos dos tubos isolantes, usar produtos de primeira qualidade e, por fim, algo que não podemos ensinar, que é o capricho da instalação e atenção aos detalhes.”

A espessura do isolamento deve assegurar a eficiência energética e o controle da condensação para cada aplicação, e a instalação do isolamento deve ser feita por um profissional treinado para isso, preferencialmente pelo fabricante do isolamento. Borsatti relaciona outras recomendações básicas: nas áreas expostas ao sol, utilizar isolantes com proteção UV ou aplicar a proteção quando o isolante não a tem; sempre utilizar os tubos isolantes com a medida correspondente ao diâmetro do tubo de cobre que será isolado, para que não haja folgas entre o tubo e o isolamento; isolar toda a tubulação cobrindo até mesmo parte dos conectores e colando o isolamento nestes pontos para que a umidade do ar não ingresse entre o tubo e o isolamento; utilizar adesivos compatíveis – de preferência da mesma marca – com o isolamento; promover a estanqueidade, isto é, não deixar nenhuma abertura ou parte não colada no isolamento.

Isolando instalações de mini split

É preciso isolar cada linha de gás separadamente e usar o tipo de isolamento adequado às características de cada equipamento. “Para os equipamentos com a tecnologia Inverter, por exemplo, a Epex tem o tubo isolante em polietileno Tubex Max Inverter. Outro ponto que merece atenção, é utilizar produtos que estejam adequados às normas de reação ao fogo. Os tubos da Epex são classificados na categoria R1, que é a melhor possível para esse tipo de produto. Recomendamos que o isolamento não seja, em hipótese alguma, estrangulado. Da mesma forma, quando a instalação usa mais de uma barra de tubo isolante, é muito importante evitar que fiquem frestas entre uma barra do isolante e outro segmento do tubo; preferencialmente, deve-se usar adesivo próprio para isolamento para a colagem dos segmentos, deixando, assim, o sistema sem frestas. O mesmo cuidado deve ser tomado no ponto inicial e final da instalação, evitando que existam pontos de entrada de ar entre o tubo de cobre o tubo isolante”, recomenda Pires.

Em qualquer hipótese, o isolamento deve ser determinado em função da espessura necessária para assegurar eficiência energética e controle de condensação ao sistema. Embora também seja um sistema de expansão direta, o VRF requer maiores espessuras e mais cuidados em relação ao isolamento térmico, pois as tubulações são extensas, favorecendo a ocorrência de grandes perdas energéticas, além de que, por percorrerem grandes distâncias dentro das edificações, podem ocasionar graves problemas de condensação. “O tipo de material indicado para estes sistemas é a espuma elastomérica, devido à disponibilidade de maiores espessuras e de sua maior flexibilidade, possibilitando isolar corretamente elementos e conexões complexas, próprias das tubulações dos sistemas VRF. A instalação deverá ser feita com o adesivo recomendado pelo fabricante do isolamento, fechando todas as aberturas e colando também a extremidade de cada barra de isolamento ao tubo isolado. Devem ser tomadas medidas para não haver esmagamento nos pontos de sustentação, a mais eficaz é o uso dos suportes próprios”, defende Borsatti.

“O rigor técnico para a instalação de um sistema de VRF deve ser o mesmo de uma instalação de água gelada. Podemos relacionar alguns aspectos importantes a serem observados, a começar pelo tipo de material, como a espuma elastomérica, passando, em seguida, para o correto dimensionamento da espessura do isolante térmico. Outro ponto a ser observado, que muitas vezes é negligenciado, é o respeito a um espaço mínimo para circulação de ar entre os tubos isolados. Deve-se evitar que um tubo fique totalmente encostado em outro; muito importante é a utilização do adesivo específico para isolamento elastomérico entre um segmento e outro de tubo, a fim de evitar que nesse ponto exista vulnerabilidade da instalação”, conclui Pires.

Da redação

Consulte: www.epexind.com.br e www.armacell.com

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