Anualmente, o Brasil descarta cerca de 41 mil toneladas de alimentos, de acordo com o setor de Mudanças Climáticas do World Resources Institute (WRI) Brasil, o que coloca o país entre os 10 países que mais desperdiçam comida. Entre os produtos, frutas, hortaliças, raízes e tubérculos são os mais descartados: quase metade do que é colhido é jogado fora, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Entre cereais, o desperdício é de 30%. Já os pescados, carne bovina e produtos lácteos representam até 20%. 

O transporte e a armazenagem corretos são apontados como fatores importantes para reverter esta situação. 

 Por isso, a 21ª. edição da Febrava, maior evento do setor de AVAC-R da América Latina, que acontece entre os dias 10 a 13 de setembro, em São Paulo, terá uma área exclusiva para o segmento, a Ilha Cadeia do Frio. O evento é organizado pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, com o apoio da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento). 

 Segundo Eduardo Dória, coordenador da Ilha, na edição deste ano o tema do espaço será Cadeia da Proteína Animal. Pretendemos reunir entre 25 a 30 expositores, didaticamente posicionados numa área de 500 m², o que representa 1% dos 50mil m² de exposição total, para que os visitantes possam vivenciar todas as etapas da cadeia do frio”, explica. 

 Dória lembra que o 2018 GCCA Global Cold Storage Capacity Report, divulgado em julho do ano passado pela IARW – International Association of Refrigerated Warehouses, sócia fundadora da Associação Global da Cadeia do Frio (Global Cold Chain Alliance), informou que a cubagem frigorífica do Brasil teve um crescimento médio anual de 17% nos últimos 10 anos, saindo de 3,9 milhões de m³ em 2008 para 19 milhões de m³ (2018). “Quintuplicamos nossa armazenagem a frio nessa última década. Essa nossa capacidade atual representa 3,1% do total mundial, onde somos 2,74% da população do mundo. Segundo o mesmo estudo, em 2047, estima-se que seremos 2,44% dos habitantes do planeta, porém, teremos 9% da capacidade de estocagem frigorífica mundial”, explica Dória. 

 Para Ivan Romão, gerente de produto da Febrava, a preocupação com o controle climático deve ocorrer desde a lavoura. Ele lembra que quando se retira o produto da zona rural (seja animal ou vegetal) ele já precisa passar por um condicionamento climático. “Se transportar animal de forma inadequada, ou qualquer produto vegetal, orgânico ou não, ele pode chegar ao destino sofrendo avaria e com a qualidade comprometida”, explica. 

 Em paralelo à Febrava acontecerão o XVI Conbrava (Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento de Ar), a Ilha do Conhecimento (espaço destinado para palestras gratuitas com profissionais do setor durante os quatro dias de evento), e o XVII Encontro Nacional de Empresas Projetistas e Consultores da Abrava. 

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