Eduardo Dória, diretor da BPlan Consultoria, chama a atenção para as vantagens da termoacumulação na refrigeração industrial, particularmente na indústria de laticínios. “É um exemplo típico de processamento por batelada. Em 3 a 5 horas faz-se necessário processar (pasteurizar ou esterilizar) todo o volume de leite recebido no dia anterior, portanto, as vazões instantâneas são altíssimas, o que demanda uma capacidade de refrigeração instantânea também muito alta.”

A termoacumulação, segundo ele, proporciona um rápido processamento do leite, o que garante maior qualidade e frescor ao produto final. Mas alerta para algumas características do sistema: a) Maior gasto energético, pois trabalha-se com um COP médio menor, a fim de atingir uma temperatura inferior à operacional desejada; b) melhor e mais flexível gestão energética; c) maior competência estratégia frente a quedas de energia elétrica, sendo capaz de suportar paradas mais prolongadas de falta de abastecimento; d) menor investimento em gerador stand by.

  • Dória explica que a redução de demandas elétricas dá maior estabilidade no cumprimento dos contratos, evitando-se penalizações onerosas por picos de consumos inesperados. Este segmento ou trabalha no sistema de suprimento just in time do leite em processamento por batelada, concentrado em 3 a 4 horas diárias (ordenha-se pela manhã e já entrega o leite pré-resfriado) ou investe em armazenagem em tanques pulmões para estocar o leite, o que estabilizaria a vazão horária sem picos.
  • Além disso, a termoacumulação proporciona que a planta de pasteurização de leite tenha uma capacidade instalada frigorífica 5 vezes menor que a vazão instantânea necessária. “Isso reduz o capital imobilizado na compra do sistema de refrigeração, o que implicará na redução do retorno do investimento da instalação, encurtando este período em torno de 16%; supondo um pay back de 4 anos, a termoacumulação reduziria para 3 anos e 4 meses”, argumeta.
  • É importante observar que uma planta com termoacumulação deverá ter indicadores de temperatura e controles de vazões das bombas para assegurar uma mistura precisa entre o fluído à baixa temperatura e a água ambiente, nos quesitos temperatura e vazão final desejadas.
  • “Imprescindíveis são os variadores de frequência para que as vazões sejam gerenciadas de forma precisa. Normalmente um laticínio necessita de água abundante nas 4 horas de operação a 5ºC. Para evitar investimentos e controles desnecessários, pode-se usar uma temperatura target para o fluído termoacumulado de 1ºC”, conclui.

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