Fachada da empresa, na zona Oeste de São Paulo

Cláudio Maia, diretor e fundador da Enthal Engenharia, é uma figura ímpar no mercado de climatização. Ao contrário da maioria dos seus pares, não é graduado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e sequer engenheiro. “Entrei na FEI aos 18 anos, em 1968. Fiz dois anos e não me adaptei. Fui trabalhar em construtora, tomei gosto pela arquitetura e ingressei na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) em 1970”, conta.

Cláudia e Cláudio nos jardins internos da empresa

Precisando trabalhar para se sustentar, terminou o curso em 1978. Nesse meio tempo, conheceu o engenheiro João Batista, então sócio de Antonio Luiz Schilliró na Artec, que o convidou para trabalhar no mercado de ar-condicionado. Cláudio logo recebeu a missão de coordenar a construção do prédio da própria empresa na Anhanguera. Ainda em 78, decidiu arriscar e alçar voo próprio. Fez um acordo de quarentena, trabalhou um ano com hidráulica e fundou a Enthal no ano seguinte, em 1979.

Cláudia e Cláudio no jardim interno da empresaCoincidências da vida, ao mesmo tempo em que comemora 70 anos de vida, Claúdio celebra 40 anos de empresa. “Foi um início glorioso”, diz ele, “tanto que dois anos após a fundação já havia formado um patrimônio modesto, mas simbólico. Imagine que nossa primeira obra foi na Crysler. Era até estranho emitir a nota fiscal 001 para uma obra na indústria automobilística”, recorda. Naqueles tempos, fazia parte da sociedade o engenheiro Guilherme Decanini.

Se a primeira obra soou inusitada para uma empresa estreante, a segunda não deixou por menos. A Christian Nielsen convidou a jovem empresa para orçar uma instalação na fábrica da General Motors de São José dos Campos. “Era uma obra que envolvia muitos detalhes, incluindo cabine de pintura. Resumindo: o início da empresa foi em instalações industriais, muitas vezes com grau de exigência superior”.

A partir daí, a Enthal deslanchou e diversificou seu portifólio. Foram dezenas de agências bancárias, postos da antiga Telesp, Banespa, entre outras. No passado recente, integrou projetos em edificações emblemáticas, como o Rochaverá, em São Paulo e obras para órgãos federais, como Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília. Só em 2013 foram sete obras para o Judiciário, em vários estados brasileiros. “Eram obras que exigiam fôlego financeiro, pois tínhamos que pagar e depois receber”.

Como qualquer empresa brasileira, em qualquer setor da economia, a Enthal passou por inúmeros desafios. “Afinal, pegamos todos os planos econômicos, desde o Funaro e Bresser, no governo Sarney, passando pela Zélia Cardoso de Mello (ministra da economia do governo Collor), até desembocar no Plano Real”.

No entanto, graças à uma herança cultural, a empresa perseverou. “Meu pai era funcionário público, sempre preocupado com a solidez financeira da família. Assim, sempre procuramos investir em ativos sólidos, como imóveis”, diz o arquiteto, que sempre se emociona ao falar do seu pai.

O fundador da Enthal também credita a longevidade da empresa ao seu sistema único de trabalho. “Sempre oferecemos soluções de engenharia de instalações, com execução rápida, economia de insumos e pessoal próprio – evitamos a terceirização por considerar pouco adequada ao nosso tipo de negócio. O terceirizado, no desespero de pegar a empreitada, vai deixando muitas coisas para trás”. E afirma: “Jamais alteramos o projeto para obter margem”.

Fábrica de dutos: orgulho dos empresários

Preocupado em oferecer qualidade ao longo de toda a cadeia produtiva, preservando as margens da empresa, Maia criou a Piratininga, fábrica de dutos própria. No lugar do tradicional TDC, partiu para os dutos de secção circular, mais econômicos e versáteis. Tem, ainda, a Elanova, que produz painéis elétricos e sistemas de automação.

Mas há outra razão fundamental, no entender do fundador da Enthal, para o sucesso da empresa. É a diretora, sócia e esposa, Cláudia Barroso de Aragão Di Celio. Engenheira formada pela Mauá, é a responsável técnica da empresa e, também, pela concepção e aplicação do conceito de organização fiscal e administrativo. Ou seja, um casamento perfeito entre a visão criativa do arquiteto e a mente analítica da engenheira.

Cláudia, que antes trabalhou em ensaios não-destrutivos, sendo à época credenciada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), orgulha-se pela Enthal jamais ter sido autuada em fiscalizações ao longo de sua história. “Somos recordistas em recuperação de créditos junto ao INSS, algo muito difícil de acontecer”, ressalta ela.

“Nós primamos pela excelência. Queremos que nosso trabalho seja bem feito e respeitamos as características de cada projeto. E, principalmente, queremos que nossos colaboradores tenham orgulho de seu trabalho ao buscarem sempre entregar o melhor”, finaliza a engenheira.

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