Segundo levantamento da Abrava o AVAC-R fechou 2019 em retomada total. Mas esta não é a única boa notícia. Segundo a associação do setor 2020 não deve ficar muito atrás. No segmento residencial, a venda de splits cresceu 21% frente a 2018, com mais de 3,5 milhões de unidades comercializadas. Para 2020, a previsão do Departamento de Economia e Estatística e do Departamento Nacional de Ar-Condicionado Residencial da Abrava é de um crescimento de, no mínimo, 15%, alcançando a comercialização de quase 4,1 milhões de unidades. 

Para os equipamentos centrais, que incluem chillers, sistemas VRF e Packaged, o crescimento projetado para 2020 é de 9%, devendo chegar perto de 580 mil TR instaladas. Em 2019 este mercado beirou 534 mil TR, com crescimento dos mesmos 9% sobre 2018. As informações são do DEE da Abrava e do Departamento Nacional de AC Central da entidade. 

Segundo o economista Guilherme Moreira, gestor do DEE-Abrava, o crescimento deve-se, no segmento residencial, à retomada do emprego e da renda e à ampliação dos canais de financiamento com juros rebaixados. O resultado positivo do ar-condicionado central apoia-se na retomada da economia em geral e na construção civil em particular. 

Moreira, ecoando as previsões dos economistas do mercado, entende que o crescimento do PIB em 2020 já está estabelecido em 2,3%, podendo surpreender com taxa ainda maior. Na construção civil, diz ele, há um prognóstico de incorporação de 11 milhões de unidades habitacionais nos próximos 10 anos para atender à um déficit habitacional monstruoso, particularmente no segmento de médio padrão, onde se concentra a esperança de ampliação do mercado de splits. 

Corroborando os dados apresentados pelo economista, o Diretor de Relações Governamentais da Abrava e membro do DN AC Residencial, Mauro Apor, diz que o setor foi surpreendido em suas previsões. Para 2019 o DN estimava um crescimento de 10% no número de unidades vendidas. A explicação para a inusitada expansão, segundo ele, encontra-se em causas ligadas à oportunidade, como o calor excessivo, mas, acima de tudo em uma mudança de paradigmas, como a incorporação em edifícios residenciais da infraestrutura necessária à instalação de equipamento de ar-condicionado. Apor acredita, inclusive, que a previsão para 2020 pode também estar subestimada. 

Cristiano Brasil, presidente do DN Ar-Condicionado Central da associação ressalta que toma-se por base o ano de 2014 para efeito de comparação, sem levar em conta sua atipicidade, quando se vivia uma situação de grandes eventos, como a Copa do Mundo e Olimpíadas, no mercado brasileiro. Para ele, no segmento comercial há grande espaço para o VRF e no Package, que conta com tecnologia de variação de velocidade, mas não com automação embarcada, tornando-se uma solução com menor demanda de investimento inicial. 

Brasil destaca, ainda, as grandes transformações que vivemos, como a emergência das agências bancárias digitais, mudanças no varejo, crescimento de academias e fast food, entre outras, como oportunidades para o setor. Na água gelada, datacenter, hospitais e laboratórios, além da possibilidade da retomada industrial, são exemplos promissores. 

Mas as possibilidades não se esgotam no ar-condicionado. A refrigeração, tanto industrial quanto comercial, é diretamente beneficiada pelo aumento do consumo das famílias, pilar do PIB brasileiro. A área de congelados e resfriados no varejo tende a crescer incessantemente. Sem contar no crescimento da demanda por proteína animal em todo o mundo, notadamente China, que alavancará o segmento industrial. Os dados foram apresentados no último 23 de janeiro em um encontro com a imprensa promovido pela Abrava e coordenado pelo seu presidente executivo, Arnaldo Basile. 

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