No interior da proposta de substituição de equipamentos tem ganhado algum espaço a troca de sistemas de água gelada pelo VRF. Por outro lado, os primeiros conjuntos de fluxo varável de refrigerante instalados começam a aproximar-se da idade que torna obrigatória alguma intervenção. Se uma decisão sobre o destino de uma instalação que se torna obsoleta ou pouco viável, pode contemplar a substituição por um novo sistema, a questão, em seguida, é o que fazer quando um sistema de expansão direta também começa a apresentar sinais de obsolescência.

Daniel Fraianeli, gerente de produtos de ar-condicionado da Samsung Brasil, entende que o momento do retrofit pode variar bastante, dependendo da manutenção do sistema instalado. Um sistema no qual são executadas as manutenções preventivas com regularidade, potencialmente adia as manutenções corretivas, impedindo que se tornem muito frequentes e, consequentemente, muito custosas. “Outro ponto que pode afetar a decisão é a questão de eficiência energética. Um retrofit pode ser uma oportunidade de substituir não somente o produto instalado por outro mais eficiente, mas também permite realizar adequações ou melhorias no projeto, com o objetivo de economizar energia e tornar o investimento atraente”, diz ele.

“Isto depende de algumas variáveis tais como: tipo de compressor utilizado na CAG, se a concepção de projeto é com chillers com condensação à ar ou água. Via de regra, quando falamos de sistemas com chillers condensados à ar o tempo para iniciar um estudo de retrofit é entre 15 e 20 anos, para um sistema condensado à água é de 25 a 30 anos”, explica Robson Previatti, gerente regional de vendas da Gree.

Entretanto, o quanto pode ser vantajosa a substituição de um sistema de água gelada pelo VRF? Rafael Dutra, executivo de vendas da Trane, diz que em determinadas situações pode haver vantagens. “Desde que a infraestrutura de distribuição de água e ar esteja suficientemente comprometida. Em muitos casos uma análise energética poderá demonstrar qual solução seria mais eficiente, a troca do chiller ou a utilização de VRF, porém, caso essa diferença seja pequena em favor do VRF, o fato da infraestrutura existente ser de água gelada faz com que dificilmente haja retorno de investimento. Nestes casos é mais interessante implementar novas soluções de automação ao sistema de água gelada ‘retrofitado’ que utilizar um sistema completamente novo. Em casos onde a substituição total do sistema seja necessária, a resposta sempre será a análise energética compreensiva e detalhada com ferramentas de cálculo adequadas para a determinação da escolha do sistema.”

No caso de um replacement que envolva a troca do sistema de água gelada por um equipamento VRF, segundo Dutra, podem ser preservados do sistema anterior as unidades de tratamento de ar, caso seja possível a troca da serpentina. Ou, então, somente a rede de dutos e distribuição do ar, realizando a troca do fancoil por uma unidade de tratamento de ar de expansão direta que possa ser interligada ao VRF.

Cristiano Brasil, da engenharia de aplicação da Midea Carrier, concorda. “Uma das grandes vantagens dos sistemas VRF é a capacidade de prover aos clientes multiusuários o controle individualizado, o que não é tão fácil em uma edificação da mesma característica com água gelada. Outra condição poderia ser a mudança de regulamentação local e a restrição ao nível de ruído; a adoção de sistemas VRF proporcionaria um menor nível de ruído. Enfim, cada aplicação de água gelada pode ser estudada para a alteração para sistemas VRF ou, até mesmo, para adoção de sistemas mistos, como sistemas VRF para áreas administrativas e água gelada para áreas produtivas.”

Havendo a substituição de um sistema por outro, Brasil entende que, a depender da situação, pode haver aproveitamento de partes do sistema obsoleto. “Vai depender do sistema VRF a ser adotado. No caso de um sistema que possua torres de resfriamento a ser substituído por VRF de condensação a água, tanto as torres quanto o sistema de bombeamento podem ser mantidos, desde que a avaliação do projetista entende que é possível. Se a decisão for pela utilização de VRF com condensação a ar, tirando a estrutura elétrica de alimentação, como subestação, acredito que seja muito difícil se manter parte do sistema anterior.”

De qualquer forma, há que se fazer uma avaliação caso a caso. “Não existe um melhor sistema em todos os cenários. Para instalações comerciais e residências de alto padrão, normalmente o VRF se mostra como melhor opção na troca. As condições mais atraentes para o VRF se apresentam no consumo de energia, possibilidade de eliminar dutos, menores custos com manutenção e visual mais moderno dos componentes”, sentencia João Carlos Antoniolli, gerente de engenharia de aplicação da Johnson Controls Hitachi.

Entretanto, se a decisão envolver a logística da operação, sem dúvidas sempre pode se argumentar a favor da troca de sistema. Fraianeli, da Samsung, diz que, em alguns casos, “o sistema de água gelada é gradualmente substituído por VRF. O processo consiste em retirar os fancoils de um andar ou área, ao mesmo tempo em que se instalam sistemas VRF. Ao ser retirado o último fancoil, o chiller pode ser desligado e retirado.”

Diante do desgaste, é possível proceder ao retrofit em instalações de fluxo de refrigerante variável?  “Sim, é possível”, responde Fraianeli. “Para o reaproveitamento de parte do sistema, é importante verificar o refrigerante do sistema anterior, para reaproveitamento da tubulação, e o fabricante, uma vez que não é possível misturar condensadora e evaporadoras de diferentes marcas. Naturalmente, adequações de projeto podem forçar mudanças na tubulação ou nos produtos”, completa.

Previatti, da Gree, concorda. “Com um trabalho de limpeza na tubulação existente é possível utilizar a mesma infraestrutura para um novo equipamento, observando-se, é claro, a compatibilidade de tubulações entre o sistema antigo e o novo proposto.”

Mais uma vez Cristiano Brasil chama à ponderação. “É um situação que requer uma análise bastante criteriosa. Uma das características dos sistemas VRF é que se trata de um grande pacote, em que as unidades internas, externas e automação são de um único fornecedor. No caso de um retrofit parcial, o cliente precisaria necessariamente de substituir componentes de um mesmo fornecedor. No caso do retrofit de uma instalação completa, mas que o cliente ou projetista planeja manter a infraestrutura de tubulações de cobre, por exemplo, é necessária uma análise técnica do fornecedor dos novos equipamentos para confirmações em relação a diâmetros de tubulação, desníveis, comprimento equivalente etc. Por fim, é preciso ter em mente que a tecnologia embarcada nos sistemas VRF são aprimoradas constantemente. Um ponto importante a ser avaliado é quanto à possibilidade de integração de novos equipamentos com sistemas existentes.”

De qualquer maneira, já existem várias empresas oferecendo este caminho como oportunidade de replacement. “Só tem que avaliar o tipo de fluido refrigerante utilizado no sistema existente e verificar se poderão ser aproveitadas as conexões. Trocam-se as unidades internas e externas e aproveitam-se as ramificações, caso puderem funcionar com a pressão de trabalho do novo fluido refrigerante”, informa Antoniolli.

Da redação

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