Nem sempre os dispositivos de filtração e renovação de ar disponíveis no sistema de climatização são suficientes para a contenção de vírus em ambientes climatizados. Os filtros finos tipo HEPA, capazes de reter a maioria dos aerossóis que contém vírus, normalmente só são aplicados em unidades destinadas a salas de cirurgia e salas de tratamento intensivo com isolamento. Conforme as normas do Ministério da Saúde, para cada dez leitos de UTI, um leito deve ser instalado em sala de isolamento para a qual é recomendada a aplicação de filtro HEPA.

Logo, nos centros de tratamento intensivo dos hospitais brasileiros, em 90% dos leitos não existe filtração específica para a eliminação de vírus. Para agravar, todos os sistemas aplicados, sem exceção, são do tipo insuflamento em nível superior. Para este tipo de sistema de difusão de ar, a qualidade do conforto térmico depende da qualidade da mistura do ar, em outras palavras, quanto mais misturado (homogêneo) o ar da sala, melhores as condições de conforto. Isto implica em que todos os aerossóis emitidos pelos pacientes infectados (não precisa tossir e espirrar, basta respirar) são rapidamente espalhados pela sala. Ou seja, quem não está infectado, vai ficar. Isso vale para pacientes, visitantes e servidores da saúde.

Bateria de lâmpadas UV

A Dannenge, que no Brasil representa a RGF Environmental, empresa instalada na Florida, que desenvolve e produz equipamentos exclusivamente para tratamento ambiental, oferece uma gama de mais de 500 produtos diferenciados para tratamento do ar, água e desinfecção de superfícies, alimentos e eliminação de odores, gorduras, compostos orgânicos e patogênicos em geral. Dentro da sua linha de produtos, dispõe de equipamentos para uso específico em unidades assistenciais de saúde. Duas tecnologias de desinfecção podem ser evidenciadas: a desinfecção por irradiação ultra violeta e a foto hidro ionização.

A desinfecção por ultra violeta pode ser utilizada na proteção das serpentinas de troca térmica nas unidades de condicionamento de ar (muito recomendadas, mas normalmente não aplicadas por ignorância, economia ou falta de obrigatoriedade). Esta aplicação evita a formação de biofilme nas aletas e tubos das serpentinas, impossíveis de limpar totalmente, após formado, em serpentinas de seis e oito filas, de uso comum em unidades hospitalares.

A irradiação ultra violeta, também aceita pela ANVISA para a desinfecção de salas de cirurgia e laboratórios, pode ser realizada fora do horário de utilização das salas, visto que a irradiação UV é danosa aos seres humanos quando em exposição direta. A desinfecção do ar por irradiação UV é também uma estratégia adotada em algumas situações, porém seu efeito é muito dependente do tempo de exposição, o que requer longos trechos de dutos irradiados, por isso não muito aplicada. É importante notar que esta tecnologia é reconhecida e recomendada pela ASHRAE para aplicações de desinfecção, embora esta associação tenha emitido normas somente para o tratamento de serpentinas de unidades climatizadoras.

A foto hidro ionização é obtida com a irradiação ultra violeta sobre superfície catalizadora, que, na presença de vapor d’água no ar, gera íons oxidantes e peróxido de hidrogênio de alta reatividade. Estes produtos se espalham nos ambientes climatizados reagindo com compostos orgânicos de toda espécie, eliminando bactérias, fungos e vírus. Os equipamentos de foto hidro ionização podem ser aplicados nos equipamentos de condicionamento de ar, em dutos, ou mesmo diretamente no ambiente climatizado, em unidades autônomas dotadas de ventiladores. Testes realizados em laboratório demonstraram que esta tecnologia é efetiva na eliminação de vários tipos de vírus, entre eles os do tipo corona (testados SARS, MERS e H1N1), nada ainda pode ser afirmado para o vírus causador da Covid-19, embora seja anatomicamente similar aos vírus da SARS e MERS, o que pode levar a inferir igual eficácia na eliminação. Tal como para a irradiação, não existem normas que regulamentem a aplicação de dispositivos de foto catalização.  Por este motivo, diferentemente do que ocorre com a tecnologia UV, a ASHRAE estranhamente está relutante em recomendar sua aplicação.

 

 

 

 

 

Ricardo Cherem de Abreu,
diretor técnico da Dannenge International

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