Uma é mecânica, atende manutenção preventiva, corretiva e preditiva e encara “o que vier”. Outra é engenheira e gerente de obras, cuja motivação é fazer as coisas acontecerem. Tem, também, a gerente financeira, que busca enaltecer o trabalho em equipe. Finalmente, a gestora de pessoas, preocupada em ser o elo que mantém a equipe motivada. Une-as, não apenas o gênero, mas a fixação pelo trabalho bem feito.

Alessandra Mariano Paulon, Simone Alves, Silene Tamashiro e Viviane Oliveira, desempenham diferentes funções na Star Center, empresa que se distingue por incentivar mulheres a ocuparem postos chaves em sua hierarquia. Quando conversamos para a publicação no “Mulheres de ação” cada uma se encontrava em um local, devido à pandemia ou à natureza do trabalho.

Paulon fez administração hospitalar e atualmente cursa um MBA em gestão de RH, é coordenadora de RH na empresa. Alves é a gerente financeira da Star Center e cursou gestão de pessoas e análise financeira. Tamashiro cursou técnico em turismo, formou-se tecnóloga em construção civil na Fatec e, finalmente, engenheira civil na Uninove. Caminho semelhante está fazendo Oliveira, que cursou a Escola Senai Oscar Rodrigues Alves e hoje faz engenharia mecânica, com vistas a se aperfeiçoar em refrigeração e climatização.

A coordenadora de RH da Star Center passou por grandes empresas industriais, como Schneider Eletric e Saint Gobain, foi para a área de Telecom, e, em seguida, entrou no setor de serviços, pelo qual “se encantou”. Na instaladora de sistemas de AVAC-R, “um lugar leve para se trabalhar”, tem tido a oportunidade de fazer o que mais gosta, que é desenvolver equipes.

A gerente de obras, que começou na área pela extinta Servtec, está há 25 anos no mercado. Em sua opinião, muita coisa mudou em relação à posição das mulheres na engenharia. “Hoje existem mais mulheres em posições estratégicas, ainda que no AVAC isso não seja tão desenvolvido quanto na construção civil.”

Já a gerente financeira Simone Alves viveu uma situação familiar à maioria das mulheres. Foi ao mercado de trabalho, casou-se, teve filhos e, apenas quando esses já não demandavam tanto trabalho, voltou a exercer a profissão. “O recomeço foi difícil, requereu muito esforço para a atualização, mas valeu a pena.”

Caçula no grupo, Viviane Oliveira conta que a profissão a escolheu. “Fui visitar uma amiga na recepção da Oscar Rodrigues Alves e ela me falou do curso. Eu não diferenciava uma chave de fenda de uma phillips. Me apaixonei e meu sonho é ser uma Silene da vida, tocando obras, cuidando de instalações. Sou apaixonada por chillers.”

Nem pensar que a trajetória foi amena para qualquer uma delas. Como toda mulher, sofreram o preconceito. Entretanto, nenhuma é dada a lamentações, sabem que é preciso levantar a cabeça e se impor. “Alguns nos olham torto, como que desconfiando da nossa capacidade de resolver os problemas impostos pelo trabalho. Ouve-se brincadeiras, tipo ‘vai fazer seu esmalte’. Isso é comum acontecer com mulheres que trabalham em manutenção. A saída é relevar, conversar e provar nosso valor através do trabalho”, diz Oliveira.

Silene Tamashiro não gosta do termo subordinação. Acredita em cooperação. “É preciso desenvolver o sentimento de parceria mútua, como forma de fazer o trabalho progredir. Confiança é a base das atividades nos grupos de trabalho que participo, e tem dado certo.”

A gerente de obras da Star Center está, neste momento, coordenando uma equipe em um shopping no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo. Mas traz boas memórias de obras como o antigo Credicard Hall. “Me orgulho de uma obra em desenvolvimento, que é o Centro de Pesquisas do Einstein, que tem exigido muito da Star Center e dos profissionais envolvidos. Estamos contribuindo e aprendendo.”

E cada uma delas tem suas motivações. Para Viviane Oliveira é saber que pode ser um exemplo para mulheres que anseiam por ir além de donas de casa. “Às vezes encontramos mulheres que, ao saber da nossa profissão, declaram que gostariam de fazer o mesmo. E elas podem, pois, para nós mulheres nada é impossível”.

Alessandra Paulon motiva-se com o espírito de equipe reinante na Star Center. “É ambiente leve, colaborativo e temos carta branca para exercer nossa função”. Da mesma forma, a gerente financeira da empresa exalta este clima de trabalho em equipe: “é uma empresa familiar, sempre aberta a coisas novas. Um ambiente leve, como diz a Alessandra”.

Na contramão, a gerente de obras, diz que sua motivação é resolver problemas. “Se estiver muito calmo, não tem graça. Cada dia é diferente. Só me aborrece quando as coisas não são terminadas. Apresar de quantidade de coisas a serem feitas numa obra, elas precisam acontecer, precisam ser concluídas. E para isso, é necessário o apoio de todos. Eu gosto de dinamismo”, diz Tamashiro.

E o que cada uma dessas profissionais diria para uma jovem em início de carreira?

“Por mais talento e conhecimento que uma pessoa possua, sem persistência não alcança seus objetivos. É preciso persistência, coragem e fé”, diz Alessandra Paulon.

“Não importa a posição, da copeira ao diretor da empresa, é preciso fazer bem feito todos os dias. Dar o seu melhor sempre”, recomenda Simone Alves.

“Não desistir. Particularmente agora, que o momento pede esperança, resiliência e reinvenção”, afirma Silene Tamashiro que, além das responsabilidades na Star Center, tem duas filhas, uma de 11 e outra de 19, e, de quebra, é síndica no condomínio.

Completa Viviane: “Se você tem objetivos, nada é impossível. Estou indo atrás dos meus. Quero ser uma Silene da vida”.

Ronaldo Almeida
ronaldo@nteditorial.com.br

 

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