Juliana Reinhardt foi admitida na Trane Technologies em 2008 como assistente administrativa. Dois anos depois, passava à condição de assistente de marketing, cargo que ocupou menos de um ano, sendo promovida à assistente de marketing sênior, até que, de promoção em promoção, chegou a analista plena de marketing em 2013. Em 2017 já ocupava a supervisão de comunicação de marketing no Brasil. Dois anos depois, vamos encontrá-la na invejável posição de gerente de marketing para a América Latina.

Qual a fórmula para a meteórica construção de uma carreira? “Jamais permita que alguém diga que você não pode”, responde ela. Ainda bem jovem, no penúltimo ano do curso técnico em publicidade e marketing, Reinhardt candidatou-se a uma vaga de estagiária na secretaria da instituição em que estudava. Não foram poucos os que a desencorajaram com o argumento de que a secretaria nada tinha a ver com propaganda e marketing. Tenaz, enxergava no estágio uma porta para acessar atividades que tivessem afinidades com o curso.

A oposição maior veio do pai. Foi quando, segundo ela, disse o seu primeiro não. “Meu pai achava que seria muito pesado conciliar estudo e trabalho. Eu bati o pé e ele acabou concordando, desde que eu não prejudicasse o rendimento escolar.” Não só deu conta, como continuou na instituição, já na condição de assistente de marketing, até 2007, quando concluiu o curso de bacharelado em comunicação social na Universidade Positivo. E foi sempre trabalhando que fez um MBA na Universidade Tuiuti do Paraná em 2011 e, cinco anos depois, o curso de master em marketing e gestão de negócios na ESIC: Business & Marketing School.

A crença na capacidade de realizar seu potencial no interior das organizações a fez aceitar, já com formação superior em propaganda e marketing, uma posição que, aparentemente, não tinha muito a ver com a carreira escolhida. Com garra buscou se colocar e avançou até o posto pretendido.

Participação do Elas no AVACR no Trane Summit Experience em 2019

Um exemplo ilustra essa disposição. Certa vez, ainda na condição de analista de marketing, Juliana conversava com Maria Blase, “incrível mentora”, como faz questão de frisar, à época presidente da Trane para a América Latina, que perguntou como ela se via num futuro próximo na Companhia. Sem titubear, respondeu que seria numa posição de marketing na América Latina. “A área sequer existia, mas eu pensava que nosso marketing deveria ser global.” Passados pouco mais de dois anos dessa conversa, não só existia, como a gerência era ocupada por ela.

Mulheres no AVACR, durante a Febrava 2019

Mas os interesses de Reinhardt vão bem além do marketing, ou, talvez, principalmente graças a ele, no que diz respeito ao endomarketing. Animada com a disposição da empresa para a diversidade e inclusão, ela abraçou a causa. “Diversidade e inclusão fazem parte dos pilares estratégicos da Trane Technologies, dentro da sustentabilidade. Michael W. Lamach, presidente e CEO da empresa, acredita que a diversidade entre os colaborares torna a empresa mais forte em todo o mundo. Ele considera que equipes diversas são mais inovadoras, melhores na solução de problemas para os clientes e proporcionam melhores resultados”, diz ela.

Trane Summit Experience, 2019

Em de junho de 2017, Lamach anunciou que, juntamente com um grupo de 150 CEOs das maiores companhias da América do Norte, participou do chamado CEO Action for Diversity and Inclusion, assinando o chamado Paradigma para a Paridade (Paradigm for Parity), um compromisso da Trane Technologies para alcançar a paridade de gênero na liderança corporativa até 2030. “Juntos, com os nossos parceiros da comunidade empresarial, temos o poder para gerar mudanças positivas e sustentáveis. Ao assumir a necessidade urgente de criar locais de trabalho mais diversos e inclusivos, podemos promover ambientes em que todas as pessoas sejam valorizadas, respeitadas e engajadas” disse o presidente e CEO da Trane.

Em 2019, com Patrícia Correa recebendo a premiação do Mesa Brasil SESC São Paulo pelo projeto We Move Food, da Thermo King

Animada, Juliana assumiu a tarefa de difundir a busca pela equidade de gênero na empresa. “Para Mike, o sucesso não é apenas ter pessoas talentosas de diferentes origens a bordo, a diversidade, mas, todos os nossos colaboradores devem sentir que podem ter sucesso na Trane Technologies e que seus históricos, talentos e pontos de vista são realmente valorizados. Cultivar um ambiente de profissionais altamente engajados e diversos é essencial para entregar resultados superiores para os nossos clientes e acionistas”, diz Juliana, citando Lamach.

A gerente de marketing  para a América Latina da Trane, conta que a empresa possui grupos constituídos pelos próprios funcionários – os ERGs (Employees Resource Groups), para debater pontos importantes em torno de questões das diversidades de gênero, etnia, orientação sexual, entre outras. “Um destes grupos de colaboradores é o WEN – Women´s Employee Network, uma rede de mulheres criada para apoiar o crescimento e desenvolvimento de carreira das mulheres, buscando a equidade de gênero”, explica.

O Women’s Employee Network tem por objetivo proporcionar um ambiente dentro da empresa que valorize, atraia e cultive talentos diversos na liderança, de maneira a provocar “um impacto profundo e positivo em nossos colaboradores, nossa empresa e em nossa indústria em todo o mundo. De uma forma simples, esta rede de contatos feminina está conectando as pessoas, contribuindo para a construção de relacionamentos, criando um espaço para que as pessoas conheçam mais umas às outras. Na rede profissional, as pessoas querem conhecer melhor seus colegas, entender sobre sua função dentro da corporação e conhecer suas experiências profissionais”, continua Juliana.

Reinhardt usa o conceito de vieses inconscientes para justificar seu trabalho pela equidade de gênero. O conceito identifica os estereótipos – gênero, classe social, grupo cultural, etnia, orientação sexual -, que determinam nossos julgamentos no dia-dia em relação ao outro. Estudos já têm mostrado com exaustão que pessoas brancas tendem a fazer um juízo bem mais positivo sobre outras pessoas brancas do que em relação a pessoas negras; o chamado racismo estrutural, por exemplo. E mulheres são, não raro, inferiorizadas quanto a suas capacidades para tomar decisões em comparação aos homens.

A gerente de marketing da Trane lista cinco tipos de vieses inconscientes: 1) viés de afinidade, que é a tendência a avaliar melhor quem se parece conosco; 2) viés de percepção, quando reforçamos os estereótipos que trazemos conosco por herança cultural ou de grupo; 3) viés confirmatório, quando buscamos evidências que confirmem aquilo que já supúnhamos correto, rejeitando evidências em contrário; 4) efeito de halo ou auréola, que faz com que apenas um fator subjetivo determine nosso julgamento; e, 5) efeito de grupo, que nos faz seguir o padrão de um determinado grupo – social, escolar, religioso etc., rejeitando os “intrusos”.

Lançamento campanha de marketing da Trane durante convenção em 2018

Os esforços de Reinhardt para reforçar o conceito de equidade de gênero no setor AVAC-R levam-na a participar de diversas atividades e grupos, como o Elas no AVACR e Mulheres do AVACR da Abrava, ocorrido durante a última Febrava. E acaba de assumir a liderança do subcomitê de marketing do Comitê de Mulheres da Abrava, presidido por Priscila Baioco. Neste organismo pretende “gerar conteúdo que inspire e suporte o desenvolvimento de carreiras de mulheres do setor e, para as empresas, construir conteúdos que criem valor, gerando transformação e oportunidades”.

O que teria Juliana Reinhardt a falar para as mulheres do AVAC-R? “Não permita que ninguém diga que você não pode, somente você mesma pode se limitar. Acredite nos seus sonhos e seja você mesma a sua maior fonte de inspiração para você e para outras mulheres. #VAMOSJUNTAS”

Ronaldo Almeida
ronaldo@nteditorial.com.br

Veja também a entrevista no Canal da Nova Técnica Editorial

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