Automação
Padrões de comunicação
Integrações se tornam mais simples
postado em: 17/02/2014 14:21 h atualizado em: 17/02/2014 14:45 h
O Empire State Building, em Nova York, possui sistema integrado de gerenciamento
(crédito: JCI)

Para Roberto Luigi Bettoni, diretor da Bettoni Automação, a tecnologia IP está cada vez mais sendo adotada como um padrão de comunicação entre praticamente todos os tipos de equipamentos e sistemas.

“A convergência IP proporciona uma rede flexível que se adapta facilmente às necessidades do empreendimento, servindo de infraestrutura única de transmissão de dados, voz e imagens. Na área de automação, segundo ele, com a crescente utilização das redes IP surgem produtos que utilizam as redes de dados como infraestrutura básica de comunicação. Nos circuitos fechados de televisão o uso de câmaras IP cresce, como também, nos sistemas de controle de acesso, onde controladoras mais modernas utilizam redes IP para a conexão entre si e com o servidor de banco de dados. E provável que todas as utilidades passem a utilizar os sistemas wireless, gerenciadores baseados na web, endereçamento IP, motores de alto rendimento, inversores de frequência e controles microprocessados”, diz Bettoni.

 “Cada dia mais as integrações se tornam mais simples e fáceis quando baseadas em protocolos de comunicação padronizados, como TCP/IP, BACNet, Modbus-RTU, KNX, etc. Diferentemente do que se imagina, cada subsistema eletrônico tem sua vida própria, porém pode interagir com os demais em maior ou menor grau. Por exemplo, o controle de acesso pode desencadear a climatização de uma determinada sala de laboratório ou o sistema de detecção e alarme de incêndio identifica um sinistro e o sistema de supervisão e controle predial desliga os equipamentos de ar condicionado”, explica Bettoni.

Do mesmo modo, João Paulo Oliveira, gerente comercial da Johnson Controls Building Efficiency, defende a integração como facilitadora e também como forma de inibir processos que necessitem de intervenção de um operador, reduzindo a possibilidade de falha humana.

“Promover ações sincronizadas e automáticas reduz o tempo entre essas ações. No caso de um incêndio é importante que a ventilação seja cessada para não espalhar a fumaça tóxica e as escadas de emergência estejam pressurizadas, garantindo que estejam livres de substâncias tóxicas que comprometam a evacuação. Os acessos controlados (como portas e catracas) também devem ser liberados para não comprometer a rota de fuga, garantindo o correto escoamento das pessoas”, diz Oliveira.

Ele cita casos como o do Empire State Building, em Nova York - EUA, que teria alcançado uma economia de energia na ordem de 38%, após retrofit nos sistemas de climatização e automação.

“Como parte da reforma, o Empire State Building investiu na maior rede wireless jamais instalada em um edifício. Todos os insufladores, resfriadores, radiadores, válvulas e venezianas foram equipados com sensores que permitem monitorar e controlar todos os equipamentos no edifício em tempo real. Se o canto de um escritório está frio demais, isso não significa que todos os radiadores no escritório precisam ser ligados ou que todas as áreas precisam ter a refrigeração reduzida. A enorme rede é um cérebro para os sistemas do edifício, fazendo com que todos eles façam seus trabalhos com eficiência e economia de dinheiro e recursos. A rede trata da principal reclamação dos trabalhadores de escritórios em todo o mundo: ‘Estou com muito calor/Estou com muito frio’. Tradicionalmente, os ocupantes tem muito pouco controle sobre como a energia era alocada em seus escritórios. O Empire State Building colocou o controle nas mãos dos usuários e assim foi implantado sistema de controle baseado na web que permite que eles monitorem a forma como a energia está sendo usada em seus espaços. Um painel online dá a eles transparência em seu consumo de energia e auxilia o usuário a analisar os dados para encontrar maneiras de serem mais eficientes. Todos os escritórios novos com área superior a 230 metros quadrados têm medidor individual, para que os ocupantes possam economizar dinheiro com suas próprias ações”, explica Oliveira.

Foi executada uma ampla gama de reformas e melhorias para alcançar tais objetivos, incluindo: restauração de aproximadamente 6.500 janelas do local com novos componentes que irão reduzir substancialmente a carga de refrigeração no verão e a perda de calor no inverno; adição de isolamento por trás dos aquecedores para reduzir a perda de calor durante o inverno e o aumento de calor no verão; atualização da iluminação dos inquilinos e áreas comuns com controles e sensores para diminuir o custo de eletricidade e a carga de refrigeração; renovação dos equipamentos de refrigeração para aumento da eficiência; introdução de sistemas de uso de energia individuais baseados na web para que os inquilinos possam gerenciar o seu consumo mais eficazmente; instalação de uma das maiores redes digitais sem fio existentes, permitindo monitoramento e controle 24/7 de cada válvula de vapor, bomba, persiana, ventilador e qualquer outro elemento do sistema AVAC do edifício; integração do sistema de gerenciamento de edifícios Metasys para monitoramento e otimização de AVAC, iluminação e outros sistemas prediais.

 

Empire State Building possui sistema integrado de gerenciamento Metasys que controla e otimiza as utilidades prediais

 

 “O sucesso do Empire State Building não é apenas composto dos milhões economizados anualmente e do retorno rápido, mas do fato de qualquer dono de imóvel poder agora seguir esse processo e reduzir seus custos de energia com conhecimento antecipado de custos e retorno econômico. O Metasys e o Remote Operation Center (ROC) são sistemas de gestão predial que proporcionam recursos para controle de edifícios e um sistema de integração e migração nativo com arquitetura baseada em Web e tecnologias sem fio. O Metasys é compatível não apenas com os sistemas fornecidos pela própria Johnson Controls como também com os fabricados por outras empresas, integrando-os em uma plataforma comum, com uma única interface de usuário. Permite mais controle e facilidade de acesso às diversas informações dos sistemas existentes no empreendimento por meio de tecnologia wireless e recursos avançados de software e IT. Deste modo, o usuário pode acessar as informações de forma organizada e lógica, de onde precisar, incluindo tablets. Já o Remote Operation Center (ROC), é uma central de operação remota que monitora, audita e corrige processos operacionais dos sistemas elétrico, hidráulico e de ar condicionado de edifícios, além de reunir informações de desempenho sobre a instalação e emitir relatórios de eficiência com base nos dados monitorados. De acordo com a avaliação, a central de operação remota informa o status de eficiência ou funcionamento dos processos instantaneamente, otimizando os sistemas das instalações do cliente e transformando dados em informação. Mas não basta a simples implementação de um sistema de automação; operação e manutenção eficientes são imprescindíveis para dar continuidade a estes ganhos”, alerta Oliveira.

 Ele acrescenta ainda que nesta convergência se destacam também os sistemas IP distribuídos com alimentação em PoE, armazenamento em nuvem, acesso remoto multi site e vídeo análise para detecção de intrusão. Para o controle de acesso, sistemas IP com acesso biométrico, integrado ao banco de dados e de Recursos Humanos, também é uma forte tendência.  “Sistemas endereçáveis com sensores inteligentes e autoajustáveis, tolerantes a falhas e com tempo de resposta confiáveis para detecção de sinistro. Espera-se também uma integração deste com os demais sistemas para tomada de decisões em caso de sinistro, como liberação de portas e catracas, além de ações de controle para estancar fumaça e proteger as rotas de fuga. A Johnson Controls, por exemplo, está implantando o chamado Sistema Panoptix, uma combinação de software e serviços que permite o acesso à informação energética de diversos edifícios a outras empresas.  A intenção é auxiliar no desenvolvimento de ferramentas que tornem a gestão energética mais fácil e barata. A base são aplicativos em nuvem que oferecem visibilidade de como cada sistema, subsistema e dispositivo está funcionando. O acesso pode ser feito através de qualquer computador, tablet ou smartphone”, completa Oliveira.

Ana Paula Basile Pinheiro - editora da revista Climatização+Refrigeração

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