Automação
Gestão e produtividade
Segurança e desempenho do edifício
postado em: 17/02/2014 14:35 h atualizado em: 17/02/2014 14:42 h
Centralização de informação e operação otimizam recursos do gerenciamento predial
(crédito: Nova Técnica)

Melhorias na gestão, segurança e desempenho do edifício são citadas pelo técnico da equipe de controles da Trane, Mauricio Camargo: “No caso de um sinistro de incêndio, desligar o ar condicionado e ligar a pressurização de escadas é muito importante, mas isso se pode fazer via interligação elétrica, mais confiável, que depender de um protocolo de comunicação para enviar a informação entre os sistemas. Dessa forma, mais importante que a integração entre todos os sistemas, é que os mesmos funcionem de maneira apropriada e eficiente. Cabe ressaltar que em outros países os sistemas de controle operam de forma independente, ou seja, o sistema de ar condicionado é otimizado, assim como o sistema de detecção e combate de incêndio, e somente no Brasil é que temos essa ideia de um sistema único e que na verdade não é único”, argumenta Camargo.

O técnico da Trane acrescenta ainda que se comete certa confusão ao falar em integração. “Não se deve esperar que uma automação predial esteja contida dentro de uma única plataforma no que se refere a lógica e programação. Não é este tipo de conceito que devemos ter em mente quando falamos em integração. Cada fabricante e/ou fornecedor detém o melhor know how de seu sistema e por isso cabe a ele o melhor desenvolvimento; mas o que se espera é que tudo possa estar integrado no sentido da centralização de informação e operação, otimizando os recursos visuais e gráficos do gerenciamento predial, bem como a interface do usuário com o sistema de gerenciamento”.

 

Em contrapartida Gabriela Meucci, gerente de marketing da Honeywell, diz que cabe à automação fazer todos os sistemas se comunicarem. Para ela, o nível de integração é possível graças aos protocolos de comunicação. “No passado eram necessários equipamentos chamados gateways para traduzir diferentes idiomas entre dispositivos de fabricantes diferentes. Hoje em dia um único controlador gerenciador é capaz de se comunicar com todos os protocolos abertos disponíveis no mercado (BACnet, LonWorks, Modbus, etc.). Por exemplo, quando uma pessoa utiliza seu cartão de acesso para entrar num ambiente, é possível direcionar uma câmera para a porta a fim de visualizar a entrada, ajustar a temperatura ambiente para um valor desejado e acionar a iluminação”.

Na explicação de Renato dos Santos, da Brainset Automação, a integração permite que os diversos sistemas sejam vistos, sob a ótica da eficiência energética, como um único sistema. Essa concentração de informação possibilita uma visão global e muito dinâmica do que está acontecendo, possibilitando assim uma decisão de atuação rápida e extremamente precisa. No entanto, ele considera que, apesar de importante, a integração é opcional. “A integração ajuda bastante no aspecto da visão global centralizada, mas em função do resultado final esperado, pode não ser totalmente necessária”.

Da mesma opinião compartilha Julian Kober, do marketing da Novus, que reconhece na integração dos sistemas uma resposta para a unificação das informações dos processos, facilitando o registro das informações e a gestão integrada das informações. “Há sistemas automatizados estanques que sequer permitem integração seja por segurança ou limitação. Através do controle, do monitoramento e do registro de dados é possível aprimorar o rendimento de todos os equipamentos que integram os edifícios. Com o recebimento dos parâmetros em tempo real e históricos de todas as operações, é possível se chegar a um maior entendimento dos processos, antecipando as ações de cada equipamento, prevendo os problemas antes de acontecer, e garantindo que eles operem dentro dos parâmetros indicados, proporcionando maior agilidade operacional e levando consequentemente a redução do consumo de energia e água”, diz Kober.

Felipe Gásparo, engenheiro da GDS Automação, acredita que a maior novidade, hoje, é a chegada de sistemas e hardwares mais fáceis de programar e com inteligência já embarcada.

“Poucas pessoas sabem, mas um dos maiores fatores da automação ser um sistema ainda em poucos edifícios não é o custo dos equipamentos, mas sim a mão de obra especializada para fazer tudo funcionar. O objetivo destes novos equipamentos é trazer a funcionalidade de grandes sistemas de automação a edificações mais simples. Por exemplo, controladoras que se programam com uma interface simples e amigável, sensores que já são reconhecidos e calibrados automaticamente pela central, supervisórios e interfaces web para acesso por qualquer morador do edifício (claro, com o seu devido gerenciamento de acesso), além de configurações pré-prontas. Isso faz com que o custo do sistema no final fique bem mais em conta e com muito mais funcionalidades. Já passou a época onde a automação era um simples controle remoto universal de funções e um receptor de informações de sensores. A automação agora é uma peça que permite a comunicação completa entre todos os sistemas, os transformando em um único organismo. É neste momento que chamamos a automação de sistema de integração”, revela Gásparo.

Ele acrescenta que a intercomunicação dos equipamentos, na grande maioria das vezes, é de escopo da automação. “Ela faz com que o sistema opere de acordo com as condições de operação e de uso. Por exemplo, se um andar está vazio, pode-se desligar a iluminação. Se a iluminação natural já atende a necessidade de lumens do ambiente, a iluminação artificial pode ser apagada ou dimerizada. Isso faz com que todo o edifício funcione como um organismo vivo, mandando energia para onde há a real necessidade dela. É integrar todos os sistemas de iluminação, ar condicionado, controle de acesso, CFTV, dentre outros, como se fosse um único e assim colocar inteligência artificial neles. Claro que a boa programação do sistema é essencial para o funcionamento. De nada adianta ter equipamentos capazes de gerenciar todos os sistemas se eles no final são mal gerenciados”.

Alexandre Trigo, diretor da Spark Controles, vê na integração dos vários sistemas em uma única plataforma a grande contribuição da automação, por permitir a seleção das prioridades e definição dos sistemas que serão poupados. Para isso, em sua opinião, é necessário um “bom processamento das informações e consequentemente uma plataforma de sustentação confiável e veloz. Este é o principal num projeto de automação”.

Ana Paula Basile Pinheiro - editora da revista Climatização+Refrigeração

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