Construção
Construção a Seco
Com crescimento de 15%, em média, sistema construtivo ganha escala e reduz custos
postado em: 29/05/2014 12:59 h atualizado em: 16/06/2014 15:51 h
Montagem de painéis em estrutura metálica Dânica
(crédito: Divulgação)

Construção a seco vence barreiras culturais e consolida-se no país

A indústria da construção a seco cresce a olhos vistos. A resistência quanto aos materiais utilizados está, aos poucos, diminuindo. Conforme dados da Associação Brasileira do Drywall o mercado vem crescendo nos últimos anos a uma média de 15% ao ano. "Para nós é bastante significativo, se compararmos com os outros índices da construção civil. Nota-se claramente que a construção a seco cresce muito acima do mercado", afirma Omair Zorzi, gerente técnico da Knauf Drywall. Na visão do engenheiro civil Fernando Lente, gerente comercial da Polar, a “aversão” inicial já foi superada no Brasil, percebe-se que o “novo” está cada dia mais aderente à construção.

Para Ricardo Santos, engenheiro da CES Engenharia, o processo de mudar de sistema de alvenaria tradicional para o sistema frame só trás benefícios, como, por exemplo, um ganho em torno de 20% a 30% em termos de velocidade. "Você pode efetivamente industrializar esse processo. Fazer uma parede já toda estruturada, chapeada, com instalações elétricas embutidas e esquadrias. Hoje é mais barato você fazer uma parede de drywall completa", esclarece.

Segundo Eduardo Éboli, gerente de comunicação e inteligência de mercado da Gypsum, a construção a seco é um mercado com grande potencial de crescimento, sobretudo no setor residencial. A empresa mantém seus esforços no sentido de, minimamente, continuar esse crescimento e, se possível, ampliar essa curva. "O crescimento da construção a seco vem acontecendo de forma bastante otimista e cada vez mais responsável, mas ainda merece atenção na especificação e aplicação do produto, o que garantirá durabilidade e desempenho a longo prazo. Isso se dá por conta da parceria com empresas responsáveis, capacitadas para atender a demanda nacional e adequadas ao mercado brasileiro, promovendo todo tipo de assistência técnica e contribuindo para a qualificação profissional de mão de obra que, para sistemas industrializados de construção, merecem atenção especial", explicou Gabriel Pontes, arquiteto e gerente de marketing da Eternit. Na visão de Fábio Pizzinatto, diretor do Grupo Pizzinato, o desenvolvimento da mão de obra está cada vez mais melhor, principalmente nas grades cidades. Para Carlos Teruel, gerente de produtos da Tigre, a construção a seco vem ganhando participação no mercado, especialmente nos grandes centros. Porém enfrenta a barreira cultural quando se fala de imóveis residenciais. "Mas, sem dúvida, é uma solução que veio para ficar e cada vez estará mais presente no dia a dias das pessoas", disse.

William Aloise, gerente de marketing e desenvolvimento da Placo comentou que diversos segmentos da construção estão adotando o sistema e repetindo a experiência: as cadeias de hotéis,  redes de fast-food, agências bancárias, postos de abastecimento, conjuntos habitacionais, escolas e hospitais, entre outros. Túlio Benedetti, gerente de produção da Isoeste, acha o crescimento muito lento se compararmos o nível de desenvolvimento dos países europeus. "Mas se considerar apenas a realidade brasileira, o crescimento é visível. Pode-se notar pela quantidade de material técnico, cursos e feiras que têm surgido especificamente voltados para esse tipo de construção. O fator de maior empecilho para que o crescimento seja compatível com a vantagem que ele oferece é a cultura brasileira. Projetistas e fabricantes têm feito  seu trabalho, mas é preciso mudar conceitos antigos, quebrar paradigmas para entrarmos em um novo conceito de construção, mais limpo, mais prático, mais inteligente e ecologicamente correto", esclareceu. Claudio Luz, diretor da 1ª Linha comentou que ouve há anos que as construções que usam drywall são frágeis. "Isso é o mesmo que falar que os americanos e europeus não sabem construir. Há alguns anos víamos a construção a seco como uma opção cara, hoje, com todas as vantagens que ela oferece como redução de prazo, praticidade e principalmente pela gestão de mão de obra, até os mais céticos já se renderam ao sistema; afinal, se o mundo usa porque não usamos também", questiona Luz.

O engenheiro Maurício Ribeiro Furlan, da Ananda Metais, acredita que há uma lacuna muito grande de produtos a serem desenvolvidos abrangendo todas as etapas da obra. "Estamos envolvidos com construção a seco há muitos anos e percebemos que os poucos produtos industrializados responsáveis pela construção a seco disponíveis no mercado já estão nas pranchetas dos arquitetos e engenheiros que compartilham dessa visão, dos quais percebemos uma sede muito grande por mais produtos e soluções com essa filosofia, uma vez que já experimentaram os seus resultados e efeitos", esclarece.

Muitos avanços estão sendo realizados e para a Isoeste o principal está nos projetos de coberturas residenciais, em que o sistema de light steel frame alcança sua maior viabilidade. "Ele é capaz de propiciar uma  estrutura de cobertura até dez vezes mais leve do que a alvenaria. Devido a uma montagem mais prática e rápida isso representa economia de material e mão de obra, uma maior agilidade na manutenção e prevenção de patologias (redução de lesões em casos de desabamentos)", comentou Benedetti.

A Knauf Drywall acredita que o país teve dois grandes avanços, a normalização, pois hoje a construção a seco é o único sistema de compartimentação vertical/horizontal que possui todos os seus componentes -  massas, fitas, chapas, parafusos, acessórios, etc. - normatizados, além de normas para o projeto, para a execução e o desempenho do sistema. Isso garante ao usuário final a qualidade e a performance esperada. O outro avanço é relacionado ao programa do governo denominado PBQP-H – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat, onde o drywall foi incluído com seu próprio programa setorial de qualidade, garantindo ao usuário que os produtos adquiridos estão de acordo com as normas. Pizzinatto também ressalta a importância desse programa, "os selos de qualidade PBPQ-H de produtos e montagem que tem sido trabalhados pela associação drywall nos últimos 10 anos tem permitido o controle da qualidade final do sistema entregue ao cliente".

As feiras e outros eventos nacionais e internacionais têm ajudado muito nesses avanços. Empresas empenhadas em soluções construtivas direcionadas para racionalização das obras e alinhadas com as tendências mundiais têm visitado esses eventos e desenvolvido ou importado novos produtos, contribuindo para os avanços da construção a seco. Para Aloise, da Placo, a elaboração de normas técnicas, programas setoriais da qualidade, cursos, programas de  formação para os diversos públicos do setor, congressos e eventos têm sido ações vitais. "O setor avaliou toda a cadeia da tomada de decisão da construção e vem atuando junto a cada elo da mesma, incluindo, por exemplo, palestras para a categoria de corretores imobiliários, importante agente orientador do consumidor final", esclareceu.

Para muitos empresários o setor de construção deve investir na melhoria e na qualidade das obras e viver o ciclo virtuoso de crescimento que todos esperam e precisam. "Entendo que o grande avanço do setor foi incluir na agenda prioritária do governo a necessidade da casa própria e a melhoria da infraestrutura das cidades, mais o interesse dos bancos em financiar o imóvel", comentou Teruel. O diretor geral da Dânica, Steffen Nevermann observa que a oferta de produtos industrializados para construção a seco aumentou significativamente no Brasil durante os últimos anos.  No segmento de painéis termoisolantes de fachadas e coberturas, por exemplo, os produtos são fabricados com a melhor tecnologia contínua mundial e atendendo às principais exigências legislativas de segurança (contra fogo, por exemplo); o Ministério das Cidades publicou em fevereiro de 2014 uma nova diretriz no SINAT (Nº 010), aprovado em nível nacional, para construções com painéis termoisolantes 100% industrializados, com o objetivo de normatizar este tipo de construção, assegurando as melhores técnicas de construção e de segurança. A diretriz está se tornando referência para licitações de construções com painéis para escolas e creches, entre outros, bem como para licitações do setor privado, que agora tem respaldo normativo para construções com painéis industrializados termoisolantes. Éboli, da Gypsum, também acredita que as normas que foram aprovadas, como a de montagem (2009) e de desempenho de edificações (ABNT NBR 15575) irão assegurar o crescimento sustentado do setor nos próximos anos. "Acredito que avançamos muito em qualidade e no acompanhamento dos componentes para os sistemas drywall. Demos um grande passo em qualidade graças a essas normas", disse.

Casas populares com sistema de cobertura inteligente Isoeste Metálica

Novos produtos

Todo e qualquer dispositivo de trabalho que reduza as etapas de fabricação e montagem minimizando o trabalho improdutivo, bem como as tecnologias e sistemas construtivos que apliquem produtos pré-industrializados, como por exemplo, sem o uso de água nas suas etapas, e tem como principal objetivo a aplicação direta na obra com mínimo de preparo antes da montagem e com maior rendimento de instalação, estão certamente contribuindo para o avanço racional da construção. As indústrias do setor estão disponibilizando informações e equipes capacitadas e treinadas, bem como os produtos dentro de condições cada vez mais acessíveis. Lançamentos de produtos com novos atributos de conforto acústico, resistência mecânica, praticidade e beleza, também somam para esse avanço.

Para a Polar os principais avanços são os comentários de grandes construtoras presentes em grandes obras relacionadas à construção a seco. "O bom desempenho e a divulgação destas oportunidades faz o crescimento aumentar significativamente" disse Lente. A Polar trouxe em 2014 os seguintes lançamentos relacionados à cultura do steel frame: a caixa elétrica ajustável para instalações elétricas prediais de baixa tensão, especialmente desenvolvida para paredes de gesso acartonado com fixação simples; e as caixas de passagem para instalação de condicionadores de ar split - CPP 011 – que, desenvolvidas para serem instaladas nas paredes de gesso acartonado, servem para conter toda a infraestrutura para a instalação dos splits (fios, tubos e drenos). "Acredito que os fabricantes, como a Polar, desenvolvem soluções exclusivas e inovadoras, são fundamentais para o avanço da construção a seco no Brasil. A divulgação é essencial para que sejam difundidos os conhecimentos ao mercado", diz Lente.

“Com o crescimento da demanda por produtos ecoeficientes e a disseminação cada vez mais crescente do conceito da construção sustentável, a Eternit tem investido em produtos que agregam, trazendo ganhos para o meio ambiente e para o cliente”, diz Pontes. O arquiteto da Eternit afirma que uma construção sustentável não depende apenas de novas tecnologias, mas da criatividade e atenção a pequenos detalhes que diminuam o desperdício e otimizem a utilização de recursos naturais. Seguindo essa linha de raciocínio, a empresa lançou a placa cimentícia  Eterplac, usadas em sistemas construtivos de fechamentos externos e internos  para obras comerciais, residenciais ou industriais. Podem ser encontrada nas versões Eterplac Wood(madeira) e Eterplac Stone (pedra). A Eternit lançou também o Painel Wall, composto de miolo de madeira laminada ou sarrafeada, contraplacado em ambas as faces por lâminas de madeira e, externamente, por placas cimentícias CRFS (Cimento Reforçado com Fio Sintético) prensadas.  

 As empresas perceberam o quanto isso é importante e comprometeram-se com a elaboração de novos produtos para a construção a seco. A Placo apresentou na última edição da Expo Revestir a placa Placo Phonique, que permite melhorar o isolamento acústico, proporcionando uma eficaz proteção contra ruído, e evitando que o som também se propague para o exterior. É uma placa de gesso laminado, composta por um núcleo de alta densidade e com estrutura cristalina de gesso específico, que devido a sua flexibilidade permite amenizar os ruídos e aumentar o isolamento acústico dos sistemas construtivos em até 3dB. O produto se adapta a todos os sistemas e construções (divisórias, forros, revestimentos de paredes) sem a necessidade de mudar a instalação e os acessórios. Possui dimensões de 12,5 mm de espessura, 1200 mm de largura por 1800 mm de comprimento. A outra placa que foi apresentada no evento é a Placo Impact, que oferece uma resposta ainda mais eficiente a ambientes internos, é de gesso laminado composta por fibras sintéticas e revestida por um cartão especial com a qual se alcança melhor desempenho quanto à resistência de impacto e maior capacidade de carga (até 50kg por ponto). Indicada para forros e revestimentos, oferece maior rigidez à parede e, consequentemente, maior durabilidade. É uma solução 100% em drywall, facilmente reconhecida por sua superfície amarela.

O gerente de produção da Isoeste disse que a empresa está fabricando mensalmente cobertura para mais de mil casas, em diversas partes do Brasil. "Nossos perfis são fabricados em máquinas CNC de alta velocidade, feitos de acordo com cada projeto. Utilizamos um aço de altíssima resistência, conhecido como Full Hard, cujo limite de escoamento pode chegar a 600 MPa, proporcionando uma estrutura rígida e ao mesmo tempo leve. Além disso, como proteção anti-corrosiva, é utilizado o galvalume, que possui uma durabilidade 2 a 4 vezes superior ao aço galvanizado", explicou Benedetti.

"Ao longo destes quase vinte anos de atuação no Brasil, lançamos diversos produtos, pois isto é uma constante em um mercado evoluído como o nosso. Hoje além das tradicionais chapas de gesso para drywall tipo ST - Standard, RU - Resistente a Umidade e RF - Resistente ao Fogo, temos dezenas de outros produtos e acessórios que além de facilitar a instalação garantem um ótimo desempenho. Acreditamos que o principal lançamento nestes últimos anos, foi sairmos da atuação das áreas internas com o drywall e partirmos para as áreas externas com as fachadas leves no sistema Aquapanel; isso possibilitou darmos um passo enorme para a evolução dos sistemas de construção a seco, pois podemos construir uma edificação totalmente com nossos próprios sistemas", esclareceu Zorzi, gerente técnico da Knauf. A Tigre lançou uma linha de conexões para água quente, fria, esgoto e elétrica chamada DryFix. O nome “Dry” foi dado devido à construção a seco. Ela é composta por conexões que utilizam um PVC especial mais resistente ao impacto e permite a fixação às placas de gesso acartonado. Essas conexões permitem que sejam utilizadas as tubulações convencionais, sem adaptações e com custo competitivo. A linha de quadros elétricos da Tigre possuem abas de fixação para serem utilizadas em sistemas drywall, woodframe, entre outros.

O Grupo Pizzinatto trabalha com kits hidráulicos que se adequam perfeitamente e naturalmente ao sistema. Os kits vendidos em módulos prontos são encaixados no lugar e afixados a "alvenaria + parede de drywall + ao sistema hidráulico". "Nos últimos anos, o sistema drywall, a partir da mão de obra cada vez mais preparada e difundida nas principais capitais e nas principais cidades brasileiras, tem tido cada vez mais presença em obras comerciais como shopping, hotéis, hospitais e edifícios verticais comerciais e lojas de maneira geral. Hoje, qualquer um desses empreendimentos são estudados em “drywall” pois trazem mais dinamismo pela sua praticidade, eficiência pela rapidez na execução e acima e tudo evita o desperdício de materiais", finaliza Pizzinatto.

Por: Charles Godini <charles@nteditorial.com.br>

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