Refrigeração
Fluidos refrigerantes
Seminário internacional discute a nova geração
postado em: 14/10/2014 14:05 h atualizado em: 20/10/2014 17:16 h
Organizado pela AHRI e ABRAVA evento traz especialistas de todo o mundo e aponta soluções menos agressivas ao meio ambiente
(crédito: Nova Técnica)

Os CFCs – clorofluorcarbonos – fazem parte da primeira geração de fluidos refrigerantes a proporcionar um inegável avanço para a indústria da refrigeração ainda na década de 1930. Meio século depois os cientistas começaram a relacionar o cloro à destruição da camada de ozônio. Alarmadas, as autoridades mundiais se articularam para a criação de políticas para a eliminação dos CFCs. Fruto do consenso, o Protocolo de Montreal entraria em vigência em 1º de janeiro de 1989, estipulando passos e procedimentos que atingiam, àquela altura, também os fluidos de segunda geração, os chamados HCFC, os hidroclorofluorcarbonos, menos agressivos à camada de ozônio e com menor potencial de GWP (Global Warming Potential – Potencial de Aquecimento Global).

Os esforços da indústria voltaram-se, então, para o desenvolvimento dos fluidos livres de cloro. Era a terceira geração representada pelos HFCs – hidrofluorcarbonos, cujo representante máximo seria o HFC-134a, além de inúmeros blends. Em breve se comprovaria que a nova geração, embora de baixo impacto sobre a camada de ozônio, possuía alto GWP.

O mundo já começava a olhar para as mudanças climáticas. Em 1988 a Toronto Conference on the Changing Atmosphere dá os primeiros passos para a discussão de um tratado internacional. Nascia as bases do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 no Japão. Vale notar que os Estados Unidos, segundo maior emissor de carbono do mundo, apesar de signatário do documento não o ratificou até 2011, com a justificativa de que isto seria prejudicial para a sua economia.

 

A partir de Kyoto, entretanto, abriram-se várias alternativas para o desenvolvimento de fluidos refrigerantes de baixo GWP. Recentemente, a indústria americana, impulsionada pela proximidade dos prazos para a eliminação também dos HCFCs, apressou o anúncio de alguns dos substitutos definitivos das antigas substâncias.

Neste contexto realizou-se, nos dias 7 e 8 de agosto último, no Clube Transatlântico, na capital paulista, o Seminário “Eliminação do R-22 e a próxima geração de fluidos refrigerantes”, promovido pela americana AHRI (Air-Conditioning, Heating & Refrigeration Institute) em parceria com a Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento). Voltado aos representantes da indústria de refrigeração e seus usuários, o evento contou com o apoio de entidades como ABNT, Abras, Cetesb, GBC Brasil, Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs, ICARHMA, Instituto Mauá de Tecnologia, UNIDO, entre outras organizações. Sua realização foi viabilizada através do patrocínio da Daikin, Danfoss, Arkema, DuPont, Emerson, Frigelar e Trane.

Na mesa de abertura fizeram-se presentes Wadi Tadeu Neaime, presidente da Abrava; Arnaldo Basile Jr., vice-presidente da Abrava; Prof.º Dr.º Roberto de Aguiar Peixoto, pró-reitor do Instituto Mauá de Tecnologia; e Matt Gardner, gerente de relações internacionais da AHRI.

"Esse evento teve como objetivo conhecer regulamentações e descobrir novas tecnologias sem descuidar do meio ambiente, saúde e segurança das pessoas. Tratar de assunto de interesse governamental, da comunidade técnica e da população em geral, procurando assim contribuir para o nosso engajamento no pensamento técnico universal. Sempre que possível comentamos que os gases refrigerantes não são nossos inimigos, pois são essenciais para tornar o nosso dia a dia mais saudável e mais confortável. A refrigeração e o ar condicionado são partes vitais para o nosso conforto e bem estar, incluindo saúde pessoal, produtividade, prolongamento da vida de alimentos perecíveis, fabricação e manutenção de medicamentos a salvo, entre outras utilidades", esclareceu Neaime. Ele ressalta que é preciso manter uma relação amistosa com esses fluidos, pois sendo utilizados e manuseados de maneira responsável e segura, evitam danos à saúde, à segurança das pessoas e ao meio ambiente. A nova geração de refrigerantes apresentará desafios que precisam ser plenamente compreendidos pelos setores públicos e privados, exigindo apoio tecnológico e educacional para desenvolver habilidades técnicas de manuseio e controle dessa nova geração.

"Em relação a esse tema, destacamos a atenção, o compromisso e ações da Abrava como acesso e divulgação da performance e do impacto ambiental dos novos produtos; exposição constante dos níveis de flamabilidade e pressões de trabalho de cada opção alternativa de refrigerante; treinamentos contínuos para qualificação de técnicos no manuseio, monitoramento de vazamento e limites de carga nas instalações; e a difusão de meios para a coleta e reciclagem de gases refrigerantes", disse o presidente da Abrava.

"Eu considero que durante o seminário esteve ‘a nata’ da representação brasileira e internacional nos apoiando. Eu gostaria de ser mais ousado e afirmar que esse evento foi um marco de referência nas questões técnicas e comerciais", disse Basile. Para o professor Roberto Peixoto o evento foi previsto e sonhado há alguns anos: "é fundamental o que estamos fazendo; discutindo as alternativas, avaliando os prós e os contras, verificando quais são os caminhos e, fundamentalmente, buscando acompanhar quais os desenvolvimentos na área", comentou.

O Seminário foi dividido em três sessões que estão abaixo apresentadas em pequenas sínteses, passando a ideia central de cada apresentação.

1ª Sessão: Políticas do HFC e iniciativas regulatórias

Dave Godwin, especialista em Proteção do Meio Ambiente da US EPA - Agência dos Estados Unidos de Proteção ao Meio Ambiente, abriu o Seminário falando sobre a Emenda Proposta ao Protocolo de Montreal apresentada por Canadá, México e EUA, visão geral das iniciativas do EPA, SNAP EUA - Política de Novas Alternativas Significativas. O Canadá, EUA e México, enviaram ao Protocolo de Montreal uma proposta de emenda para mudar o consumo dos HFC's. Segundo Godwin isso ainda é novo no mercado, no entanto existem preocupações com relação ao potencial de aquecimento global dos HFC's. Nos EUA, a EPA - Environmental Protection Agency - gerencia um programa de novas alternativas significativas, o SNAP - Significant New Alternatives Policy, onde a indústria certifica novos refrigerantes, novos químicos e substituem as substâncias prejudiciais à camada de ozônio, não somente na área de refrigeração e ar-condicionado, mas nos aerossóis, setor de proteção contra incêndio, entre outros. Estima-se que essa redução gradual seja de 90 a 120 gigatoneladas de CO2, até 2050.

Em seguida Mike Thompson, da Trane, falou sobre o Progresso no Próximo Regulamento EU F-gas. O palestrante abordou assuntos relacionados às regulamentações na União Europeia. Em 2006, na União Europeia foi criada uma lei regulamentando os HFC's, substituída pela 517/2014, publicada em 11 de junho de 2014, passando a vigorar em 1 de janeiro de 2015. Foram realizadas as seguintes alteração: limitar e reduzir a quantidade dos gases fluorados que podem ser vendidos na UE a partir de 2015, proibir a utilização dos gases fluorados em novos equipamentos, prevenir a emissão de gases fluorados em equipamentos já existentes, realizar a manutenção adequada e recuperar os gases no final da vida útil dos equipamentos; esse último ponto, segundo Thompson, é um trabalho difícil, pois requer fazer com que as pessoas usem esses equipamentos de forma responsável. Nos EUA, Austrália e Japão as regulamentações existentes são diferentes, complicando assim o trabalho dos fabricantes em fazer produtos aplicáveis em todo o mundo. "Produtos globais são ótimos para a indústria, pois permitem fabricar produtos confiáveis e eficientes, exigindo menos engenharia. Se tivermos um conjunto global de regulamentos e não um mosaico de abordagens regionais e sub-regionais, todos sairão ganhando", explicou Thompson.

2ª Sessão: Desafios dos refrigerantes Baixo-GWP

O pró-reitor do Instituto Mauá de Tecnologia, Roberto Peixoto, falou sobre a Visão Geral de Alternativos: Novos HFC's com Baixo GWP e Refrigerantes Alternativos (Relatórios das Decisões XXIV/7 e XXV/5 Protocolo de Montreal). Peixoto comentou que o Protocolo de Montreal solicitou a um grupo/comitê um estudo sobre alternativas para substituir o R-22 levando em conta a viabilidade comercial, técnica, questões ambientais, aplicações de facilidades do uso, de flamabilidade, inflamabilidade, toxicidade e questões específicas levantadas por alguns países sobre a possibilidade de uso em ambientes de alta temperatura, como o mundo árabe e outros países com verões intensos, podendo estender essa questão a lugares urbanos com alta densidade. A primeira versão desse relatório foi apresentada em julho/2014 e será discutido em novembro deste ano. O estudo aborda alternativas considerando o aspecto tecnológico, a disponibilidade comercial, eficiência energética, custos, barreiras e restrições e inclui seis moléculas puras de Baixo GWP (amônia, CO2, hidrocarbonetos, HFO's). Estão sendo apresentadas, inseridas e testadas no mercado quatorze novas misturas de Baixo GWP constituído de HFC's, incluindo o HFC-32 e três misturas com GWP maior que 1000. Os setores que foram escolhidos para análise das alternativas de refrigerantes foram os setores de refrigeração doméstica, industrial e comercial, transporte, bombas de calor, chillers e ar-condicionado automotivo. Esse estudo fez também uma avaliação de futuro com relação ao uso de fluidos refrigerantes em países do Artigo 5 e industrializados. Foi baseado em um modelo desenvolvido por Denis Clodic, pesquisador membro do comitê de opções técnicas. Foram avaliados três cenários, o primeiro é o bussines as usual: continua do jeito que está sem a emenda norte americana no Protocolo de Montreal, mas considerando as regulações europeias; foram avaliados o uso de substâncias químicas em outras aplicações mostrando o impacto ambiental e a importância de considerar o setor de refrigeração e ar-condicionado. Os outros dois cenários são chamados de mitigação e mostram a importância da eliminação de HFC's de Alto GWP no setor automotivo, levando em consideração algumas regulações e a importância do uso de HFC's na conversão para fluidos de  Baixo GWP no setor de refrigeração e ar-condicionado. Em um desses cenários (mitigação) há uma diferença de tempo para adoção de algumas medidas de transição para fluidos de Baixo GWP entre países desenvolvidos, industrializados e países em desenvolvimento, como é atualmente o Protocolo de Montreal com relação a eliminação dos CFC's e HCFC's; no outro cenário não há essa diferença, as medidas seriam adotadas simultaneamente nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O diretor de pesquisas da AHRI, Xudong Wang, apresentou a palestra Programa AHRI de Avaliação de Refrigerantes Alternativos de Baixo Potencial de Aquecimento Global. Segundo Wang, os testes com refrigerantes ilustrados nas figuras 1 a 4 foram concluídos em 2013 (Fase I), e que não devem ser vistos como universalmente aplicáveis, pois alguns mostraram inconsistência e pedem uma investigação mais aprofundada. Na figura 5 os testes começaram este ano e ainda estão sendo realizados (Fase II). Segundo Wang, muitos desses testes estão servindo para corrigir as falhas da Fase I.

Na sequência, Ole Nielsen, chefe da Unidade de Refrigeração e Aerossol da UNIDO, explanou sobre as Alternativas HCFC-22 com a Perspectiva do Fundo Multilateral. Nielsen falou de como o PM pode ajudar as indústrias brasileiras na eliminação do R-22. Com base nas investigações preliminares da UNIDO para a preparação do Estágio 2 o Brasil é um dos países onde o setor de ar condicionado mais cresce, e se esse crescimento se der também em HFC o país poderá enfrentar um problema. "Isso precisa ser levado em consideração quando decidirem a estratégia das empresas. É um setor grande com mais de 130 empresas, contudo o dinheiro do Fundo Multilateral pode não ser suficiente, pode existir a necessidade de um cofinanciamento", argumentou.

Compromissos com Eficiência foi discutido pelo palestrante Carlos Obella, da Emerson USA. A palavra troca é a chave para inúmeras questões, como abordagens ambientais, compensações em termos de segurança e em termos de desempenho e economia. A figura 7 apresenta as diferentes alternativas, tendo como base, o nível de GWP em termos de pressão e capacidade nas diferentes aplicações de refrigeração e ar condicionado.

Normas Necessárias para Permitir o Uso de Refrigerantes Inflamáveis foi a segunda palestra ministrada por Xudong Wang. Em geral, o uso de novos fluidos irá exigir diversos passos nos EUA. Em primeiro lugar é necessário procurar a classificação de segurança adequada na ASHRAE e a aprovação do EPA SNAP para as aplicações onde o fluido será usado; depois o uso dos refrigerantes terá que estar de acordo com todas as normas de segurança como a ASHRAE 15 e normas de segurança dos equipamentos como, por exemplo, as normas UL. Essas normas que tratam sobre refrigerantes inflamáveis precisam ser adquiridas pelo código de construção e depois pelos códigos estaduais, fazendo com que os equipamentos que usam refrigerantes inflamáveis possam ser utilizados no campo. Os Refrigerantes 2L são aqueles que possuem classificação levemente inflamáveis. Quando testados, a propagação de chamas tem uma velocidade de combustão de menos de 10 cm/s.  Os refrigerantes 2L atuais e definidos pela norma 34 da ASHRAE são R-32, R-143a, R-1234yf, R-1234ze(E); há diferentes misturas e novos fluidos que serão adicionados a essa norma (34).

Tatsuro Kobayashi, da Daikin, falou sobre o Uso do R-32 em Ar-Condicionado e Bombas de Calor. Apresentou o R-32 como possível candidato a substituição do R-22 e do R-410A. Testes realizados comprovaram que ele pode reduzir em até 75% o GWP. Segundo Kobayashi sua inflamabilidade é muito baixa.  A velocidade de queima (≤ 10 cm/s) é muito lenta para provocar a propagação da chama ou uma explosão (classificação ASHRAE 34 e ISSO 817). O R-32 por ser um refrigerante único possui alguns benefícios como facilidade no manuseio, podendo ser carregado como gás ou na fase liquida; não há preocupação com mudanças da composição caso venha a ocorrer um vazamento; é simples e fácil na hora de reciclar ou reutilizar.  

Em seguida Mike Thompson, da Trane, falou do Uso de HFCs de Baixo GWP em Ar-Condicionado. Segundo ele, as normas são muito importantes e devem ser respeitadas. "Quando lidamos com 2L podemos usar refrigerantes levemente inflamáveis, mas com segurança; o R-32 com o R-1234yf e R-1234za dão um bom equilíbrio, tudo são questões de concessões. Estamos chegando próximo e não queremos ter cinco alternativas diferentes na indústria. Isso é muito difícil para todos, precisamos chegar a conclusões, precisamos achar uma ou duas opções, no máximo, de fluidos refrigerantes. Quando considerarmos todas as aplicações talvez veremos como são aplicadas em termos de flamabilidade. Enquanto indústria precisamos nos reunir e escolher esses gases, temos excesso de opções para substituir o R-410A", concluiu.

Representando a GIZ Brasil, o especialista de refrigerante e ar-condicionado Gutenberg da Silva Pereira explanou sobre o Uso de R-290 em Ar-Condicionado. Ele apresentou o cronograma de eliminação de HCFC's no Brasil, de forma gradual, realizado pelo PBH - Programa de Eliminação dos HCFC's, em 2015 - 10%; 2020 - 30%; 2025 - 67,5%; 2030 - 97,5%, em 2040 eliminação total. "Já estamos passando por esse processo de congelamento e, em 2015, começaremos o decrescimento desse consumo". Em relação ao COP - Coeficiente de Performance - o R-290 possui grande potencial de melhoria na eficiência e estudos mostram, segundo Pereira, que as melhorias no COP do sistema variam de 2% a 20%; ocasionado por conta das taxas de pressão do hidrocarboneto e uma boa transferência de calor dos trocadores, podendo reduzir a carga e o tamanho desses trocadores. O especialista comentou que não há uma Norma específica para a utilização do R-290 ou outro hidrocarboneto, porém as seguintes Normas devem ser consultadas: NBR 16.069:2009 - Segurança em Sistemas de Refrigeração; NBR 16.186:2013 - Refrigeração Comercial, Detecção de Vazamentos, Contenção de Fluido Frigorífico e Manutenção de Reparos; NBR 15.976:2011 - Redução das Emissões de Fluidos Frigoríficos Halogenados em Equipamentos e Instalações Estacionárias de Refrigeração e Ar-Condicionado; NBR 13.598:2011 - Vasos de Pressão para Refrigeração. Em relação à flamabilidade o R-290 é inflamável apenas na faixa de 2% a 10%, não sendo suficiente para causar combustão do HC. Ele comentou que, na China, 50% da linha de produção está migrando do R-22 para o R-290, outros países também estão fazendo essa substituição. "Existem três pontos principais ao trabalhar com fluidos inflamáveis: 1) contenção: garantir que o sistema esteja em ótimas condições de instalação; não é simplesmente instalar, é preciso monitorar. 2) fontes de ignição: faíscas, eletricidade estática, chama aberta, falta de aterramento nos equipamentos. 3) ventilação: é preciso assegurar uma boa ventilação, uma fácil dispersão desse fluido, caso venha a ocorrer vazamento. Já existe um manual com relação a critérios de como usar com segurança os hidrocarbonetos. Estamos trabalhando com a tradução e adaptação para a nossa realidade aqui no Brasil", finaliza Pereira.

A palestra sobre Tecnologia de Componentes para Refrigeração de baixo GWP em Ar-Condicionado foi ministrada por Carlos Obella, da Emerson USA. "Eu divido os desafios em drives de refrigerantes e componentes e tento fazer um paralelo do que foi visto com essa transição - R-22 para o R-410A - nos países industrializados". Segundo Obella houve uma proliferação de fluidos refrigerantes, há aproximadamente 40 variedades, um número significativo para fazer a transição de gases refrigerantes com Baixo GWP.  

Falando sobre o Uso de Refrigerantes Alternativos em Refrigeração Comercial (Sistemas de Controles, Sistemas de Supermercado), Torben Funder-Kristensen, da Danfoss, explica que, no Brasil, a utilização de dióxido de carbono nos supermercados está aumentando. Existem diferentes tipos de sistemas de CO2 com combinação de glicol e sistemas DX, por exemplo. Segundo Kristensen, o principal motivo para usá-los é a redução no consumo de HFC que consequentemente reduz custos. "Atualmente, existe uma discussão sobre o CO2 e a eficiência do CO2 Transcrítico, isso se deve à queda de temperaturas. Temos resultados muito interessantes na Espanha, em supermercados transcríticos, ou seja, ainda não chegamos ao limite da temperatura ambiente para esse uso. Com relação à eficiência energética esse é um parâmetro que se torna muito importante. A primeira meta é obter sistemas de glicol mais eficientes, sendo assim os sistemas de bombeamento de CO2 começarão a ser usados, fazendo com que o sistema de glicol seja desafiado". O palestrante apresentou uma diferente combinação de sistemas em cascatas, sistemas indiretos e de amônia com CO2, hidrocarbonetos com CO2, HFO, misturas com dióxido de carbono e a combinação mais tradicional do HFC com CO2, todas, segundo ele, sustentáveis.

"A questão da viabilidade ainda precisa de um ímpeto extra, aliada à educação que é muito importante para a introdução em massa dessas novas tecnologias. O glicol com HFC é o mais utilizado atualmente, mas o sistema de bombas de CO2, devido à viscosidade, é muito bom", comenta Kristensen. Ele ainda acrescenta que gostaria de ver uma redução nas plantas que usam amônia, e o CO2 poderia ser usado como veículo, reduzindo assim o risco do uso desse refrigerante. Finalizando ele enfatizou que educação e treinamento é o desafio do CO2.

Representando a Honeywell, Marco Garcia ministrou a palestra também sobre o Uso de Refrigerantes Alternativos em Refrigeração Comercial, mas com um viés voltado para Unidades Condensadoras, Sistemas de Supermercado. Garcia comentou que ao desenvolver o novo refrigerante é preciso considerar diferentes pontos, especialmente em supermercados, verificar a capacidade do refrigerante, quanta energia será usada; o fluxo de massa, relacionado ao uso da válvula de expansão; potencial de aquecimento global; proteção do compressor; compatibilidade do refrigerante; retorno de óleo. Garcia apresentou três diferentes HFO's: 1) SolsticeTM1234yf (R-1234yf): usado na substituição do R134a, em indústrias automotivas; 2) SolsticeTM1234ze (E): na indústria de espuma, substituindo o R-134, podendo ser usado em chillers centrífugos e classificado como um gás não inflamável; 3) SolsticeTM1233zd (E): pode ser usado em refrigerante com baixa pressão.  "Não existe uma única solução de refrigerante, os critérios de aplicação e seleção dependem de vários pontos como o clima; o tipo de configuração; e a eficiência energética", conclui Garcia.

Heinz Juergensen, da Bitzer, falou em relação à Tecnologia de Componentes para Refrigeração de baixo GWP em Refrigeração Comercial. "Hoje se discute o que os refrigerantes são para os ambientes e não para as máquinas", disse. Em relação aos novos refrigerantes, segundo Juergensen, a meta é fazer uma conversão gerenciável, uma capacidade de pressão semelhante ao R-134a, R-404A e R-22, utilizando os componentes existentes; eficiência energética para que o TEWI (Total Equivalent Warming Impact = perda direta de fluido frigorígeno e efeito indireto das emissões de CO2 resultantes do consumo de energia) não possa piorar; e GWP bem mais baixo que o R22.

3ª Sessão: Gerenciamento Sustentável de Refrigerantes

Torben Funder-Kristensen, da Danfoss, abriu o segundo dia falando sobre as vantagens da combinação do CO2 em refrigeração e aquecimento, também em relação à água sanitária, muito usada em supermercados. Falou também sobre a recuperação do calor. “Muitos usuários compram sistemas somente para refrigeração, não pensam em usar o calor. Se considerarmos os sistemas de CO2 funcionando em condições normais podemos ter a relação de calor acima de 65 ºC, que podemos obter se instalarmos um trocador de calor que o absorva. São oportunidades que devem ser usadas”, comentou.

Frank Amorim, representando o MMA - Ministério do Meio Ambiente, falou sobre o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs - PBH. Esse programa define duas fases: 1ª Fase: congelamento da substância em 2013 e redução de 10,0% em 2015; na 2ª Fase: redução de 35% em 2020, 67,5% em 2025, 97% em 2030 e redução total em 2040. É um cronograma para países em desenvolvimento. Foram destinados para o Brasil quase US$ 20 milhões que estão sendo implementados com a ajuda do PNUD e do GIZ. O PBH está atuando também em Ações Regulatórias como a publicação da IN IBAMA Nº 14. Ela cumpre com metas estabelecidas pelo Protocolo de Montreal. Está sendo feito um controle da importação de HCFC's de 2013 a 2015 e serão reduzidos 6,6% de HCFC - 22 e 32,37% do HCFC - 141b. Outro ponto importante é a Revisão da Resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) Nº 340 que trata de cilindros, mas segundo Amorim ela está defasada, pois o seu foco é o CFC.

O IBAMA está fazendo um trabalho de aprimoramento dessa resolução para possibilitar uma fiscalização mais forte contra vazamentos e emissão de substâncias na atmosfera. Outro trabalho realizado pelo PBH é contra a Regulamentação da Importação e Produção de Produtos contendo HCFC's. "Estamos fazendo projetos no Brasil para eliminar o R22; não há sentido em importar equipamentos. Possivelmente teremos que elaborar uma resolução Conama", comenta. O PBH e o PNUD, estão unidos para eliminar o 141b (cosumo de 168,8 t PDO - Potencial de Destruição da Camada de Ozônio). O Protocolo de Montreal destinou mais de US$ 15 milhões para esse trabalho. O objetivo é a conversão tecnológica de aproximadamente 400 empresas, divididas em 32 projetos. Para um debate entre empresários têm sido apresentadas substâncias como hidrocarbonetos, a base de água, formiato de metila, metilal, e HFO's. A própria empresa executa a conversão, sendo reembolsada pelos projetos. No setor de serviços é preciso eliminar 51,5 toneladas de HCFC-22. O orçamento para esse projeto é de cerca de US$ 4 milhões e a agência implementadora é a GIZ. O objetivo do PBH é capacitar 4.800 técnicos de refrigeração para aplicação de boas práticas na refrigeração comercial (supermercados) e 100 para refrigeração doméstica (slipts); assistência técnica e realização de cinco projetos demonstrativos de contenção de vazamentos de HCFC-22 (supermercados); e implantação de sistemas de documentação, monitoramento e armazenagem de dados para o controle de consumo de fluidos frigoríficos.

O vice-presidente de Meio Ambiente da Abrava, Paulo Neulaender, falou a respeito de Tendências de Desenvolvimento do Mercado de Refrigerante. Neulaender abriu a sessão fazendo uma pequena critica a mão de obra no país: "nossos técnicos, na prática, ainda são obsoletos. Mas teremos que conviver com isso ainda mais 20 anos. Segundo o palestrante, a situação do R-22 é bem mais complicada do que parece. Em agosto de 2013, o preço do R-22 era de R$ 15,00 kg, um ano depois esse valor passou para R$ 35,00. "Quando falamos em eliminar o R-22, a quantidade de usuários é enorme. Para solucionar isso precisamos de 10 a 15 anos, no mínimo. Impossível fazer isso em menos de cinco anos como estabelece o Protocolo de Montreal. Não terá gás suficiente, mão de obra, filtro e compressor. Não há como suprir um mercado desse tamanho do dia para a noite. Em relação ao R-22, o que nos preocupa é o que acontecerá a partir de 2019", comentou.

Norberto dos Santos, presidente do DN Comércio da Abrava, abordou sobre a Recuperação, Reciclagem e Reaproveitamento no Brasil: Tecnologia e Opções. A dúvida é o que fazer com o gás retirado. "É recolhido muito pouco e a maior parte se perde. O Ministério do Meio Ambiente, através do IBAMA, tenta fazer com que as pessoas façam a destinação correta", comenta Santos. As empresas não utilizam os procedimentos adequados. Um ponto importante enfatizado durante a palestra foi em relação à quantidade de gases que são destinados a reciclagem. "Uma empresa leva para reciclagem apenas 200 gramas, não podemos deixar de atendê-los, caso você não atender sabemos qual o destino. Se formos avaliar quanto já foi entregue para as Centrais, infelizmente esse número é muito baixo. É interessante saber que existe um retorno para as empresas que fazem essa regeneração (pode receber o gás de volt ou vender)" argumenta Santos. O PNC - Plano Brasileiro de Eliminação dos CFC's trouxe inúmeras vantagens em relação a essas questões discutidas no Seminário, como, por exemplo, parceria entre Governo e iniciativa privada; treinamento aproximando de 20 mil profissionais do setor; treinamento de fiscais do Ibama; montagem de cinco centrais de regeneração; distribuição de duas mil recolhedoras; distribuição de 350 máquinas de reciclagem no setor automotivo; montagem, no território brasileiro, de 120 unidades de recicladoras de pequeno porte; e bolsas recolhedoras. A figura 10 mostra o processo de reciclagem de um fluido.

Arthur Ngai, da DuPont, explanou  sobre Fluidos Refrigerantes HFC's e HFO's Alternativos ao R-22. "O HFC é uma tecnologia consolidada, e a questão do GWP é algo que está sendo muito discutido no mundo inteiro. A Europa está mais adiantada, pois já possui uma regulamentação. A probabilidade de o Brasil ter um processo parecido é grande. Muito provavelmente os HFC's ajudarão nesse processo de mudança para um futuro, uma tecnologia muito melhor", afirma Ngai. Em relação aos HFO's há uma quantidade enorme de produtos, como mostra a figura 8. Para cada aplicação haverá uma fluido refrigerante diferente, mais eficiente e mais adequado.  O HFO 1234yf é muito parecido com o R134a, mas com Baixo GWP; possui um flúor em sua molécula, uma dupla ligação no carbono.

Representando a Arkema, Glenn Haun falou Como Escolher o Refrigerante Retrofit. "O refrigerante de substituição é uma solução permanente, a longo prazo para um novo equipamento; o retrofit é temporário, a curto prazo, é um refrigerante usado para servir uma unidade existente, mas ela é diferente da unidade que foi desenhada, então pode-se requerer um hardware, mudanças de óleo e otimização", explica Haun.

Encerrando o Seminário, Marcos Gregório da Silva, coordenador Técnico do SENAI falou sobre Educação e Capacitação. A Escola SENAI "Oscar Rodrigues Alves", localizada na cidade de São Paulo (SP) é especializada em climatização e refrigeração e desenvolve inúmeros treinamentos rápidos. Os conceitos teóricos são alicerçados em normas, manuais de fabricantes e literaturas de autores e institutos de renome. São aulas práticas de instalação, manutenção e operação de máquinas e equipamentos da área de refrigeração e climatização. A escola possui diversas parcerias com empresas ligadas ao setor e que colaboram com a disseminação de procedimentos e culturas para a aplicação de boas práticas.

Charles Godini

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