Automação
Mão de obra e operação na automação
Componentes e profissionais capacitados
postado em: 26/02/2015 12:57 h atualizado em: 26/02/2015 13:03 h
Mercado ainda encontra profissionais pouco familiarizados com as alternativas de automação predial
(crédito: Arquivo Nova Técnica)

Para Gilberto Machado, da Pro Air, este mercado ainda é demasiadamente carente de mão de obra capaz e especializada, principalmente na execução.

“É necessário para formar a mão de obra neste setor a conscientização de todos os fabricantes, usuários, instaladores, integradores, construtoras, etc. e, principalmente, dos investidores, além de criar programas de capacitação e treinamento através das associações, a Abrava, por exemplo, utilizando os DNs – Departamentos Nacionais - e know-how de fabricantes”, informa.

Igor O. Nakamura, da Honeywell, acrescenta que o mercado deve investir muito na formação de profissionais mais qualificados para este setor.

“Atualmente poucas escolas possuem cursos específicos para formar profissionais capacitados, mesmo assim é pouco diante da necessidade atual de edificações com automação. A Honeywell possui um programa de treinamento contínuo e de reciclagem para todos os integradores das nossas linhas de negócio. Assim como mantemos parceria com as mais diversas escolas técnicas e universidades, a fim de que possamos levar os conceitos e treinamentos “hands on” para os alunos daquela instituição. Um ponto a destacar é que em 2015 inauguraremos o programa de treinamentos “in company” para instaladores e usuários finais que desejam se aprofundar e ter mais conhecimentos sobre sistemas automáticos/ integrados. Para uma operação em campo, acreditamos que o funcionário deva ter oportunidade de conhecer a fundo os produtos que sua empresa utiliza, obtendo treinamento e certificação do próprio fabricante”, orienta Nakamura.

Nesta questão da operação de sistemas, Sergio Guedes, Felipe Altafim e Paulo Américo dos Reis, da VL-Sauter, dizem que esta é uma responsabilidade do integrador e geralmente não é um ponto que preocupe, pois o suporte pós-venda, além do período de operação assistida, sempre orienta a equipe até que operação atinja a velocidade de cruzeiro.

“Em alguns casos, cabe um novo treinamento, sobretudo quando há uma troca na equipe. Quanto a formação de mão de obra especializada, poucas são as escolas que formam profissionais do setor e a maioria direciona a sua formação para a área de automação industrial. Este profissional pode ser utilizado na área de AVAC, mas requer uma adequação sob o ponto de vista termodinâmica. A equipe VL tem condições de adequar a formação dos profissionais da área industrial para a área predial, com foco em AVAC. Acreditamos que entidades educacionais como o SENAI possam contribuir de forma expressiva na formação destes profissionais. Baseado nisto, desenvolvemos um curso de Automação de AVAC, que está em fase final de negociação com a direção do SENAI e deve formar profissionais capacitados para este segmento”, informam.

Maurício Constantino Afonso, da Wago, chama a atenção para o problema de formação insuficiente de mão de obra: “Atualmente ainda encontramos projetistas elétricos muito pouco familiarizados com as alternativas de automação predial, o que acaba dificultando a adaptação de um projeto que não considera a automação já na sua concepção. Acredito que o interesse pela formação de mão de obra especializada em automação predial deveria ser objeto de envolvimento de todos os participantes do mercado da construção civil: proprietários de empreendimentos, construtoras, escritórios de projeto e engenharia, integradores e instaladoras, arquitetos e também os fabricantes de equipamentos como climatização e ar-condicionado, iluminação, CFTV, controle de incêndio, etc. A Wago Eletroeletrônicos realizou diversas apresentações e treinamentos na área de automação predial. Somente em 2014 foram treinados mais de 100 profissionais entre usuários finais, projetistas e instaladores, com destaque aos integradores de sistemas. A peça chave para a correta instalação e adequado funcionamento das soluções de automação predial é o integrador de sistemas. Desta forma, acredito que este deve ser o foco das ações de treinamento e desenvolvimento dos fabricantes de equipamentos de automação”.

A Johnson Controls também possui programas de treinamentos, disponíveis em vários locais do mundo, com o principal objetivo de formação de mão de obra especializada, com conceitos de processos mecânicos e elétricos, conceitos de tecnologia e treinamentos constantes.

Rodrigo Miranda, sócio-diretor comercial da Mercato Automação, acrescenta que não existe um único motivo que leve a automação a ter problemas de funcionamento, mas sim, alguns e dentre eles cita quatro: Falta de definição do projeto/conceito; aplicação errada de produtos; falta de qualificação da mão de obra de execução; e falta de fiscalização.

“Em muitos casos no setor de AVAC, encontramos projetos apenas com o esboço ou um breve descritivo do sistema de automação, sem detalhamento e sem descritivo funcional para aquela aplicação desejada. Isso normalmente ocorre porque o cliente não contrata um projeto específico para o sistema de controle e solicita ao projetista/consultor do sistema de AVAC que apenas indique um mínimo de automação ou coloque uma pequena orientação; ou mesmo quando se tem um projeto específico para automação, ainda pode ter problema com a aplicação errada dos produtos. Na prática o instalador/integrador não seleciona corretamente o produto comprometendo a performance e o desempenho do sistema por culpa de uma falta de avaliação das características ou até mesmo para reduzir custo sem considerar os critérios técnicos corretos. Um outro fator importante, e que é muito relevante no nosso atual cenário, é a carência de mão de obra qualificada. Esta carência resulta em instalações de baixa qualidade e principalmente sem a utilização básica de normas e conceitos que são pontos básicos nas boas práticas da engenharia. As empresas estão com bastante dificuldade em encontrar profissionais com boa qualificação em sistemas de automação no mercado. Com tudo isso, em muitas instalações as empresas de execução ficam livres para executar e alterar projeto, não seguindo o conceito e as especificações de projetos iniciais que foram concebidas levando em considerações vários fatores da instalação e da vida útil do sistema,  e isso é muito frequente quando o cliente final não contrata um profissional para fiscalizar se a instalação esta de acordo com o projetado. Acredito que os fabricantes estão mais preocupados em comercializar os produtos ao invés de criar um trabalho de especificação em projetos e treinamentos de instalação e execução. Se faz necessário que invistam mais tempo nesses fatores para obter bons resultados na implantação e operação da automação. A Mercato tem realizado treinamentos de produtos específicos e direcionados as necessidades do usuário, tanto na sede para grupo de empresas, como nos próprios clientes”, informa Miranda.

Componentes e evolução do mercado

Os periféricos como válvulas, controladores e sensores são essenciais, uma vez que as operações são viabilizadas pelos instrumentos de campo, tanto para coleta de dados quanto para comando de dispositivos. É importante que estes sejam de alta qualidade e de origem confiável, e desenvolvidos para sistemas de AVAC-R.

“Estes componentes são essenciais para a automatização de qualquer sistema, é por meio deles que a inteligência eletrônica conversa e interage com os diversos subsistemas da edificação. Além disso, o lançamento de novos produtos e equipamentos para uso em automação predial tem sido praticamente constante. Somente neste ano lançamos o controlador BacNet IP, controlador BacNet MSTP, módulo Master DALI, módulos para medição de energia trifásicos, sensores de presença/luminosidade em rede, novos bornes (conectores) para cabos de secção até 185 mm², etc. Além dos lançamentos de itens de hardware mencionados acima, também temos criado continuamente novos blocos e aplicativos de programação visando atender necessidades específicas dos clientes”, informa Afonso.

Para Guedes, Altafim e Américo, componentes de primeira linha certamente dão mais confiabilidade ao sistema, bem como elevam a vida útil do mesmo: “Podemos citar os equipamentos de automação que merecem destaque como os atuadores universais que, em função do fechamento dos seus contatos, atuam de forma on/off, proporcional ou floating; válvulas 3 vias ou 2 vias: o mesmo corpo de válvula atende às necessidades de válvulas 2 ou 3 vias, bastando remover um selo da 3ª via, quando necessário; válvula água fria ou água quente, onde a mesma atende os dois circuitos. Todos os recursos citados permitem uma redução no estoque dos integradores ou no almoxarifado do cliente final, quando se fala em peças de reposição. Além disso, alguns fabricantes oferecem solução com WEB Server no seu parque de hardwares. Este WEB Server permite a programação das telas e dispensa a compra de um supervisório, sobretudo para os casos de conforto. Caso o cliente final permita uma porta de acesso à internet, o acesso ao sistema pode ser feito remotamente de qualquer lugar do mundo”.

Nakamura acrescenta que os dispositivos de campo são necessários para efetuar a leitura das variáveis, realizando uma determinada ação para manter o sistema funcionando normalmente, fornecendo um feedback legível para o operador do sistema. Resumindo, estes dispositivos são responsáveis por sentir as condições locais e após a análise da programação, efetuar uma determinada ação de manutenção ou correção de uma forma automática, rápida e eficiente, independendo de qualquer intervenção humana que acarretaria em ineficiência e aumento de mão de obra de operação.

“A evolução dos componentes nestes dois últimos anos foi exponencial, uma vez que os periféricos de campo estão com mais tecnologia embarcada e memória de armazenamento. Assim, a performance dos sistemas está cada vez mais alta, maior velocidade de tráfego de informações, mais precisão de leitura e execução e menor necessidade de engenharia em campo, uma vez que muitos dispositivos utilizam a tecnologia Plug and Play. Uma das principais evoluções, pelo menos em ar condicionado, é a padronização da linguagem de comunicação (Bacnet), dando a liberdade aos mais diversos dispositivos de campo, ou até mesmo marcas do mercado, serem unificados e integrados independentemente do momento, local ou quantidade de pontos a serem automatizados na edificação.  Já o hardware evoluiu de maneira que temos controladores menores, com mais capacidade de processamento/ armazenamento e com menor custo, viabilizando as antigas necessidades que o mercado descartava devido aos altos valores apresentados. Quanto ao software, evoluiu ao permitir as integrações com os outros sistemas, uma maior interface com a WEB e ao fornecer recursos gráficos mais modernos para os operadores. Um grande exemplo de evolução da automação com a interface WEB é a possibilidade de gerenciar todas as edificações e sistemas através de um dispositivo qualquer, como smartphone, tablet, etc.”, conclui Nakamura.

Ana Paula Basile Pinheiro

Editora da revista ABRAVA+Climatização Refrigeração

anapaula@nteditorial.com.br

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