Arquitetura
Novas tecnologias ajudam na redução do consumo de água
Empresas investem em soluções sustentáveis
postado em: 07/05/2015 17:38 h atualizado em: 15/05/2015 11:56 h

Hoje, no mercado, existem centenas de novos produtos eficientes e tecnológicos que ajudam na economia de água e na crise hídrica. Segundo a professora associada do Departamento de Engenharia de Construção da Poli-USP - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Lúcia Helena de Oliveira, as indústrias brasileiras desse setor se destacam em todos os sentidos no mercado mundial. Na linha de louças, a indústria brasileira é reconhecida pela qualidade das bacias sanitárias economizadoras de água que são exportadas para países como, Chile, Estados Unidos, Canadá, Angola e alguns países da Ásia. A linha de metais também. "A evolução da qualidade dos componentes hidráulicos é resultante da organização do setor por meio do PBQP-H - Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, que verifica a qualidade dos produtos com auditoria nas unidades fabris das empresas participantes e na aquisição de amostras de empresas não participantes em revendas de todo o país. Esta ação do governo federal vem resultando em melhoria da qualidade e produtividade de materiais e componentes. É importante ressaltar que essa estratégia formal para a melhoria da qualidade e combate à informalidade dentro de programas setoriais do PBQP-H mobiliza parte fundamental da cadeia produtiva nacional, e é única no mundo. Para que o emprego dessas tecnologias seja mais disseminado devem ser propostos incentivos econômicos e também campanhas educativas de como e onde empregar essas tecnologias. Só o emprego de tecnologias não basta. Elas devem ser mantidas adequadamente e o usuário deve estar conscientizado de como utilizá-la. Não resolve o chuveiro ter baixa vazão se o usuário aumentar o tempo de banho", comenta Lúcia Helena.

"A construção civil é um dos braços do processo de conscientização para o uso inteligente da água. Ela traz inovações para o mercado com o objetivo de otimizar essa relação das pessoas com a água, além de sugerir uma mudança de comportamento com tecnologias que garantem o armazenamento eficiente da água, garantindo qualidade de vida e saúde para as famílias. A indústria e a construção civil continuam desenvolvendo soluções completas para viabilizar essa economia, como cisternas para captar água de chuva, caixas d'água, tanques, filtros e purificadores e válvulas boia". Eduardo Lorena, engenheiro de Especificações da Acqualimp.

Na construção civil muitos produtos já são fabricados pelo processo de reciclagem; edifícios são projetados para economizar energia; entre outras iniciativas. "No Brasil, ainda existe uma resistência cultural muito grande para a aceitação de novas tecnologias, como, por exemplo, a construção a seco, que possui o Steel Frame e o Drywall como referências. O que conhecemos como construção convencional, tem por característica o consumo de grande volume de água em seu processo. Esta realidade é quase que exclusivamente brasileira, pois em outros países, os processos construtivos estão em maior estágio de evolução, e, este é um ponto que merece muita atenção, pois existem ótimas alternativas. Abrir as portas e a percepção para novas tecnologias é uma necessidade latente, que merece incentivo da indústria da construção e dos órgãos governamentais, mas, principalmente do engajamento dos profissionais técnicos da construção enquanto especificadores de produtos e sistemas em projetos", explica o arquiteto e gerente de Marketing e Administração de Vendas da Divisão Técnica da Eternit, Gabriel Pontes Júnior.

Em relação ao sistema de setorização ou individualização do consumo de água, a gerente de projetos da Tesis Engenharia, Priscila Mercaldi, alerta: "Eles não impactam diretamente sobre o consumo. Porém, tendem a induzir o usuário a ser mais cauteloso na utilização, pois permitem o acompanhamento do consumo de setores ou unidades de uma edificação".

Novas tecnologias

Atentas para as necessidades que a escassez de água abre para o mercado, empresas desenvolvem produtos, equipamentos e tecnologias. Abaixo, algumas soluções que podem auxiliar na gestão dos recursos hídricos.

A empresa Hydro Z, especialista em soluções para o tratamento de efluentes e captação de água da chuva, possui o sistema Ampere - Reciclador de Água. Ele permite o reúso da água em ambientes de lavagem automotiva ou da água proveniente de máquinas de lavar roupas. O sistema está disponível em um único modelo, com capacidade para tratamento de mil litros de água por hora. "Entre os principais diferenciais está o fato do equipamento não adicionar produtos químicos ao processo de tratamento, eliminando operações perigosas. O equipamento também conta com uma central de automação, permitindo que tratamento, limpeza de componentes internos, e retro lavagem do sistema de filtragem, sejam realizados automaticamente", explica a gerente de marketing da empresa, Solange Zeppini. Outro sistema da empresa Hydro Z é a E.T.E. - Estação de Tratamento de Esgotos. É uma solução que permite realizar o tratamento apropriado para efluentes sanitários e que pode contar, em sua configuração, com a possibilidade de adicionar componentes para reutilizar a água. O equipamento modular conta com componentes que podem ser dimensionados para atender demandas que vão de 20m³ até 80m³ por dia. Possui tecnologia flexível e robusta, permitindo manter o alto desempenho de tratamento mesmo diante das diversas variações nas características do efluente que está sendo tratado. Outro benefício é a automação do sistema, que tem todas as suas atividades geridas por um painel, eliminando necessidade de um operador constantemente.

Especializada em armazenamento e tratamento de água, a Acqualimp lançou este ano, na Feicon Batimat, a Cisterna Prática Acqualimp. É uma cisterna para uso residencial.  É feita de polietileno e se parece com um vaso. Capta de 210 a 300 litros de água. Ela também é acoplada à calha da casa. Segundo Lorena, outro produto que ajuda e evita qualquer possibilidade de vazamento, gerando uma grande economia ao longo dos anos, é a Válvula Boia. Possui um sistema de fechamento por êmbolo, permitindo a vazão de fluxo total e a regulagem de inclinação da boia sem a necessidade de amassar a haste.

A Eternit, com atuação nos segmentos de louças, metais para cozinha e banheiro e componentes para sistemas construtivos, oferece ao mercado as Placas Cimentícias - produzida com uma mistura homogênea de cimento Portland e fios sintéticos, através da tecnologia CRFS (Cimento Reforçado com Fio Sintético) - e Perfis de aço para construção em Steel Framing (construção a seco) baixíssimo consumo de água em sua produção. A empresa possui também o Painel Wall, que pode ser utilizado como parede ou como laje seca. Aplicado por parafusos, também elimina a utilização de água. "No que se refere a equipamentos, temos as bacias com caixa acoplada e acionamento dual flux (3 ou 6 litros); para a linha de metais sanitários, temos também a Linha Etermatic, com fechamento automático, e grande parte da linha com acionamento por ¼  de volta, auxiliando o usuário a não deixar a torneira pingando. Enquanto processo produtivo, possuímos as Telhas de Fibrocimento, produzida por um método de filtragem que possui 100% de reaproveitamento de água em seu processo produtivo", explica Júnior.

O grupo Astra, formado pelas marcas Astra, Japi e Integral, possui diversas opções para a gestão de recursos hídricos. O mecanismo de descarga com acionamento duplo (de 3 e 6 litros) é uma delas, além de ser compatível com todos os tamanhos de louças existentes no mercado. O chuveiro EcoAir é outra opção. Um sistema que mistura ar com água, permitindo uma redução de até 25% no consumo de água. Desenvolvido com crivo em ABS cromado e braço em latão, pode ser encontrado nas versões quadrado e redondo. O Sistema Ecotok, exclusivo da Japi, também é outra novidade. Transforma qualquer torneira de mesa metálica convencional em uma torneira acionada por toque. Possui também sistema regulável para fechamento automático da torneira, que pode ser programado para 4, 8, 30 ou 60 segundos. O sistema pode ser utilizado em qualquer tipo de torneira.

Charles Godini <charles@nteditorial.com.br>

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