Ar condicionado
Qualidade do ar interior e ambiente saudável
Operação e manutenção beneficia a empresa e ocupantes
postado em: 18/05/2015 15:02 h atualizado em: 18/05/2015 17:52 h
A exemplo do Cenesp - Centro Empresarial de São Paulo, intervenções programadas mantêm os equipamentos em condições de funcionamento
(crédito: Cenesp)

Tema do Painel “Operação e manutenção de sistemas de ar condicionado”, evento realizado no dia 27 de março último, na sede da Abrava, em São Paulo, o conteúdo abordado pelos palestrantes na ocasião está transcrito ao longo deste Especial de Qualidade do Ar Interior, onde Arnaldo Lopes Parra, presidente do DN de Manutenção e Instalação da Abrava, discorreu sobre a aplicação do PMOC – regulamentos e exigências éticas; Leonardo Cozac, presidente do Qualindoor da Abrava, falou sobre o controle da qualidade do ar de interiores, citando alguns exemplos de caso. Cristiano Mantovani, diretor tesoureiro da Abrafac, relatou sobre a operação e manutenção de sistemas – dificuldades e obstáculos na visão do usuário; André Castilho, representante da COVISA/Gerência de Vigilância em Saúde do Trabalhador, explanou sobre a fiscalização para a garantia da qualidade do ar interno em ambientes laborais e exemplificou alguns casos; e Ademir Amaral, gerente operacional da superintendência de fiscalização do CREA-SP, discorreu sobre a ação fiscalizadora do CREA, rede de responsabilidades técnicas e fiscalização pela web.

Mesmo que a passos lentos, a operação e manutenção de sistemas para ambientes climatizados nunca se esgota e é notória a evolução de tecnologias para garantir a qualidade do ar interior, como também as normas e legislações em vigor relativas a QAI.

Porém, dificuldades são apontadas por profissionais da área no que se refere ao PMOC – Plano de Manutenção, Operação e Controle, e a principal é a falta de conhecimento.

O PMOC é um processo que visa documentar que tanto as rotinas de manutenção são executadas quanto a qualidade do ar de interiores se encontra dentro dos parâmetros estabelecidos na RE 09 da Anvisa e demais normas. Assim, a principal dificuldade que se encontra para a correta aplicação do PMOC é o desconhecimento das leis pelas partes envolvidas, tais como o cliente final e o prestador de serviços.

Já para a operação e manutenção do sistema, as principais dificuldades são relacionadas com a disponibilização da mão de obra especializada e motivada, tão necessária e importante para o sucesso da prestação do bom serviço de manutenção preventiva e corretiva dos sistemas.

“A grande dificuldade que nos deparamos é com a falta de conhecimento por parte do usuário final, que ainda não conseguiu distinguir a necessidade de ter um Plano de Manutenção, Operação e Controle de seus sistemas de ar condicionado. Os processos de manutenção ainda são vistos, em muitos casos, somente como um custo, e não como um processo que visa assegurar o bom funcionamento dos sistemas, preservar a boa qualidade do ar de interiores e, por consequência, aumentar a longevidade dos equipamentos protegendo assim o patrimônio do investidor/proprietário. Soma-se a isso, a fiscalização do PMOC por parte dos órgãos competentes, que ainda não atingiu sua plenitude, o que, de certa forma, reduz o risco de uma autuação do cliente final. Temos sem dúvida avançado neste quesito, com diversas ações por parte das coordenadorias da Anvisa e Prefeituras. A fiscalização oficial tem aumentado, à medida que a qualidade do ar de interiores tem se mostrado muito importante para a saúde dos ocupantes dos ambientes. Existe todo um interesse da Saúde Pública neste assunto, e as empresas têm sido orientadas para a importância tanto da manutenção eficiente, quanto à necessária regularização do processo do PMOC. Ainda estamos muito longe de atingir o nível técnico ideal para nossa mão de obra para a manutenção. Existem diversos esforços neste sentido, mas temos percebido que muitas empresas contratam funcionários sem o menor conhecimento na área de ar condicionado, para atuar como técnicos ou mecânicos, o que acaba rebaixando a credibilidade das empresas de modo geral. Contamos com o Senai e diversas Escolas Técnicas pelo Brasil, além de diversos cursos promovidos por entidades, tais como a Abrava”, aponta Arnaldo Lopes Parra, presidente do DN Manutenção e Instalação da Abrava e diretor da Pósitron Engenharia.

Arnaldo Parra, presidente do DN Manutenção e Operação da Abrava

 

Para Guilherme Francisco Botana, responsável técnico Ductbusters Engenharia, considerando o fato de que muitos usuários de programa de manutenção preventiva e corretiva com aplicação de PMOC não possuem conhecimento técnico sobre sistemas de ar condicionado, alguns apresentam no início certa dificuldade para entender que a aplicação do PMOC como indicado na norma visa criar conceito de manutenção preventiva, isto é, manter os equipamentos em boas condições de operação, realizando as intervenções indicadas no mesmo.

“Dificilmente hoje, quem solicita os serviços deixa de ter conhecimento das leis, portaria e resoluções que podem resultar em multas para os próprios. Talvez a principal dificuldade para aplicação do PMOC é a ideia, ainda de muitos usuários de sistemas climatizados, de que serviços de manutenção somente devem ser pedidos e realizados a fim de consertar equipamentos que apresentem problemas de funcionamento. É a ideia de que manutenção significa somente conserto daquilo que não esteja funcionando adequadamente. Ainda falta para muitos o real conceito de manutenção que deve ser considerada como aplicação de um programa capaz de através de intervenções adequadamente programadas mantendo os equipamentos em condições de funcionamento durante todos os períodos, possibilitando detectar as causas de mau funcionamento ou funcionamento inadequado dos mesmos com antecedência. A correta aplicação do PMOC permite também manter os ambientes com a qualidade do ar de interiores dentro de parâmetros normatizados, contribuindo desta forma também para o bem estar dos usuários destes ambientes”, explica Botana.

Daniel Dinana, diretor da Systech, acrescenta que quando se toma como referência usuários com pouco ou nenhum conhecimento sobre um sistema de climatização, torna-se um trabalho árduo convencê-los da importância e da real necessidade do PMOC que, dentre outras funções, mantém a eficiência e a garantia do equipamento e saúde aos usuários. Contudo, quando tratado com usuários com certo conhecimento, a maior dificuldade é em relação aos preços propostos para a manutenção preventiva e corretiva.

“Se considerarmos a quantidade de PMOC que se fazia há alguns anos e compararmos com os dias atuais, há muito mais hoje sendo elaborado e executado que antigamente. Isso se deve, principalmente, por três motivos: um aumento da procura por sistemas de climatização dentro dos padrões de QAI aceitáveis; sua obrigatoriedade - o critério recomendado pela resolução da Anvisa RE 9/03 é realizar medidas ambientais a cada 6 meses, porém, a Portaria MS nº 3.523/98 recomenda que a verificação do estado de manutenção seja feita pelo responsável técnico que deve também determinar a periodicidade da inspeção e limpeza através do PMOC; e por último a consciência sustentável, onde conseguimos através dos planos de manutenção mantermos os equipamentos funcionando adequadamente com alto rendimento e baixo consumo energético.”

Parra compartilha da mesma opinião: “Existem importantes avanços na área de manutenção de ar condicionado. Temos uma melhor definição dos processos, através de normas, e com a obrigatoriedade disposta na Portaria 3.523, e Anvisa RE 09. A fiscalização tem auxiliado muito no processo de conscientização do cliente final, que está passando de ver a área de manutenção como somente um componente de custo, para um componente necessário tanto para a qualidade do ar interior, como fator de eliminação de riscos laborais no ambiente de produção. Um PMOC em dia, de acordo com a legislação, é fator preponderante para evitar reclamações trabalhistas quanto ao ambiente de trabalho”.

 

Responsável técnico determina a periodicidade da inspeção e limpeza através do PMOC

 

 

Ele acredita que os primeiros passos neste sentido já foram dados, com a Portaria 3.523.

“A Qualidade do Ar de Interiores é um produto que deve ser adequadamente oferecido ao cliente final, com demonstrações econômicas que levem a uma reflexão sobre as vantagens de oferecer um ambiente saudável e produtivo para os ocupantes do local.  Vários estudos apontam no aumento de eficiência das pessoas, melhoria da atenção, e diminuição de problemas respiratórios em geral. Em paralelo, uma fiscalização eficiente, técnica e ágil, irá contribuir para esta conscientização. As agências governamentais atuando com vigor, irão muito contribuir para a boa qualidade do ar, de forma que o proprietário do estabelecimento deverá seguir as regras existentes, e em consequência direta e imediata, a manutenção dos níveis de poluentes em seus limites, melhora significativamente o desempenho nas atividades laborais, de estudo etc. Sistemas automatizados, com o avanço da tecnologia, permitem uma integração total dos insumos que oneram a operação de um edifício, tais como energia e água. Com a possibilidade de medição mais precisa desses custos, decorre um controle mais efetivo também, como na definição “medir para controlar”. Especialmente em momentos de economia mais fragilizada, as atenções se voltam para a minimização de custos, e ter uma manutenção bem feita ocasiona uma grande economia tanto de energia, como também de água para os sistemas de arrefecimento com água”, revela Parra.

Alexandre Fontes Lara, diretor da A&F Partners Consulting, é taxativo ao dizer que a maior dificuldade tem sido a falta de cultura e de uma visão mais ampla da própria direção das empresas.

“Digo isto porque entendo que a orientação terá de vir de cima, da alta direção, o que não ocorre. Existem de fato alguns fatores aqui no Brasil que não contribuem para o avanço deste segmento do setor, sendo eles na minha visão o desconhecimento do tomador/contratante sobre os serviços que contrata, assim como sobre as implicações de uma inadequada manutenção em suas instalações; o enfraquecimento dos processos de equalização técnica em processos de concorrência, deixando de assegurar com que tenhamos comparações reais entre propostas de mesmo nível, com o mesmo escopo e abrangência; o fortalecimento da tomada de decisão por preço; o acanhamento das empresas fornecedoras de serviço, no sentido de que se limitam hoje à orçar apenas o que lhes é pedido, sem orientar, sem questionar e sem propor diferenciais; a falta de uma maior visão por parte da direção destas empresas fornecedoras, que em sua maioria não detém a cultura de planejamento e controle da manutenção, ou melhor, não possuem uma Engenharia de Manutenção; gestão falha ou “míope” se preferirem, pois não monitora o que deve ser monitorado, tornando-se muito lenta na correção de problemas; e por fim, a falta de uma fiscalização efetiva e eficaz por parte dos órgãos normativos e legais, o que acaba por tornar ainda mais difícil o aculturamento de nossos profissionais”, informa Lara.

Para ele quase nada avançou desde 1998, quando da introdução da obrigatoriedade do PMOC.

“Continuamos a ter instalações muito mal mantidas, mal operadas e em pleno processo de deterioração e decrepitude, justamente pela má manutenção. Para se ter ideia, durante estes últimos 15 anos de atuação nas áreas de consultoria e auditoria em processos de Operação & Manutenção, geralmente realizadas em edificações comerciais de grande porte, me deparo com a seguinte condição para cada 10 edifícios comerciais auditados (em sua operação e manutenção), entre 01 e 02 edifícios apresentam uma manutenção minimamente adequada e com algum controle; até 01 edifício apresenta a aplicação de conceitos de gestão mais modernos, incluindo alguns conceitos da engenharia de manutenção; até 02 edifícios utilizam melhor sistemas de gestão informatizada da manutenção, apesar de estarem ainda geralmente longe do ideal; entre 08 e 09 edifícios não possuem manuais de operação, ou mesmo algum conjunto de especificações claras que possam ser empregadas no treinamento das equipes; nenhum edifício dos 10 avaliados apresenta alguma política de retenção do conhecimento; entre 05 e 08 edifícios vistoriados possuem situações críticas identificadas em suas instalações; entre 01 e 03 edifícios apresentam alguma forma mais consistente de avaliação de performance para as atividades de manutenção contratadas Ou seja, passados 17 anos desde a publicação da Portaria 3.523 do Ministério da Saúde, ainda parece que estamos engatinhando na modalidade de manutenção. Agora, esta situação ainda turbulenta não ocorre somente na área predial, pois temos observado alguns indicadores que também nos assustam quando o assunto se restringe à área industrial. Em alguns dos mais recentes números publicados pela Abraman – Associação Brasileira de Manutenção, ainda estamos atuando muito nas modalidades de preventiva e corretiva, deixando de desejar nas áreas de Planejamento, Controle e Engenharia de Manutenção. Observa-se na Figura 1, que mesmo no segmento industrial ainda atuamos muito mais na Preventiva e na Corretiva Não Planejada, o que pode representar um custo maior na última linha. Sem tratarmos os fatores que elenquei, será muito difícil avançarmos nesta questão”, diz o diretor da A&F Partners Consulting.

 

Mão de obra e responsabilidade técnica

Segundo Lara a mão de obra recrutada pelas empresas de operação e manutenção vem através de agências e de indicações.

“A grande questão passa a ser a qualidade desta mão de obra, pois não vemos mais investimentos por parte das empresas em treiná-la, assim como também observamos um mercado altamente demandante e com um curtíssimo tempo de espera por resultados. Ou seja, trabalha-se menos (ou muito rapidamente) nos processos de seleção e trabalha-se muito pouco no processo de capacitação destes jovens. Primeiramente, acredito que a conscientização do mercado poderá contribuir muito, mais especificamente no que se refere aos contratantes e gestores das empresas fornecedoras de serviço. Volto a dizer que as medidas terão de vir de cima para baixo. Em segundo lugar, vejo como necessário uma melhor capacitação de nossos gestores no quesito qualidade, que não só envolve um melhor controle dos trabalhos desenvolvidos, como também no acompanhamento mais qualitativo e não só quantitativo das atividades e resultados. Vemos hoje o desconhecimento de riscos, e não me refiro apenas aos riscos legais, mas também, aos riscos à própria saúde e produtividade dos ocupantes em uma edificação, além da baixíssima qualidade nos trabalhos prestados. Além de alguns números já informados, muitos edifícios estão gastando mais do que previam, ou mesmo do que imaginam. A não utilização da engenharia de manutenção e a visão “míope” de alguns gestores fazem com que gastem mais energia, tenham mais mão de obra do que precisam, paguem multas por ultrapassagem em seus limites contratados junto às concessionárias e sejam ainda obrigados a investir valores expressivos na recuperação ou na renovação de seu patrimônio. Não podemos esquecer de que uma O & M sob o controle eficaz de seu gestor será uma riquíssima fonte de informações para a eventual tomada de decisões quanto a novos investimentos. No entanto, considerando também os números informados pela Abraman, ainda trabalha-se muito na simples conservação de equipamentos e sistemas, sem que um foco ou uma preocupação maior com o seu desempenho seja notada”, revela Lara.

Parra diz que a mão de obra especializada (técnicos em geral), é obtida através da formação em escolas técnicas, tanto nos níveis médios, como até superior (Tecnólogo e Engenheiros).

“O esforço de nosso setor é constante, tanto na formação, quanto no aprimoramento da mão de obra. O SENAI representa o melhor modelo até agora, com cursos específicos (Senai Oscar Rodrigues Alves, no Ipiranga), além de outras boas escolas que também oferecem cursos extensivos. A especialização ocorre também depois da base obtida seja em Senai, ETEC, FATEC e Universidades. Para os técnicos, existem vários cursos livres, de menor duração, oferecido tanto pelo Senai, quanto outras escolas. A Abrava mantém também regularmente, diversos cursos que abordam os principais temas importantes para nosso setor, tais como cursos de projetistas, PMOC, Manutenção, Distribuição de Ar, etc. Outra forma de recrutar a mão de obra é a contratação de auxiliares e aprendizes, com pouca ou nenhuma experiência, e efetuar o treinamento dentro da própria empresa, desta forma passando ao iniciante, as informações mais importantes para o cargo planejado. Ainda estamos muito longe de atingir o nível técnico ideal em  nossa mão de obra para a Manutenção. Existem diversos esforços neste sentido, mas temos percebido que muitas empresas contratam funcionários sem o menor conhecimento na área de Ar Condicionado, para atuar como Técnicos ou Mecânicos, o que acaba rebaixando a credibilidade das empresas de modo geral. Contamos com o Senai e diversas Escolas Técnicas pelo Brasil, além de cursos promovidos por entidades. Especificamente para a aplicação do PMOC, é necessário um Responsável Técnico de acordo com os termos do CREA. Muitas vezes o próprio engenheiro tem dúvidas em como apresentar o PMOC de modo a cumprir as premissas legais, e para isto a Abrava mantém curso específico para o assunto, com participação presencial ou online, via Web Conference”, informa Parra. 

 

Cristiano Mantovani, diretor tesoureiro da Abrafac

 

Ele acrescenta que o mercado de ar condicionado tem crescido de forma consistente nos últimos anos, porém as escolas técnicas nos diversos níveis não tem acompanhado esta demanda.

“Existe necessidade de formação de mão de obra, assim como necessidade de reciclagem e atualização dos técnicos já formados há alguns anos. Incentivos fiscais para as empresas, e criação de mais cursos para a área de ar condicionado em escolas atuais e novas, será extremamente vantajoso para o setor, e principalmente para o consumidor. Para o nível de engenharia, a formação técnica adquirida na Universidade já é adequada para a responsabilização pela manutenção mecânica dos sistemas, porém para gestão da qualidade do ar, é necessária uma formação específica em Engenharia de Segurança do Trabalho, ou as especialidades de um Engenheiro Químico ou Sanitarista”.  

Dinana acrescenta que infelizmente, assim como na maioria dos setores, está cada vez mais difícil encontrar mão de obra qualificada e que acompanham as tendências de mercado seja por novos equipamentos, exigências e parâmetros normativos e resoluções do Ministério do Trabalho.

“Hoje é mais fácil capacitar um colaborador do que encontrar novos colaboradores gabaritados no mercado. Deveriam ser ofertados mais cursos técnicos no período noturno e maior incentivo das empresas para aperfeiçoamento dos funcionários”.

Botana diz ainda que um curso de 160 horas não é suficiente para formação de um mecânico.

“Nossa equipe geralmente é formada por um técnico com credenciamento no CREA. A responsabilidade técnica de engenharia para sistemas de ar condicionado, de acordo com resolução do CONFEA e CREA é afeita a Engenheiro Mecânico. Dentro da área de engenharia mecânica existem cursos de aperfeiçoamento para a área de refrigeração e ar condicionado capazes de melhorar o conhecimento e desempenho destes profissionais na área. Há inclusive cursos de pós-graduação ministrados por escolas de renome para esta área. A mão de obra especializada pode ser recrutada no mercado com a contratação de técnicos formados já experientes. Pode-se conseguir o recrutamento de técnicos recém-formados nas Escolas SENAI e também incentivar funcionários da empresa que já trabalham como ½ Oficial a frequentar estes cursos e a se aperfeiçoar tecnicamente”, explica Botana.

Em relação às responsabilidades técnicas e órgãos fiscalizadores, Ademir Alves do Amaral, gerente operacional/superintendência de fiscalização do CREA-SP, diz que o mercado de ar condicionado deve se atentar aos normativos existentes, manter sempre em seu quadro, profissionais técnicos que serão os responsáveis pelas atividades desenvolvidas, dirimindo riscos à sociedade.

“A Abrava nos auxiliará na divulgação da Legislação e na conscientização junto ao mercado de ar condicionado da obrigatoriedade de registro neste Conselho, na necessidade de profissional no quadro técnico, bem como denunciando empresas que estejam atuando no mercado de forma clandestina. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo é o Conselho responsável pela fiscalização do exercício das profissões da área tecnológica, verificando, orientando e fiscalizando o exercício profissional com a missão de defender a sociedade da prática ilegal das atividades abrangidas pelo sistema CONFEA/CREA. As empresas de refrigeração devem estar registradas no CREA-SP e possuir, pelas atividades desenvolvidas, um ou mais profissionais da área tcnológica como Responsável Técnico. O projeto, instalação e manutenção de todo e qualquer aparelho de refrigeração deve ter o acompanhamento e a responsabilidade de um profissional competente. Esta responsabilidade se concretiza quanto do registro, pelo profissional, da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento obrigatório nas atividades de Engenharia e Agronomia. Projeto e execução de instalações inadequadas, a operação e a manutenção dos sistemas de climatização precários, favorecem a ocorrência e o agravamento de problemas de saúde. Sistemas de ar condicionado projetados, fabricados, instalados ou mantidos sem os conhecimentos técnicos necessários e normas de segurança, implica em inúmeros riscos ás pessoas”, orienta Amaral.

Ele diz ainda que o CREA tem como finalidade a defesa da sociedade procurando assegurar o uso adequado do conhecimento e da tecnologia. O Conselho fiscaliza empresas de refrigeração verificando registro, corpo técnico e as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), o que indica os profissionais responsáveis pelos serviços técnicos.

 

Ademir Amaral, gerente operacional da superintendência de fiscalização do CREA

 

“Aquelas que forem detectadas em funcionamento sem registro e sem a presença de corpo técnico para se responsabilizar pelas atividades, serão notificadas e, em caso de não cumprimento à notificação, autuadas, conforme Leis nº 5194/66 e 6496/77. O exercício desta atividade é da competência dos profissionais da área de engenharia mecânica. Diante da preocupação mundial com a Qualidade do Ar de Interiores em ambientes climatizados e a ampla e crescente utilização de sistemas de ar condicionado no país, em função do aquecimento global. A preocupação com a saúde, o bem-estar, o conforto, a produtividade e o absenteísmo ao trabalho, dos ocupantes dos ambientes climatizados e a sua inter-relação com a variável qualidade de vida. A qualidade do ar de interiores em ambientes climatizados e sua correlação com a Síndrome dos Edifícios Doentes relativa à ocorrência de agravos à saúde
dos ocupantes, em face da permanência prolongada em ambientes climatizados. Todos os sistemas de climatização devem estar em condições adequadas de limpeza, manutenção, operação e controle, observadas as determinações previstas na Portaria 3.523GM, visando a prevenção de riscos à saúde dos ocupantes. O CREA vem focando a fiscalização de forma intensiva junto as empresas que atuam na área de projetos, fabricação, instalação, manutenção e inspeção de sistemas de ar condicionado. Os órgãos fiscalizadores possuem respaldo nas seguintes leis: Lei n.º 6.496 de 07.12.77, instrumento legal de regulamentação profissional complementar, que instituiu a Anotação de Responsabilidade Técnica na prestação de serviços de Engenharia, estabelecida nos artigos 1º e 3º; Lei n.º 6.839 de 31.10.80, instrumento legal de âmbito geral, que dispõe sobre o registro de empresas nas entidades fiscalizadoras do exercício profissional; Lei n.º 8.078 de 11.09.90, instrumento legal de âmbito geral, que instituiu o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, em seus artigos 2º, 3º, 12, 39, 50, 55 e 66; no Decreto-Lei 90922/85, que define as atribuições dos Técnicos de Segundo Grau. Já as Resoluções do Sistema Confea/CREA são: 1025, de 2009, que dispõe sobre a Anotação de Responsabilidade Técnica - ART e o Acervo Técnico Profissional; 336, de 27.10.89, que dispõe sobre o registro de pessoas jurídicas nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; 218, de 29.06.73, que discrimina as atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, da Arquitetura e Agronomia. A Resolução 176 da ANVISA que define Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em Ambiente Climatizado e define "ambiente climatizado" como espaços fisicamente determinados e caracterizados por dimensões e instalações próprias, submetidos ao processo de climatização através de equipamentos. Decisões Normativas do Confea n.º 042 de 08.07.92, do CONFEA, que dispõe sobre a fiscalização das atividades de instalação e manutenção de sistemas condicionadores de ar e de frigorificação e a Portaria 3.523/GM do Ministério da Saúde publicada no D.O.U. de 31/08/98 que define o Regulamento Técnico para Manutenção de Componentes de Sistemas de Climatização e institui o PMOC – Plano de Manutenção, Operação e Controle e define como ambiente climatizado os ambientes submetidos a processo de climatização”, finaliza Amaral.

Normas e Legislações para referências

Nacionais

NBR 16.401/08 – Projetos de Ar Condicionado

NBR 16.401 – Sistemas de ar condicionado e ventilação - Projetos de ar condicionado

NBR 14.679/01 – Sistemas de condicionamento de ar e ventilação – Execução de serviços de higienização

NBR 15.848 - Sistemas de ar condicionado e ventilação - Procedimentos e requisitos relativos às atividades de construção, reformas, operação e manutenção das instalações que afetam a Qualidade Do Ar Interior (QAI)

Portaria 3.523/98 do Min. da Saúde

Resolução 09/03 da ANVISA

NBR 13.971 - Manutenção programada

Internacionais

- Ashrae Standard 62.1-2010 – Ventilation for Acceptable Indoor Air Quality

- Indoor Air Quality Guide Summary Guidance (gratuito)

- Standard 189.1-2009 (Standard for the Design of High-performance, Green Buildings)

 

 

Ana Paula Basile Pinheiro - Editora da revista ABRAVA Climatização+Refrigeração

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