Perfil
José Carlos Felamingo
Sócio diretor da Union Rhac, conduziu sua carreira para eficiência energética e cogeração de energia
postado em: 26/05/2015 10:20 h atualizado em: 08/06/2015 15:51 h

Nascido em São Paulo, formado em 1974 em engenharia pela FEI – Faculdade de Engenharia Industrial, Felamingo foi um dos alunos da turma do Professor Remi Benedito Silva. 

“Entrei na FEI em 1972, e nossa turma era formada por doze colegas. Conclui os cursos de engenharia operacional, modalidade ar condicionado, em 1974 e de engenharia mecânica modalidade produção, em 1978. Também conclui o curso de engenharia de segurança do trabalho, pela Escola de Química Osvaldo Cruz, em 1979, sou bacharel em teologia pela Faculdade Dehoniana de Taubaté, em 2014. Meu primeiro estágio de engenharia foi na Anemotérmica, atuando na fábrica por cerca de dois anos e, posteriormente, fui para o escritório atuando na área de orçamentos. Depois estagiei na Gema, e na Sigmaterm, onde fui contratado pelo Medela já como auxiliar técnico e não mais estagiário, fiquei de 1974 até 1977, quando resolvi buscar novos horizontes”, conta Felamingo.
Em janeiro de 1978 ele ingressou na Itauplan, onde permaneceu por quatro anos.
“Fizemos uma turma de engenharia de segurança do trabalho na Osvaldo Cruz, éramos 20 engenheiros e uma engenheira, praticamente todos da Itauplan. Trabalhei no Itaú alguns anos e em duas etapas, a primeira, quatro anos, sai e fui para a Natron, onde participei do projeto da Alcoa, na fábrica do Rio Grande do Norte. Depois convidado fui trabalhar na Air Conditioning, onde trabalhou por cerca de 14 anos e realizou inúmeras obras importantes. Nessa época também participou e colaborou no início da Smacna, sendo o gerente técnico e afirma que trata-se de uma entidade que faz parte do coração, além da participação do Chapter Brasil da Ashrae também na sua implantação”. 
Da Air Conditioning deu início a Union Rhac, que já completou 23 anos de existência.

Um dos fundadores da Abesco, Felamingo se dedica ao mercado energético brasileiro

A energia é o caminho

“No começo a Union Rhac ainda fazia projetos e instalações para climatização, pois ainda a cogeração de energia era pouco aceita pelo mercado. Me envolvi com entidades que tratavam do assunto como a já extinta Agência para a Aplicação da Energia, em São Paulo, com o Procel, no Rio de Janeiro, e através de pessoas com os mesmos objetivos, em 1997, fundamos a Abesco – Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia. Nesta época, éramos 15 associados representando as empresas inseridas com o intuito de promover projetos e ações para o crescimento do mercado energético brasileiro. Quem me ajudou a fazer o estatuto social da Abesco foi o Dr. Osmar Silva, tendo por base o da Smacna. A sede da Abesco funcionava na própria Union Rhac e permaneceu por lá quase seis anos, posteriormente, mudando-se para a Fiesp. Na primeira gestão, o Reginaldo Vinhas era o presidente, eu o vice, o professor José Moreira integrava a diretoria e muitos outros associados. Na Union Rhac me dediquei a fazer estudos de eficientização energética, e digo que foi uma fase muito difícil. Fizemos um trabalho de formiguinha, até que apareceram as primeiras obras de cogeração. Hoje contabilizamos 41 plantas de cogeração e neste ano devemos concluir mais cinco plantas. Os são financiados por empresas parceiras que investem e passam a ser proprietárias da instalação por um longo período de tempo. A Union Rhac faz toda a engenharia e implantação do sistema, podendo também operar a planta de cogeração. Trabalhamos utilizando o conceito de BOT – Build Operate Transfer, uma forma de financiamento onde o usuário final não investe, mas um terceiro, que passa a ser o dono da instalação por longo anos dentro da casa do cliente”. 
Felamingo cita, entre várias obras de cogeração que realizou, da rede Sonda Supermercados, Shopping Taboão, Rochavera Corporate, Edifício Parque Iguatemi, Ceaser Park Guarulhos; obras dedicadas à recuperação de energia, como a planta da Owens Corn, que reaproveita o calor da chaminé e faz 14% do frio utilizado na fábrica, a planta da Coca Cola em Itabirito, inclusive com o aproveitamento do CO2 segregado da combustão do ar e gás natural para envase do refrigerante.

“Atualmente, com a demanda de energia e falta de recursos hídricos, o mercado progrediu e tem sido extremamente receptivo a investir em plantas de cogeração. Num momento onde diversos segmentos estão preocupados com a falta energia, nós estamos fechando vários negócios voltados à geração de energia “in site”. Hoje posso dizer que temos um portfólio cobiçado e temos experiência nisso. Eu sempre acreditei que ninguém vive no mundo moderno sem energia. É partindo dessa premissa que acredito em nosso negócio. Recentemente, fechamos com a Ecogen a obra do Energy Center da Mercedez Bens, em Iracemapolis, interior de São Paulo. Trata-se de um anexo da planta industrial, separado da fabrica, com energia elétrica gerada no próprio local, parte da energia através da concessionária de energia elétrica local, o gás natural da Comgás e a água através do fornecimento da adutora da cidade. O Energy Center irá gerar água gelada, água quente, energia elétrica, ar comprimido, além da água de incêndio”.
Hoje a Union Rahc possui cerca de 100 funcionários, e três divisões. Ao todo são seis sócios.

Ceaser Park - Guarulhos - SP: Cogeração com 395 kWe / 676 TR

Shopping Tabão da Serra - SP: 
Cogeração com 2.000 kWe / 792 TR

Castello Branco Office Park - Barueri - SP: 1.250 kWe a Gás Natural

 

Na homenagem a Heitor Faria (esquerda) e Antonio Mariani (ao fundo) pela XII Região do chapter da ASHRAE

Fé e superação

“Em 2010 fui pego de surpresa ao receber um diagnóstico de linfoma. Raras vezes fui acometido por qualquer tipo de doença, e desde o dia que a minha medica homeopática me orientou a procurar um oncologista, contei com o apoio da minha família e amigos. Durante todo o período de tratamento intensivo nunca deixei de trabalhar, com exceção nos dias de quimioterapia quando era obrigado a fazer repouso. Cresci muito nos quatro anos de tratamento, perda de cabelo, inchaço, até a doença regredir e enfim a cura. Hoje, vejo que existem pessoas que passam coisas muito piores que eu passei. Me sinto privilegiado por ter tido a graça de me recuperar e voltar a vida normal, faço o que posso cada vez mais para ajudar as pessoas, e me sinto grato por tudo que recebi. A superação veio através da minha fé e da oração da minha família e amigos. Cultivar orquídeas, hobby antigo que tenho, também fez parte desse processo. Todos os dias, dedico 10 minutos para as minhas orquídeas, antes de sair para trabalhar! ”, conta Felamingo.
E eu, finalizo essa entrevista me sentindo privilegiada em contar essa história!

Ana Paula Basile Pinheiro

anapaula@nteditorial.com.br

Compartilhe essa matéria !
Deixe seu Comentário !


Seu nome:
 
Seu e-mail:
 
Mensagem:




Comentários