OPINIÃO
Vox Populi, Vox Dei......Rádio Peão
Provar é o problema!
postado em: 08/09/2015 12:14 h atualizado em: 09/09/2015 10:18 h

O adágio “Vox populi, Vox dei”, que indica que o que o povo comenta tem sempre certo cunho de verdade, poderia ser traduzido, no nosso meio, como “rádio peão”.

Tenho notado e acompanhado que, para as coisas que ocorrem mundo afora, notícias e informações que vão circulando de boca em boca apresentam sempre um alto cunho de veracidade com baixa possibilidade de serem provadas.

Como estou na estrada há um bocado de tempo, já ouvi muitas estórias, como aquela que na construção de Brasília caminhões com a mesma carga de areia ou pedra passavam várias vezes pela mesma portaria, que um amigo de um amigo faria desaparecer débitos ficais com uma módica contribuição de vinte por cento e que era muito fácil alguém se aposentar sem nem nunca ter trabalhado.

Certa vez, e não há muito tempo, me indicaram determinado escritório político onde eu, certamente, conseguiria apoio para ganhar uma obra que me interessava.

Nunca me interessei por facilidades porque, como advogado não por ocasião, mas por vocação e crença absoluta no direito, sempre achei que o que se faz de errado aqui, um dia a Justiça descobre. Pode até não punir exemplarmente, mas isso já seria outra estória. 

Provar é o problema

Mesmo com eventuais desvios e aparentes sucessos de alguns que do nada se tornaram gente importante, continuo crente no direito e na justiça, embora sabedor da imperfeição do homem quer cidadão comum quer agente público.

A nossa “rádio peão” é ativa, certeira em seus comentários e até às vezes um pouco ácida, não tem sede própria nem comentaristas contratados.

Qual a razão que tanto a “Vox populi” como a “rádio peão” tem ficado ao longo dos tempos apenas nos comentários e nunca terem conseguido ações efetivas?

A falta da comprovação do fato, a prova de forma robusta e inegável.

Como é difícil provar algo!

Alguém disse que determinado produto não será aceito em determinada obra porque alguém encontrou algo diferente.

Alguém resolve desclassificar o projetado e apresenta variações e essas variações são aceitas por alguém que tem interesse não sabemos no que nem em quem e tudo fica assim.

A “rádio peão” noticia o fato, mas a coisa morre.

Porque os projetos de climatização são muitas vezes modificados?

Porque os sistemas “BIM” a mais nova e avançada técnica de projetar que tomei conhecimento, e outros existentes, não conseguem exigir os procedimentos projetados?

Escritórios de projetos e projetistas do nosso setor tenho a pretensão de conhecer quase todos.  Podem me escapar alguns, talvez nascidos mais recentemente.

Projetistas

Profissionais respeitáveis e respeitados, muitos com dezenas de anos de trabalho e dedicação.

Executam o que julgam o correto.  Buscam as soluções mais viáveis e adequadas para cada caso.

Qual a razão que o projetado, quando na época de execução, vira letra morta em muitas ocasiões?

Quem ganha e quem perde com isso?

Com toda certeza, o ser humano, este pobre coitado perde em todas.

Perde nos hospitais, se os sistemas de automação e filtragem projetados virarem letra morta na execução, perde a vida, como na Boate Kiss, se sistemas de exaustão de fumaça virar letra morta, perda quando trabalhador num ambiente sem a adequada taxa de renovação de ar. Tenho me manifestado sobre a importância de projetos de engenharia.

Nota-se visível inquietação nessa área. A “rádio peão” já está noticiando. 

Globo News

A grande imprensa está se interessando pelo assunto.

O futuro Presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Engenheiro Pedro Celestino Pereira bradou sobre o assunto no programa de Mário Sergio Conti na Globo News.

A OAB/SP está se fazendo presente. Encontraremos um caminho? Os projetos de engenharia são protegidos por lei. São muitas as disposições legais sobre o assunto e em 2012 elaborei trabalho a respeito que disponibilizei e disponibilizo a quem se interessar e me solicitar. 

Corpus Mechanicum

- “Projetos e esboços de engenharia e arquitetura, os mais usuais, são resultado de grande esforço intelectual, seja em termos de criatividade, seja de demorados cálculos e medidas de modo a se adaptarem ao espaço que os limita. Só existem na medida em que se apóiem num “corpus mechanicum” sobe o qual incide a proteção autoral” - Direitos do Autor e Direitos Conexos, Eliane Y. Abraão – Editora do Brasil. 

O projetado deve permitir discussões responsáveis

Será preciso, porém, que exista forma e entendimento para que possam ocorrer apresentações de possíveis novas interpretações ao projetado, para que este não se apresente engessado, com cara de dirigido, coibindo soluções inovadoras. 

O solicitante deve assumir, entretanto, de forma escrita e clara, todos os ônus, riscos e responsabilidades pelo que está propondo. Este assunto merece ampla discussão e espero que o DN Projetistas a inicie. 

 

Sidney de Oliveira

OAB/SP e diretor da TAO Tecnologia

sidaosp@terra.com.br

Compartilhe essa matéria !
Deixe seu Comentário !


Seu nome:
 
Seu e-mail:
 
Mensagem:




Comentários