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Empresa comemora três décadas e anuncia mais ampliações
A história da Full Gauge Controls confunde-se com as dos seus diretores
postado em: 08/09/2015 12:57 h atualizado em: 09/09/2015 10:16 h
Os diretores, Flávio Perguer e Antonio Gobbi
(crédito: Full Gauge Controls)

A história dos diretores e sócios da Full Gauge Controls, Antonio Gobbi e Flávio Perguer, vem de muito antes da fundação da empresa; ambos passaram por Petrobras e Varig, mantendo ótimas relações de amizade

Para Antonio Gobbi, natural de Canoas, Grande Porto Alegre, a paixão pela eletrônica surgiu aos seis anos de idade. Na infância fazia seus próprios brinquedos, conversava com técnicos da vizinhança e, tão logo aprendeu a ler, passou a estudar sobre o assunto. Às brincadeiras de rua, preferia absorver conhecimentos de eletrônica através de leituras na sala da casa da família. "Quando a gente gosta muito de alguma coisa não sentimos as dificuldades", diz. Para Perguer, nascido em Caxias do Sul (RS), não foi diferente. "Eu era uma criança muito curiosa. Meu irmão fazia um curso de eletrônica, então comecei a ler os livros que ele usava. O resto foi consequência", diz.

Aos 17 anos, Gobbi ingressou na Companhia Aérea Rio-Grandense, a lendária Varig. Perguer, que trabalhara de torneiro mecânico e soldador no Estaleiro Só, em Porto Alegre, também ingressou na Varig aos 19 anos. Ambos no setor de instrumentação aviônica. Era o ano de 1973. "A Varig foi uma grande escola, pois fazíamos cursos internos de aprofundamento na parte de elétrica, eletrônica e inglês técnico para ler os manuais que vinham do exterior, pois naquela época era proibido fazer tradução desse tipo de material", explica Perguer.

Em 1978, Gobbi entrou na Petrobras e foi trabalhar com automação de processos, no setor de instrumentos. Permaneceu por cinco anos. Antes, Perguer já se transferira para a estatal petrolífera. "Quando trabalhava na Varig fiz concurso para a Petrobras, passei em segundo lugar. Não demorou para que eles me chamassem para trabalhar, mas eu gostava da Varig e optei por ficar lá mais alguns meses. Comecei na Petrobras em 1977 e lá trabalhei na área de instrumentação por nove anos e meio", diz Perguer. 

Em janeiro de 1984, Gobbi transferiu-se para a Coldex Frigor, ficando até fevereiro de 1986, quando saiu para incrementar a Full Gauge, criada pelos dois sócios um ano antes, em 1985. "Já havíamos registrado a empresa, então passei a trabalhar em tempo integral. Em maio de 1987, Flávio, que também trabalhou na Petrobras, saiu da empresa e começou a trabalhar exclusivamente na Full Gauge", comenta Gobbi.

O interesse pela área de refrigeração nasceu desde os tempos de Petrobras. Em suas horas de descanso, estudava e lia sobre o assunto. A ida para a Coldex Frigor só fez aumentar o interesse. Trabalhando no DPI - Departamento de Projetos e Instalações, Gobbi passou a observar o dia a dia do setor e constatou que os termostatos mecânicos, mesmo sendo de boa qualidade, eram importados, fazendo com que o produto se tornasse mais caro. "Por serem mecânicos não tinham muitos recursos e naquele momento pensei: ‘será que dá para fazer alguma coisa com preço competitivo, com qualidade, mas com muito mais recursos, por ser eletrônico?’. Convidei o Flávio e começamos a fazer os primeiros projetos, foi onde começou a Full Gauge Controls", explica Gobbi.

Antonio Gobbi e Flávio Perguer, em comemoração aos 15 anos da Full Gauge

Sempre na caminhada

O começo foi em uma garagem de 14 m². "Começamos bem pequenos, mas como dominávamos a área, transferir a tecnologia para o setor de refrigeração não foi difícil. Tivemos muito trabalho, mas não pela questão técnica e sim pelos desafios do dia a dia", diz Gobbi. Em maio de 1988 saíram da garagem e foram para uma casa. Entre 2000 e final de 2001 concluíram a construção do atual prédio administrativo, com 400 metros em cada um dos três andares. Em 2007, foi concluída a primeira etapa do atual edifício da produção.

Hoje, a empresa ocupa seis mil metros quadrados de área construída. Há dois anos foi adquirida uma área junto a atual sede, com 22 metros de largura por 44 de comprimento. "O novo prédio vai ser conjugado ao existente e acrescentará cerca de 5.000 metros às atuais instalações.

O início não foi tão fácil. Gobbi, mais inclinado para as áreas de vendas e marketing, visitava o maior mercado do país buscando criar o conceito em torno dos produtos da empresa. Da época, Perguer comenta, em tom de brincadeira, que na volta de cada viagem perguntava para o sócio pelos resultados. “A resposta era sempre: ‘muitos contatos’. E eu pensando que muitos contatos eram esses!”

Pouco a pouco os resultados surgiram. Das visitas aos mercados de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Nordeste, e algumas cidades da Região Sul, foram consolidando clientes. O esforço conduziu à liderança de mercado.

Gobbi não se considera um vendedor. "Sou técnico industrial, e quando conversava com um cliente usava nossos produtos e falava em termos técnicos; assim, eu entendia o cliente e conseguia resolver o seu problema e, em consequência, a venda acontecia", explica.

Frasista, arremata: “Ainda não chegamos a lugar nenhum, estamos sempre na caminhada.”

Segunda fábrica

Ampliação do atual prédio administrativo

A empresa, com seis mil m² de área construída

A evolução dos produtos

Na sociedade existe uma complementaridade. Perguer dedica-se mais ao desenvolvimento de produtos, enquanto Gobbi dedica-se ao marketing e vendas. Em relação à evolução da linha de produtos, não faz segredo. “"Procuramos ouvir o cliente, tentando entender a sua necessidade. A partir disso, transferimos para o mercado o conhecimento que temos, já na forma da solução que atenderia esse mercado. Acredito que o fato de termos começado na aviação criou uma maneira de pensar e de agir que nos deixa sempre insatisfeitos com aquilo que fazemos. Essa exigência que temos sobre o nosso trabalho foi fundamental para continuarmos a desenvolver continuamente o nosso produto. Sempre melhorando os recursos que temos disponíveis e a qualidade deles, numa busca contínua pela excelência. Percebemos há muito tempo que, quanto mais durar, muito mais iremos vender. A chave está em conversar, conhecer, ouvir e resolver; consequentemente, os negócios vão acontecendo e evoluindo”, explica Gobbi. Uma filosofia que fez com que, em maio de 2005, a empresa estabelecesse em dez anos a garantia de fabricação de toda a sua linha.

Também desta filosofia de conversar, ouvir e buscar entender as necessidades do mercado, nasceu, em 1997, um produto inovador: o software Sitrad. A ferramenta desenvolvida pela Full Gauge permite gerenciar à distância instalações de refrigeração, aquecimento, climatização e aquecimento solar.

Mesmo atingindo a maioridade, o Sitrad continua evoluindo, recebendo sempre novos recursos. Ele avalia, configura e armazena, continuamente, dados de temperatura, umidade, tempo, pressão e voltagem, e envia alarmes permitindo a modificação dos parâmetros de operação dos instrumentos com total segurança e precisão, de qualquer lugar do mundo, via internet, através do computador ou celular. "É completo sem ser complexo. Precisamos considerar a capacidade de entendimento do usuário final, pois muitos não são técnicos e nem engenheiros, e tampouco profissionais das grandes redes de varejo, mas os próprios proprietários de padarias, minimercados etc., enfim, empreendedores que precisam saber operar e tirar proveito desse software. Ele está no mundo inteiro e em diversas línguas”, enfatiza Gobbi. O Sitrad é disponibilizado gratuitamente.

O mercado internacional

Uma das primeiras empresas brasileiras a buscar o mercado externo, a Full Gauge expõe em inúmeras feiras ao redor do mundo. "Nossa opção por procurar o mercado mundial foi muito bem pensada. A gente corre riscos quando não conhece o mercado ou uma determinada área. Não saímos gastando fortunas, mas, pouco a pouco, começamos a montar e estruturar o setor de comércio exterior. Isso foi em 2001. Começamos a estudar, entender e tratar o assunto em um trabalho contínuo, independentemente do valor da moeda. Expomos, de forma independente, na AHR Expo, nos EUA, desde janeiro de 2001, sem falhar uma edição. Na Alemanha participamos desde 1999; na China, aproximadamente dez anos. Além de eventos em países como México, Colômbia, África do Sul, Argentina, Chile, entre outros. Exportamos para mais de 50 países. Estamos crescendo bastante no mercado externo. A nossa exportação, em contínuo crescimento, hoje está em torno de 50% do nosso faturamento", informa Gobbi.

A Full Gauge é uma empresa 100% nacional. Possui patentes internacionais de vários recursos e produtos. Muitas das máquinas da empresa são robotizadas. Hoje, são mais de 300 funcionários trabalhando em diversos setores. "Não demitimos ninguém em relação à crise que o Brasil está passando, pelo contrário, até contratamos mais", comenta Gobbi.

Uma engenharia de produto muito bem estruturada soma-se ao pessoal de engenharia de aplicação, que realiza treinamentos ao redor do mundo. "Nós dominamos tecnologias interessantes na área eletrônica, então, migrar e conduzir essa tecnologia absorvida para outras áreas não é algo tão difícil, por isso a refrigeração continua sendo uma grande parte do nosso mercado. Uma parte desse montante vai para o setor de aquecimento solar, o controle de energia elétrica, entre outras".

Segundo Gobbi, o dia a dia sempre traz novos desafios. " Eu e o Flávio trabalhamos sempre um complementando o outro, e, assim, produzimos melhor. Possuímos visões diferentes, então sentamos e conversamos, chegando a um denominador comum. Temos a mesma origem técnica, mas no dia a dia eu cuido mais da parte comercial e de marketing e o Flávio nas áreas técnicas, como produção e desenvolvimento".

Primeira FEBRAVA, em 1992

FEBRAVA 2013

Paixões

Em 2006 Gobbi considerou ser necessário encarar novos que desafios. Fez um curso de piloto de helicóptero e, logo após, comprou uma aeronave de dois lugares. Há dois anos trocou  por outra de quatro lugares. E já está de olho em um maior. Flávio prefere navegar, gosta de sair de lancha pelo Guaíba. Um gosta do ar e o outro do mar.

Gobbi possui outra paixão, a fabricação de vinhos. Começou produzindo junto com um antigo colaborador. Com o tempo, adquiriu uma pequena vinícola na cidade de Farroupilha (RS). "Investi na construção de um prédio, comprei equipamentos modernos e montei um laboratório de análises e acompanhamento contínuo", explica. O vinho está no mercado, divulgado no boca-a-boca. São produzidos aproximadamente 75 mil litros por ano. Entre eles o Cabernet Sauvignon, Merlot, Moscato Giallo, Moscatel, Chardonnay, entre outros. A vinícola possui duas marcas, a Rigon e a Gobbi. "É um hobby saudável, e é bom ver as pessoas contentes e satisfeitas ao degustar o nosso vinho", ressalta.

 

Por Ronaldo Almeida <ronaldo@nteditorial.com.br> e Charles Godini <charles@nteditorial.com.br> 

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