Arquitetura
A informação começa no projeto
Ar condicionado tem se mobilizado para difundir o conceito
postado em: 16/09/2015 15:52 h atualizado em: 18/09/2015 11:12 h

O sistema Building Information Modeling (BIM) é uma promissora ferramenta para que arquitetos e engenheiros modelem digitalmente os diferentes elementos de um edifício (forma, estrutura, aquecimento/arrefecimento, custos, materiais etc.) em tempo real e rapidamente compreendam como mudanças específicas em modelos de projeto ou de construção terão impacto sobre outras variáveis, como a estrutura, cargas, eficiência energética e orçamento final.  

A Abrava – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, através do seu Departamento Nacional de Projetistas e Consultores, vem tentando disseminar o conceito do BIM, no entanto, o uso da ferramenta ainda encontra resistência para a nova forma de construção virtual.

Para Roberto Montemor Augusto Silva, membro do Comitê Editorial da revista Abrava- Climatização+Refrigeração, participante do DN Projetistas e diretor da Fundament-Ar, o DNPC tem se mobilizado para difundir o conceito. 

Shopping RioMar Presidente Kennedy: CORREDOR

Shopping RioMar Presidente Kennedy: MALL

Shopping RioMar Presidente Kennedy: SHAFT

“Trata-se de uma linguagem diferente de desenho, não apenas uma simples mudança de plataforma. A informação começa no projeto, e vai se consolidando e agregando novos detalhes a cada passo. Por exemplo, a instaladora agrega mais informações no projeto executivo; futuramente, tudo isso será usado para a manutenção: “você vai clicar lá em um bloco de um ?chiller?, por exemplo, e vem todas as informações dele, todo o catálogo técnico, é uma informação que está toda agregada. Mas, por exemplo, algum fabricante de componentes de difusão de ar ainda não tem uma biblioteca no Brasil, então que biblioteca nós vamos usar para boca de ar? E não adianta pegar qualquer biblioteca, a americana até tem alguma coisa, na Inglaterra também, mas é no padrão inglês. Algumas empresas, por exemplo, de apoio de ?software?, pegam os projetos de ar-condicionado, hidráulica e elétrica que ainda não têm essa biblioteca e tentam passar em blocos inteligentes para poder pelo menos fazer uma simulação em 3D. Por isso a necessidade de uma biblioteca montada, com nível de desenvolvimento compatível com cada uma das etapas. Eu penso que o setor de AVAC-R tem a oportunidade de fornecer referenciais ao mercado, entidades irmãs e órgãos do governo, organizarmos fóruns para a troca de informações e dúvidas, com controle da produção. O DNPC da Abrava disponibiliza uma plataforma de compartilhamento da biblioteca BIM, e chamo todos a participarem no desenvolvimento de modelos”, diz Montemor.

Ednaldo Costa, diretor da Techna, diz que são três grandes desafios para implantação da plataforma BIM em projetos de sistemas prediais: o alto investimento em software e hardware corretamente dimensionado para rodar projetos de grande porte; o tempo necessário para desenvolvimento de bibliotecas específicas para os sistemas prediais, principalmente instalações elétricas, tendo em vista que poucos fabricantes disponibilizam bibliotecas de seus produtos; e a dificuldade de alguns clientes e escritórios de arquitetura e estrutura em aderirem à tecnologia BIM.

“Nossa empresa utiliza o Autodesk Revit, com resultados satisfatórios no quesito de identificação e solução de conflitos entre as disciplinas, facilitando também tomadas de decisão. Escolhemos este por haver uma melhor aceitação e utilização no mercado, além de possuir mais recursos para projetos de instalações. As principais vantagens para projetistas e instaladores no desenvolvimento de projetos no sistema BIM são maior precisão na identificação de conflitos na fase de projetos, maior quantidade de elementos gráficos para melhor interpretação dos projetos, levantamentos quantitativos mais precisos, menor custo com aditivos durante a execução da obra”, informa Costa.

BIM – modelo de projeto do Shopping RioMar Fortaleza 

Francisco Dantas Filho, diretor da Interplan Planejamento Térmico Integrado, cita como exemplo o projeto para um Shopping, na zona oeste do grande Recife, dentro do conceito de modelagem.

 “Você pode trabalhar com o BIM em vários níveis. Digamos que esse nível que fizemos seria o nível mais básico, onde você irá ver os espaços ocupados e as consequentes interferências com outras instalações. Não seria o nível mais complexo, onde você tem entidades mesmo, por exemplo, o duto, e ali você terá a construção dele, que material ele é composto, uma especificação dos itens, e sim, parte de volumetria das instalações. As compatibilizações do projeto foram executadas a partir dos projetos das várias disciplinas, e modelaram cada projeto desde a arquitetura, instalações, gerando um relatório de interferências para cada disciplina e suas adaptações, onde o BIM foi o instrumento de compatibilização”, afirma Dantas Filho. 

Com isso, segundo o diretor da Interplan, foi possível identificar os erros. A partir de um nível de tolerância admitida foi feita a análise, colocados os parâmetros no programa, e observou-se a quantidade de interferências existentes. Caso a caso foram identificadas as interferências e um relatório foi gerado. “O relatório impresso mostrou certa quantidade de interferências. A partir disso, nós identificamos que interferências foram essas. Por exemplo, no caso do shopping, observamos interferência, pois o duto que liga na viga fria, para condução do ar primário, era um duto rígido; se fizemos isso com um duto flexível, conseguimos minimizar, e eliminamos várias interferências, mas isso só foi possível porque tinha um relatório identificando que a maioria dos problemas estava nesse detalhe simples”, explica. 

Dantas Filho acredita que se o projeto tivesse adotado a modelagem desde o início e ido a fundo no nível mais sofisticado do programa, por exemplo, a parte de materiais, de equipamentos dessa biblioteca, o nível de precisão alcançado teria sido bem mais alto. “Era um projeto que tinha um financiamento e precisava de uma aproximação fina do valor global, e por isso teria ajudado bastante. Mas não conseguimos, pois, simplesmente foi uma modelagem, que a compatibilização usou mais para verificar a ocupação de espaço. Eu imagino que numa segunda fase de implementação poderemos ter esses benefícios, que são inúmeros, partindo, por exemplo, para uma análise crítica até de dimensionamento, como vazões de ar, vazões de água, você não tem uma entidade ali que são duas linhas, você tem uma tubulação, que é composta por um material, que dentro tem um fluido, que tem suas características, então ele é uma inovação muito grande, e uma ajuda para tentar minimizar falhas de projeto e auxiliar até do ponto de vista de conseguir fazer uma verificação crítica do projeto, uma revisão preliminar, uma minimização de erros. É outra forma de encarar o design de projeto.”

Para Dantas Filho trata-se de outra forma de encarar até mesmo a atividade de projetar. “Eu diria que é mais uma ferramenta de projeto do que uma ferramenta de desenho. Você ter as formas em 3D é uma consequência, mas você estar realmente construindo a instalação passo a passo, com os materiais que vão compô-la na realidade, é ter um arquivo vivo da instalação.” 

O diretor da Interplan também acredita que a falta de uma biblioteca é uma dificuldade. Segundo ele, nos Estados Unidos, por exemplo, já existe uma boa biblioteca de ar-condicionado no Revit. Aliás, o ar condicionado é a disciplina que tem mais bibliotecas disponíveis para aquele mercado. “Eu acho que dá para fazer um paralelo de fabricantes com os nacionais, para ver que produtos que teriam uma semelhança com o produto importado”, diz. 

Dilson Carreira, diretor da Powermatic, diz que tem buscado a adaptação ao sistema BIM através do desenvolvimento de uma biblioteca de produtos, embora os produtos que fabrica ainda não estão referenciados no sistema BIM.

“Isso é um caminho irreversível, pois só traz benefícios a todos os envolvidos. Com o crescimento do uso desse sistema, as interferências de obra tendem a acabar, evitando desperdício de peças e tempo. Com isso poderemos trabalhar com peças standard e até tê-las em estoque”, comenta Carreira.

Da mesma forma, o Grupo Trox no passado já havia desenvolvido blocos para CAD em 2D e 3D, porém, com a inovação tecnológica e a demanda dos novos softwares de projetos, o desafio é disponibilizar os blocos para BIM.

Segundo o engenheiro Marco Adolph, para alguns dos produtos tais blocos já existem, mas ainda há um longo trabalho pela frente para completar a base de produtos.

“Temos administrado esse projeto e em breve serão disponibilizadas mais bibliotecas. O estimulo é a demanda das empresas de projeto, porém essa demanda ainda é para produtos que já produzimos há alguns anos como difusores, caixas de VAV e VAC, dampers corta fogo, entre outros. Para muitos desses produtos os nossos clientes conheciam o CADbase e por isso agora demandam o BIM. Futuramente deveremos também desenvolver blocos para as unidades de tratamento de ar e chillers. Espera-se que com os blocos BIM os projetistas possam ganhar em tempo de projeto e mais importante que isto, visualizar possíveis interferências entre os sistemas ainda na fase de projeto e concepção. Assim, imagina-se que também custos de execução possam ser reduzidos devido menor numero de ações de retrabalho em campo. Para o projeto de nossos produtos não há um impacto, pois desenvolvemos apenas os componentes de uma instalação de ar condicionado e em nossos projetos já utilizamos softwares 3D que nos permitem ter um bom desempenho”, conclui Adolph.

Ana Paula Basile Pinheiro

anapaula@nteditorial.com.br

 

10 passos para o BIM

Cathy Palmer, gerente sênior de marketing da Autodesk, apresenta 10 passos para utilizar o BIM com sucesso:  

Primeiro passo: Conheça o BIM. Defina as pessoas na empresa que serão responsáveis pela implantação do processo de gerenciamento de obras e que deverão conhecer profundamente a forma como a metodologia irá afetar o trabalho da equipe.

Segundo passo: Comunique a mudança para a sua equipe. O envolvimento de líderes da empresa é muito importante no momento de transição, para que incentivem o projeto e levem aos colaboradores a mensagem de que a empresa optou pela mudança por acompanhar as tendências na área da construção, a partir de um modelo que está sendo adotado globalmente.

Terceiro passo: Adeque o equipamento dos usuários para que tenham uma boa performance. BIM não é software, é um processo colaborativo baseado em modelos 3D inteligentes. Porém, você vai precisar de softwares para criar esses modelos e é preciso que seu hardware atual tenha o poder de processamento suficiente para que o sistema flua com eficiência.

Quarto passo: Desenvolva um plano de gestão de mudança. Este plano deve documentar como os fluxos de trabalho serão alterados, a necessidade de treinamento da equipe e ações de apoio para possíveis dúvidas e dificuldades no decorrer do processo.

Quinto passo: Inicie um projeto piloto, como primeiro passo. Ao invés de fazer vários projetos pequenos ao ano, opte em realizar um projeto piloto de uma obra de grande porte. A tendência de ter resultados mais eficientes, com respostas positivas e aprendizado constante é muito maior. A partir daí o conhecimento poderá ser passado aos demais projetos.

Sexto passo: Com o progresso do projeto piloto, documente todos os processos de BIM. É tentador criar normas antes de executar um piloto, mas suas ideias sobre modelos evoluem à medida que o processo colaborativo é elaborado e aplicado.

Sétimo passo: Incentive colaboradores que demonstrem interesse pelo uso do BIM. Você vai descobrir que algumas pessoas em sua empresa se mostrarão animadas pelo novo processo — tente colocá-los no projeto piloto e proporcionar-lhes o apoio adicional de que necessitam para ajudar companheiros de equipe na adoção do processo.

Oitavo passo: Transição em etapas. Um erro comum é treinar toda a empresa de uma só vez e, em seguida, fazer a transição de projetos para BIM ao longo de um ano ou dois. Pessoas em projetos posteriores terão esquecido o que aprenderam no treinamento.

Nono passo: Compartilhar modelos com outras empresas para expor o máximo de benefícios da adoção do BIM. Muitas empresas acham que integrar modelos em um único compartilhado acelera o processo de coordenação e abre as portas para um novo nível de colaboração.

Décimo passo: Expandir e inovar com BIM. Você vai descobrir novas capacidades de visualização, de coordenação e de análise de um projeto de construção. Procure novas formas de transformar esses recursos em ofertas de serviços de valor e gerar novos clientes. Comunique o valor do uso do BIM para clientes atuais e potenciais, para que eles saibam que você está pronto para atender suas necessidades e entregar projetos melhor geridos e eficazes. 

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