Perfil
Um incansável pioneiro
Walter Vaccaro formou-se nas primeiras turmas da FEI
postado em: 15/02/2016 10:11 h atualizado em: 11/03/2016 09:02 h

Neto de italianos e pais brasileiros, Walter Vaccaro nasceu em 1941 na cidade de São Paulo (SP). Cresceu, estudou e mora até hoje no mesmo bairro. Possui um casal de filhos, Luciano, de 37 anos, engenheiro mecânico que já fez estágio com o pai, na Consultermo, esteve nos EUA no programa de treinamento da Trane e, mais recentemente, fez um treinamento de seis meses na Alemanha em Energia Eólica. Além de administrar sua própria empresa, ajuda o pai participando da elaboração de projetos na Consultermo. Camila, de 35 anos, é formada em arquitetura com especialização em paisagismo e possui dois filhos (1 e 4 anos).

Em 1966, aos 25 anos, Vaccaro se formou em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia Industrial, na época PUC. A FEI estava se mudando para a cidade de São Bernardo do Campo (SP) e algumas aulas ainda eram ministrada em São Paulo (SP). "Desde criança eu sempre falava em ser engenheiro, mas conhecer a fundo o que é engenharia, apenas quando entrei na faculdade", diz Vaccaro. 

Aos 74 anos e com imensa disposição, Vaccaro não para e possui vários projetos em andamento. Tudo isso é fruto de resultados obtidos pela prática de esporte, que faz parte de sua vida desde a infância. "Hoje, eu faço um pouco de esporte, não tanto quanto eu fazia quando mais jovem. Quando criança pratiquei saltos ornamentais, joguei futebol em time de várzea, lutei judô até os 25 anos, aproximadamente, e ganhei várias medalhas, e, por 30 anos, joguei tênis, mas fui parando aos poucos devido à mudança de rotinas. Agora nado e corro, alterno fazendo algumas temporadas de natação e outras de corrida", diz o engenheiro.

Vida profissional

Depois de formado foi convidado pelo professor Remi Benedito Silva (Catedrático da Escola Politécnica - e pioneiro no ensino de ar condicionado e refrigeração) a lecionar na FEI, onde permaneceu entre as décadas de 1960 e 1970, depois foi convidado a lecionar na Escola Politécnica (USP), durante a década de 1970. Lecionava nas disciplinas de Termodinâmica, Transmissão de Calor, Trocadores de Calor, Mecânica dos Fluidos e Refrigeração e Ar Condicionado. Resolveu, então, dar uma pausa no magistério, que dura até hoje. Algumas vezes é convidado a proferir palestras na área de ar condicionado e cogeração de energia. "Eu tinha um ‘application’ para fazer mestrado em uma universidade dos EUA e, como professor, era fácil obter a Bolsa de Estudos do CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - para me manter no exterior, mas fui adiando, pois achava que minha ausência poderia prejudicar a minha atuação profissional aqui no Brasil".

Walter Vaccaro, da Consultermo

Seu primeiro estágio foi na Multibrás S/A Eletrodomésticos (Brastemp), na cidade de São Bernardo do Campo. "Meu trabalho era acompanhar a linha de produção. Foi Pedro Anaya Anaya, um dos precursores da Abrava, e o primeiro presidente da Associação (1964/1972), que me apresentou na Multibrás. Seu segundo estágio, dirigido para a área em que é especialista, a termodinâmica, foi na Fábrica Nacional de Compressores, na capital paulista. Sua função era elaborar propostas para instalações frigoríficas para abatedouros de aves, entrepostos de pesca, entre outros.

Depois de formado, seu primeiro emprego foi como engenheiro nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em São Paulo (SP). "A empresa tinha muitos fábricas e eu ficava na sede da empresa, hoje atual prefeitura da cidade de São Paulo (SP). Eu saia para visitar as fábricas e acompanhar as instalações, promovia algumas concorrências para instalação de refrigeração e de ar condicionado. Fiquei um ano na empresa", diz o engenheiro. Devido a uma licitação de ar-condicionado promovida pela Matarazzo, um concorrente conheceu Vaccaro e, em 1967, o convidou para trabalhar na Abril S.A Cultural e Industrial. Tinha 26 anos quando foi gerente do departamento de engenharia de instalações industriais. "Promovia concorrências de fornecimento de execução de instalações, desenvolvia equipamentos gráficos especiais, e fiscalizava instalações. Eu tinha três departamentos sob minha coordenação, o de instalações elétricas, hidráulicas e de instrumentação e ar-condicionado", diz Vaccaro. A indústria gráfica, segundo o engenheiro, precisa em todas as suas etapas controle de temperatura e umidade, assim, na hora de imprimir, todas as páginas saiam com ótima qualidade. Na Abril trabalhou entre 1967 e 1970.

Entre 1970 e 1972 trabalhou na Hidroservice Engenharia de Projetos onde desenvolveu vários projetos, entre os quais se destacam os de ar condicionado, ventilação, distribuição de água quente e gás para o Aeroporto Internacional do Galeão, hoje Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ); de ar condicionado para o Aeroporto Eduardo Gomes, de Manaus (AM) e Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis (SC); ar condicionado para a nova sede da empresa em São Paulo (SP); estudo de viabilidade e especificação para equipamentos de geração elétrica de emergência para o Aeroporto do Galeão; estudo de adutora de água para Minerações Brasileiras Reunidas S.A. (mina de ouro, de Morro Velho, localizada na cidade de Nova Lima-MG).

Em 1973 foi convidado para voltar a trabalhar no Grupo Abril e ficou mais 2 anos. Depois foi para a Quatro Rodas Empreendimentos Turísticos Ltda, também do Grupo Abril. Era gerente do Departamento de Engenharia, responsável pela definição e contratação dos serviços de instalações elétricas, hidráulicas, ar-condicionado e ventilação, comunicações e sinalização para os hotéis. Era responsável por todas as instalações desses hotéis novos. Na época foram construídos entre 4 e 5 hotéis.

Walter Vaccaro sendo homenageado durante o XV Encontro Nacional de Empresas Projetistas e Consultores da Abrava

"Quando os Hotéis Quatro Rodas foram vendidos, fui convidado a voltar para a Abril, mas preferi fazer uma experiência na área de projetos. Fui, então, almoçar com Silvio Ayres de Souza, meu colega de faculdade, para que ele me explicasse como funcionava um escritório de projetos. O Silvio e o Marinho (Orlando Marinho, que depois foi trabalhar na Trane), tinham fundado a Consultermo em 1972. Naquela ocasião, o Marinho estava afastado, recuperando-se de um acidente, e o Silvio não quis continuar sozinho na empresa. Então, ofereceu-me a firma e, em 1974, assumi a Consultermo. O Marinho se retirou da sociedade e o Silvio ainda ficou com algumas cotas para que continuasse sendo uma sociedade limitada", explica Vaccaro. 

Participou de vários congressos e realizou inúmeras visitas a exposições e obras no exterior, como, por exemplo, da ASHRAE, nos EUA; Batimat e Interclima, na capital francesa; congressos em Lisboa (Portugal) e Paris (França), Eurotúnel em construção na Inglaterra; Hotelaria em Nova York (EUA) e Hotelaria em Munique (Alemanha). A convite de Carl Duisberg Gesellschaft, esteve no encontro sobre Cogeração de Energia, na Alemanha, entidade mantida pelas indústrias alemãs e pelo governo alemão, acompanhando missão brasileira.

Com a Consultermo realizou projetos para universidades, escolas, museus, laboratórios, indústrias, usinas de açúcar e álcool, hospitais, prédios públicos, estúdios de rádio e televisão, bancos, entre outros estabelecimentos. No total, foram elaborados até hoje cerca de 400 projetos, inteirando 27.000 TR em ar condicionado e 100.000 m³/minuto em ventilação. "Trabalhei muito para bancos, que na época faziam muitas agências; só para o Bradesco eu fiz mais de 70 projetos, entre agências e prédios. Ao Bradesco, localizado na Cidade de Deus, em Osasco (SP), ia praticamente toda a semana, discutia um projeto em andamento, entregava outro, e trazia outro para o escritório, era bem assim na época. Fiz projetos para muitos outros bancos, universidades, como a USP, por exemplo. Há projetos grandes e projetos de precisão. Projetos grandes podem ser, por exemplo, alguns hospitais, edifícios públicos, aeroportos, entre outros. Projetos de precisão podem ser laboratórios, indústrias farmacêuticas, biotérios", explica Vaccaro.

Recentemente, fez projetos de biotérios. "São projetos muito sérios. Exigem controle de temperatura e umidade durante todo ano, 24 horas por dia, não pode ter contaminação cruzada, as salas devem ter diferencial de pressão entre si para que o ar de uma sala não contamine outra. Na USP, por exemplo, cada médico tem sua gaiola e faz seus experimentos com esses animais. Fiz alguns desse tipo para universidades como a USP, UNESP - Universidade Estadual Paulista, em Botucatu (SP), UNIARARAS - Centro Universitário Hermínio Ometto, localizado na cidade de Araras (SP)", comenta o engenheiro.

A Consultermo, hoje, trabalha em parceria com outro escritório onde são desenvolvidos os desenhos. Nesse momento estão realizando um projeto para uma faculdade de medicina. É um prédio de laboratórios e várias dependências.   

Walter Vaccaro e Ricardo Gibrail, Febrava 2015

Dia 22 de setembro deste ano, na 19ª Febrava - Feira Internacional de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar, no XV Encontro Nacional de Empresas Projetistas e Consultores da Abrava, Walter Vaccaro foi uma das personalidades homenageadas. "Gostaria de lembrar quando iniciamos as atividades, no início da década de 1970, com o nome Grupo Setorial de Projetistas, não éramos mais do que cinco projetistas em São Paulo, no Brasil todo chegaríamos a dez. O mercado cresceu muito e para atender a esse mercado muitas empresas tiveram que iniciar as atividades. Hoje, o desafio é muito grande, muitas empresas, o mercado é gigante" declarou Vaccaro na ocasião. "Reuníamos e estabelecíamos programas de trabalho. Lembro-me de um trabalho que realizamos e foi muito importante e eficiente, a Tabela de Honorários, cuja estrutura vigora até hoje. Ela foi baseada na tabela oficial do Instituto de Engenharia e adaptada para o nosso setor", explica.

"Existem muitas obras que projetei e tenho receio em dizer que fui eu, principalmente as públicas de grande visibilidade. Explico porque no Brasil não existe uma cultura de manutenção, de manter as coisas, tudo acaba sucateado, especialmente na área pública", desabafa Vaccaro. Ele comenta isso com um grande pesar, e lembra que o estado em que se encontram algumas instalações pode até depor contra seu projetista, injustamente, pois ele não tem participação na manutenção e na operação das instalações. Acho válido que as pessoas pensem muito bem sobre essa questão. É importante!", adverte.

Charles Godini - charles@nteditorial.com.br

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