OPINIÃO
Imparcialidade
Você é imparcial?!
postado em: 15/02/2016 10:20 h atualizado em: 03/03/2016 09:46 h

 

Você é imparcial?  E o que é ser imparcial? Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, é aquele que julga “desapaixonadamente”. Confesso que não sou nem um pouquinho e nem nunca fui imparcial e duvido que alguém o seja.

Nos meus tempos de “foca” do Jornal “A Noite”, isso lá longe, na década de 1950, vez por outra, me cabia a função de cuidar das notícias do teletipo. Creio que muitos não saberão o que diabos poderia ser um teletipo. Era uma maquineta ligada diretamente na Agência de Notícias Reuters e que ia imprimindo numa fita as mais diversas notícias do mundo inteiro.

Eu ia lendo e selecionando o que poderia ser publicado na edição do dia.

Pegava as tiras selecionava as notícias que, no meu julgamento deveriam ser publicadas, colava as tiras numa folha de papel e enviava tudo para a redação.

Nunca sairia nada contra meu time de futebol, os lugares que eu gostava ou os restaurantes que nos serviam comida boa e barata. Cansei de ver árbitros de futebol só marcarem penalidade máxima contra meu time se o zagueiro contrário derrubasse meu centro avante com uma gravata dentro da pequena área. Sabíamos naquela época as preferências futebolísticas de cada árbitro! Acreditar que juiz de futebol é imparcial é o mesmo que acreditar na Fada dos Dentes ou no Saci Pererê!!

Preferência 

preferência é outra coisa. Tive um grande amigo companheiro em obras e projetos, engenheiro mecânico dos mais capacitados, formado pela FEI - Faculdade de Engenharia Industrial, da PUC, aqui em São Paulo, Reinhard Wernick, alemão de nascença e brasileiro por adoção, coração, preferência e competência. Foi proprietário da Climatrol, instaladora que cresceu sob sua batuta. Além de amigos e companheiros de mercado, compúnhamos eu, ele e mais o Eduardo Dell’Antonia, nosso querido Dudu, um trio de tomadores de chopp. Minhas reuniões de trabalho com Wernick eram no Bar Brahma, no centro da cidade de São Paulo, na esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, imortalizada por Caetano Veloso. Isso porque, nossa preferência era, e continua sendo para mim, o chopp da Brahma. Nem sei quantos barris os três tomamos juntos.

Havia menos marcas do que hoje, onde uma profusão de rótulos inunda as prateleiras dos bares e dos supermercados, mas era o chopp Brahma o nosso preferido.

Escolha 

A escolha já é algo menos eclético. Depende mais das circunstâncias, mas não é algo carregado de emoções, conhecimentos ou sentimentos. Viajo com certa frequência para o Rio de Janeiro, prefiro ônibus ao avião, mas escolho a companhia que vai me levar com absoluta imparcialidade. Escolho aquele que sairá mais rápido como conceito de escolha.

Não me importará se o ônibus que eu escolher será pintado de azul ou de vermelho, o que vai me importar é que ele me leve ao meu destino. Ele poderá ter um ou dois andares, mas atingirá meu objetivo de escolha. 

Objetivo a ser alcançado 

Todo nosso trabalho pessoal e o trabalho de cada empresa têm objetivos claros a serem alcançados. Empresarialmente são muitos esses objetivos, mas, o sucesso, a tranquilidade, a satisfação pessoal e coletiva, a tranquilidade econômico/financeira, e uma excelente equipe de colaboradores, são alguns que devem fazer parte de todos os objetivos, sendo o maior a ser perseguido, o respeito a todas as normas técnicas vigentes e a obediência ao ditame das leis que protegem a vida e a saúde dos cidadãos.

Pessoalmente somaríamos ainda a família, amigos, conhecimento, associações culturais e de empresários que comporão, dependendo dos anseios de cada um, seu estilo de vida.

Mas, este é um outro campo de análise e estudo que deixemos para a sociologia e outras ciências afins. 

E no mundo “RAC”? 

Quais os critérios que deveriam ser seguidos, por exemplo, para a elaboração de um projeto de climatização? Parece-me que com imparcialidade, fazendo a escolha dentro de uma preferência, para que seja alcançado um determinado, claro e declarado objetivo, que é fator maior, e que poderá ser alcançado por algo que não seja a preferência apontada.

O importante é que não haja parcialidade quando a decisão for voltada para a coletiva. O ser parcial poderá exercer esse seu direito nas suas decisões pessoais, pois, estas afetarão a si e ao seu meio restrito. Decisões que importarão ao coletivo poderão indicar uma preferência, mas nunca uma parcialidade, seja ela qual for e que objetivo ou nome vier a ter!

Sidney de Oliveira - OAB/SP e diretor da TAO Tecnologia - sidaosp@terra.com.br

 

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