Perfil
Um pioneiro na climatização industrial
Faria conseguiu o respeito de todos que com ele convivem ou conviveram
postado em: 15/02/2016 11:09 h atualizado em: 03/03/2016 10:17 h

Nascido e criado no Rio de Janeiro, Heitor Francisco Lemos Faria veio ao mundo no dia 17 de Janeiro de 1946. Está casado com Júlia Groszmann Faria, educadora formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, há 45 anos. O casal possui dois filhos, Henrique Groszmann Faria e Márcia Groszmann Faria. O mais velho é formado em engenharia eletrônica pela Escola de Engenharia Mauá e possui duas filhas, Luisa, de 14 anos e Bruna, de 12. Márcia é formada em Economia pela FEA – USP, é mãe de Gustavo, de 10 anos e Fernanda, com 9.

"Sempre gostei do mar. Quando jovem praticava muitos esportes aquáticos e vôlei de praia. Adorava navegar na região da Ilha Grande (RJ) e Baía de Sepetiba (RJ). Eram meus lugares favoritos. Atualmente meu hobby, para manter alguma atividade, é o tênis, que ainda consigo  praticar com certa regularidade", explica Heitor.

Vida profissional

Em 1969, aos 23 anos, completava o curso de engenharia mecânica com especialização em sistemas e equipamentos industriais pela Escola Nacional de Engenharia, hoje UFRJ. "Apesar de vir de uma família de engenheiros agrônomos e professores universitários, sempre tive uma queda pelas ciências exatas e mecânicas, o que acabou me influenciando e levando a essa profissão. Na  época da faculdade, professores como Archibald Machintyre e Gregório Vaisberg (das áreas de mecânica dos fluidos, termodinâmica e máquinas térmicas) acabaram me inspirando e me entusiasmando para a área da engenharia. Efetivamente minha relação com máquinas térmicas veio desde a época em que cursei o EFORM - Escola de Formação de Oficiais para a Reserva da Marinha, em 1967, aos 21 anos, onde convivi na prática com sistemas de turbinas, motores, ar condicionado e refrigeração em navios e submarinos, como preparação durante o curso para oficial de máquinas", diz Heitor.

Ainda em 1967, começou estágio na Fábrica de Artilharia, no Arsenal da Marinha, no Rio de Janeiro (RJ). O trabalho na rotina de tradução e compilação de manuais técnicos das novas máquinas de produção fez com que ganhasse conhecimentos em rotinas empresariais e técnicas de usinagem mecânica e operações de embutimento em ligas de cobre. Permaneceu neste estágio até a formatura, em 1969. 

Família reunida

"Em 1970, assim que me formei surgiu um anúncio para engenheiro de ar condicionado na empresa Suíça Sulzer do Brasil, que na época estava estruturando esse departamento. Me candidatei e fui contratado. Nunca mais deixei esse ramo. Fiquei na Sulzer por 21 anos. Foi uma grande escola e me proporcionou muitas oportunidades de desenvolvimento profissional. Atuei, inicialmente, nas áreas de engenharia de produto e fabricação de equipamentos. Naquela época, a Sulzer fabricava componentes como, selfs, chillers, AHUs (Air Handling Units) e torres de resfriamento. Cuidei desse departamento por dois anos. A vocação da empresa para obras industriais e especiais, principalmente na área têxtil, petroquímica, farmacêutica e clean rooms, utilizando sempre o conhecimento e o intercâmbio internacional, trouxe sempre inovações e atualizações tecnológicas dos mais recentes desenvolvimentos, principalmente os europeus. Cito, como exemplo, o projeto de AHUs modulares com características típicas para aplicação na indústria farmacêutica, que denominávamos ZL, Zulu Ft Apparate, que fabricávamos na unidade industrial no Bairro de Guadalupe. Tudo isso na década de 1970. Tenho uma boa lembrança da minha ida à cidade de Lindau, na Alemanha, uma agradável cidade a beira do lago de Constança. Em 1969, a Sulzer havia assumido o comando da empresa alemã Escher Wyss, que tinha em Lindau a fábrica de torres de resfriamento. Fiquei na Alemanha por dois meses e tive a oportunidade de aprender e trazer para o Brasil a tecnologia das novas torres para serem fabricadas aqui", diz Faria.

Na década de 1970 Faria participou de muitas obras marcantes, entre elas a nova fábrica da farmacêutica suíça Hoffmann La Roche, no Bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ); a implantação da indústria têxtil Coteminas, em Montes Claros (MG) e a primeira fase do Metrô do Rio de Janeiro, abrangendo o Centro de Controle Operacional e as cinco primeiras estações. "Ao longo desse período na Sulzer, tive a oportunidade de conviver e trabalhar diretamente com diretores vindos da matriz, como o Ravindra Tailor, Hans Schicht e Peter Blaser, todos engenheiros especialistas na área", diz Faria.

"Após alguns anos na gerência da Filial do Rio de Janeiro, na Divisão de Ar Condicionado, em 1987 fui convidado para assumir a Gerência Geral da mesma Divisão, mas em São Paulo, capital. Na época não foi uma decisão fácil. Eu tinha dois filhos adolescentes acostumados a curtir a praia do Leblon, onde morávamos, e uma esposa em plena atividade com sua Creche Escola. Além disso, teria que me ausentar por algum tempo para um período de treinamento na Suíça e Inglaterra. No fim tudo se acertou", esclareceu.

Convenção COLDEX, em 1971

Nessa época, a empresa ganhou um contrato com a IBM - International Business Machines, uma enorme sala limpa classe 100 (ISO 2) para montagem de discos rígidos, o mais recente desenvolvimento da IBM, segundo Faria, a ser produzido na fábrica em Sumaré, interior do Estado de São Paulo. Foram mais de 800m² de forro filtrante com fluxo unidirecional e mais 450m² com fluxo turbulento. O projeto ficou sob a responsabilidade de Franz Gasser, engenheiro suíço que, na época, chefiava a divisão de Salas Limpas na Sulzer Ar Condicionado e chegaram a desenvolver a fabricação de filtros ULPA no Brasil  em parceria com a empresa americana Flanders, especialista em Salas Limpas e produção de fitros HEPA e ULPA, principalmente para a indústria microeletrônica. Foi necessário construir um "mock up" da sala limpa na sede da Sulzer em São Paulo, onde foram simulados todos os testes. Segundo Faria, o resultado foi excelente, e acabaram ganhando um prêmio de satisfação da IBM. Heitor permaneceu na Sulzer até 1990, quando a empresa sinalizava que estava desistindo de suas atividades relacionadas ao ar condicionado no Brasil.

Em 1991, foi convidado por Luiz Freitas para trabalhar na Climatec, no cargo de diretor industrial. "Tivemos a oportunidade de iniciar a empresa no segmento têxtil, onde a obra para produção de fios sintéticos da Fibra Dupont, em Americana, interior de São Paulo, foi um marco devido as suas exigências e características especiais do VAC para produção de fios de nylon, introduzindo de forma definitiva a Climatec no segmento Têxtil, com produtos de fabricação própria. Infelizmente em 1993, com a morte prematura do Freitas, a empresa entrou em uma disputa societária  e perdeu o foco", esclarece.

Em 1994, Heitor, João Hamilton de Abreu e Sérgio Grau, decidiram criar a Tempset. Faria ocupava o cargo de diretor técnico comercial. Foram, segundo Heitor, 10 anos de intensa atividade e crescimento. Executaram inúmeras obras expressivas e diferenciadas para as indústrias automobilística, têxtil e farmacêutica, e na área de energia. "Entre as obras mais desafiadoras que tivemos destaco o Laboratório de Integração e Testes de Satélites do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São Jose dos Campos, interior de São Paulo (SP); o prédio de pintura da Mercedes Benz, em Juiz de Fora (MG); a fábrica da Ford, em Camaçari (BA); e o District Cooling implantado pela Light Esco, na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), projetada na época para uma capacidade total final de 10.000 TR. Alguns desses empreendimentos foram premiados pela SMACNA Brasil, como Obra Destaque do Ano.

Convenção Arcon, em 1972

Com a apresentação em Detroit, nos EUA, em um seminário sobre ventilação na indústria automobilística, conquistamos também um prêmio de tecnologia da ASHRAE com o projeto de Celas de Testes de Motores da Mercedes Benz, em São Bernardo do Campo (SP)", diz. Durante essa década, a Tempset desenvolveu parceria com a Trox do Brasil para a fabricação de equipamentos específicos para ar condicionado têxtil. Faria comenta que o apoio do engenheiro Celso Simões foi fundamental e muito importante para essa realização.

"Após esse período muito promissor, entramos em dificuldades e acabamos por descontinuar as atividades da empresa. Foi um período de muita tensão e desgaste, refletindo inclusive em amizades de longa data. Nesse momento difícil recebemos o convite da Heating Cooling para integrar o time. Desde 2005 faço parte da equipe, e, sem dúvida, é uma empresa pioneira e de destaque em nosso segmento de atuação. Não é fácil, hoje em dia,  uma empresa instaladora sobreviver por mais de 40 anos, mantendo ainda uma ótima relação com o mercado. Em 2010, veio o convite para assumir a filial da empresa no Rio de Janeiro (RJ). Assim, voltei à terra natal e continuei atuando como diretor operacional da Heating Cooling", comenta.

Sendo empossado presidente do Chapter ASHRAE Brasil, em 2002

Segundo Faria, o Rio de Janeiro passou, nestes últimos anos, por um período inusitado com relação a novos investimentos e obras. O crescimento da exploração de petróleo Off Shore, a área Petroquímica e as Olimpíadas 2016 foram elementos importantes para impulsionar esse desenvolvimento. Para a cidade maravilhosa voltou apenas o casal. Os filhos e netos já estavam estabelecidos, radicados em São Paulo. "Enfim, a distância é pequena e dá para matar as saudades com certa frequência", diz.

A partir de 1988 passou a ter forte participação, como membro  associado, da ASHRAE, tendo participado de diversos congressos e atividades da associação. "Quando o Chaper ASHRAE foi implantado no Brasil, nos envolvemos ativamente e acabamos assumindo a presidência do Chapter em 2002; até hoje continuo  pertencendo ao  Board of Governors do Chapter Brasil. De 1989 a 1995, fui vice-presidente da Abrava; de 2001 a 2004, membro do Conselho Fiscal da Abrava; e de 1992 a 1996, membro do Conselho Consultivo da SBCC", diz.

Charles Godini <charles@nteditorial.com.br>

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