Arquitetura
Arquitetura e engenharia de centros cirúrgicos
Ar condicionado, ventilação e iluminação requerem atenção especial
postado em: 23/05/2011 16:01 h atualizado em: 23/05/2011 16:07 h
Centro cirúrgico demanda atenção a aspectos como o sistema de ar condicionado, ventilação e iluminação

Alberto Nascimento

 

O Centro Cirúrgico (CC) é uma das unidades mais complicadas do ambiente hospitalar. A necessidade de rígido controle da contaminação ambiental, para que seja garantida a segurança do paciente, obriga aos envolvidos nessa área darem atenção especial a aspectos diversos como o sistema de ar condicionado, ventilação e iluminação, e às características físicas, como os tipos de pisos, paredes e portas adequadas.

As características arquitetônicas ideais para Centros Cirúrgicos podem ser conhecidas na RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, da Anvisa. Já o modo de divisão de ambiente deve seguir os padrões da RDC nº 50. "A unidade deverá estar, preferencialmente, afastada do tráfego externo do hospital, ter fácil acesso desde a Unidade de Atendimento Imediato, estar próxima das Unidades de Internação Intensiva e de Internação Cirúrgica, estar lado a lado com a Recuperação e ter acesso fácil com a Central de Material Esterilizado", diz o arquiteto O arquiteto Jonas Badermann de Lemos, especialista em Administração Hospitalar e Arquitetura Hospitalar, professor e coordenador do curso de Especialização em Arquitetura Hospitalar da Escola Superior de Gestão e Ciências da Saúde - IAHCS / RS.

O Centro Cirúrgico, explica Badermann, deve ser dotado de barreira física visando a minimizar a entrada de microorganismos externos. "Essas correspondem à área de recepção de pacientes onde ocorre a transferência dos pacientes, e aos vestiários de barreira dos pacientes ambulatoriais e das equipes de saúde. Próximo às salas de cirurgia se encontram os lavabos cirúrgicos para o preparo cirúrgico das mãos e dos antebraços", diz.

O tamanho das salas, afirma o arquiteto, depende da dimensão dos equipamentos necessários aos procedimentos propostos e sua forma preferencialmente deverá ser retangular. "A  RDC nº50 classifica as salas em pequenas com área de 20m² e com dimensão mínima de 3,45m, médias com área de 25m² e dimensão mínima de 4,65m e grandes com área de 36m² e dimensão mínima de 5,0m", diz.

 

Luminotécnica

Em um projeto luminotécnico para Centros Cirúrgicos, a premissa primordial é considerar o uso de luminárias que sejam herméticas para evitar risco de acumulo de poeira, sujeira e consequentemente bactérias, para que não se propague uma contaminação. "É indispensável considerar a otimização do sistema de iluminação com a escolha de lâmpadas de alta eficiência e vida útil para minimizar o impacto nos custos de manutenção e de energia elétrica, pois em hospitais o uso frequente e sistemático das salas gera um impacto muito grande na operação, além do desconforto de se fazer trocas frequentes nestes ambientes", acrescenta a arquiteta Neide Senzi, consultora da Senzi Consultoria Luminotécnica. 

"Também é importante que as luminárias auxiliares da sala de cirurgia tenham acabamento em acrílico ou vidro para facilitar a  limpeza e para evitar que a lâmpada exploda e que cacos caiam em cima do paciente exposto na sala de cirurgia", diz o arquiteto Carlos Marchesi, sócio-gerente da Pro-Saúde Profissionais Associados.  

Neide Senzi conta que o mais usual é a utilização de lâmpadas fluorescentes tubulares, como as T5 de 28W ou 14W com alto índice de reprodução de cor, como as das séries 90 encontradas no mercado com IRC acima dos 90, que reproduziriam com muita fidelidade as cores dos ambientes e pessoas. "A utilização de reatores eletrônicos de alto fator de potência é fundamental, pois possuem controles e filtros de harmônica que, se assim não fosse, poderiam interferir nas ondas eletromagnéticas dos equipamentos médicos", diz.

A arquiteta enfatiza a importância do uso de luz natural para melhorar as condições emocionais da equipe médica, que geralmente passa horas nos procedimentos. A integração da paisagem e da luz natural poderia contribuir para o menor desgaste dos períodos longos de uso destas salas. "Claro que devemos considerar um controle de emissão de calor gerado pela luz natural, bem como a incidência de altos índices de luminosidade que provocariam ofuscamento e desconforto ao usuário, mas se resolve com a implantação destas salas em face de menor incidência de luz solar, como a face sul, por exemplo, ou mesmo o recurso de utilizar brises que protegeriam esta incidência demasiada", explica. Neide cita como exemplo as salas cirúrgicas da unidade São José do Hospital Beneficência Portuguesa, em que foram utilizadas janelas com este fim.

 

AVAC

Nenhuma outra área do hospital requer mais cuidado no controle de assepsia do ambiente do que no Centro Cirúrgico. Jonas Badermann de Lemos afirma que o sistema de ventilação e de ar condicionado deve atender às exigências da NBR 7256/2005 com as seguintes intenções:

- Prover o ambiente de aeração em condições adequadas de higiene e saúde;

- Remover partículas potencialmente contaminadas liberadas no interior das salas cirúrgicas;

- Impedir a entrada no Centro Cirúrgico de partículas potencialmente contaminantes oriundas de áreas adjacentes:

- Proporcionar umidade relativa adequada e temperatura ambiente de conforto e segurança para o paciente e para a equipe de saúde;

- Manter o nível sonoro mínimo de instalação e utilização do sistema de ventilação/ar condicionado.

O arquiteto diz que o sistema de ventilação deve proporcionar temperatura ambiente em torno de 22 - 23° C. "Cirurgias realizadas com temperatura abaixo de 21°C podem provocar hipotermia nos pacientes". Já a umidade relativa do ar deveria ser em torno de 55 a 60%. "Um ambiente com baixo teor de umidade relativa favorece a propagação de faíscas elétricas. Proporciona também a perda excessiva de água por parte do paciente. Por outro lado, ambientes com umidade relativa acima de 70% tornam-se propícios ao desenvolvimento de bactérias", explica.

De acordo com o gerente técnico Wili Coloza Hoffmann e o gerente de área Fábio Luis Leite Neves, ambos engenheiros da Veranum, empresa do Grupo Nalco, as principais peculiaridades em um sistema de climatização para centros cirúrgicos são:

1 - Qualidade do ar: a qualidade do ar no ambiente de uma sala cirúrgica é muito importante uma vez que, certos agentes infecciosos podem permanecer por muito tempo em suspensão no ar. Em uma intervenção cirúrgica, os órgãos internos do ser humano ficam expostos e, se o ar não for tratado de forma adequada, pode causar infecções ou até a morte. Principalmente se forem causados por microorganismos já resistentes aos antibióticos, o que é muito comum em hospitais. 99,9% destes agentes podem ser retidos em filtros finos, uma vez que estes se aglomeram com poeiras em colônias. Para áreas mais críticas, como é o caso da sala de cirurgia especializada, estas devem possuir filtros de alta eficiência (HEPA).

2- Nível de pressão da sala com relação à atmosfera ou salas adjacentes: o nível de pressão da sala é muito importante uma vez que, se for negativo em relação à atmosfera e a áreas adjacentes, pode surgir um fluxo de ar para dentro destas áreas, por frestas e aberturas, transportando impurezas. Por este motivo, a cascata de pressão deve ser disponibilizada de forma que o ar flua do ambiente mais limpo para o menos limpo, exceto em casos em que existam doenças infecciosas perigosas em que existe a necessidade da pressão interna ser negativa, porém, o sistema deve ter sistema de exaustão com filtros de alta eficiência.

3 - Temperatura e umidade relativa: a temperatura e umidade relativa têm importância fundamental em uma sala cirúrgica uma vez que:

a) Mantém condições favoráveis a tratamentos específicos.

b) Inibe a proliferação de microorganismos.

c) Mantém condições propícias para utilização de equipamentos especiais.

d) Mantém condições gerais de conforto térmico.

4 - Movimentação do ar: para que a concentração de poluentes no ar das salas seja mantido dentro de parâmetros aceitáveis, é necessário utilizar uma certa quantidade de ar limpo para diluir e carregar os contaminantes internos para fora da área controlada. Também, uma certa quantidade de ar exterior (ar novo) deve ser admitida no sistema para higienização, para que os poluentes que não são retidos pelos filtros de partículas (como odores e gases), sejam diluídos e descartados gradativamente. Esta massa de ar a ser admitida depende da geração destes contaminantes. As normas NBR 7256-2005 e NBR 16401-2009 estabelecem alguns parâmetros para isto.

Controle de temperatura, controle da umidade, controle do grau de filtragem, controle da velocidade do ar nos ambientes, local adequado para tomada de ar externo, local adequado para descargas de sistema de exaustões, principalmente nas áreas de expurgas. Estes são, em resumo, os aspectos que devem ser levados em conta em um projeto de sistema de climatização de um centro cirúrgico, segundo o engenheiro Carlos Eduardo de Carvalho Abreu, da Air Conditioning, e Mauro Ascencio, da TR Thermica e consultor da Air Conditioning. Na opinião de ambos, o sistema recomendado para tais ambientes é do tipo VRF para as áreas de conforto e água gelada para o centro cirúrgico, com recuperador de calor para aquecimento de água para utilização nos quartos e lavanderia.

O arquiteto Flávio de Castro Bicalho, presidente da ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar), ex-assessor da ANVISA, avisa que o sistema de climatização deve atender à Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, que por sua vez se utiliza da norma da ABNT, NBR 7256. "Nesta norma estão todos os parâmetros de temperatura, umidade, pressão, velocidade do ar, filtragem etc. que cada ambiente deve ter. Com certeza o que se exige para uma sala de cirurgia cardíaca é diferente do que exige para uma sala de cirurgia plástica, da secretária do centro cirúrgico, ou mesmo da sala de recuperação anestésica. São situações muito diferentes que requerem tratamentos diferentes. Com certeza aparelhos de janela e quase todos os do tipo split são incompatíveis com salas de cirurgia", diz.

O engenheiro Gastão Fernando Reis Martins, do Departamento de Aplicações e Vendas da Linter Filtros, atenta para as diferenças exigidas na qualidade do ar dos diversos ambientes dos Centros Cirúrgicos. Segundo ele, a qualidade do ara deve ser encarada pelo conjunto de três parâmetros: vazão de ar, pressão da sala; e classe de filtragem. Nesse sentido, diz Martins, a NBR 7256, na Tabela A.1, página 17, cita o seguinte entre outros parâmetros:

- Sala de Indução anetésica: Nível de risco 1; Situação a controlar Agente Químico (AgQ) e Bacteriológico (AgB) Vazão de ar min. total 18m3/h / m2 de sala, com uma taxa de renovação de 6 m3/h/m2 ; pressão poositiva; Classe de filtragem G4

 - Salas de Cirurgia em geral: Nível de risco 2 ; Situação a controlar AgQ e AgB; Vazão min da ar total 75 m3/h/m2 com taxa de renovação de 15 m3/h/m2, pressão positiva ; classe de filtragem G3+F7

- Salas de Cirúrgica especializada ) ortopedia,neurologia,cardiologia, transplantes) nível de risco 3; Situação a controlar AgB; AgQ; Vazão min da ar total 75 m3/h/m2 com taxa de renovação de 15 m3/h/m2, pressão positiva ; classe de filtragem G3+F7+ H13(A3) Em alguns hospitais encontra-se nessas salas uma distribuição de ar do forma unifilar, em cima da maca operatória, fluxo esse conseguido através da colocação de um forro CG.

 O sistema de dutos também requer atenção especial. Dilson Carreira, diretor da Powermatic, ressalta que um duto para uma área classificada deve ter cuidados especiais em todas as fases de sua concepção, ou seja, projeto, fabricação, logística e montagem. "A fabricação deve seguir normas específicas de maneira a facilitar a certificação nos testes finais de vazamento. A logística, que muitas vezes não recebe a atenção merecida,  deve observar as condições da obra a fim de evitar que impurezas se acumulem durante o período entre a entrega dos dutos e sua montagem. A montagem, assim como a fabricação também deve ser cercada de cuidados a fim de facilitar a certificação nos testes de vazamento", resume.

 

Os cantos devem ser arredondados para facilitar a limpeza

Revestimentos

Os materiais de acabamento deverão corresponder aos requisitos de limpeza e sanitização contidas no manual "Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde" do Ministério da Saúde. De acordo com o arquiteto Jonas Badermann de Lemos, considera-se como regra geral para o revestimento de paredes, pisos e tetos de ambientes de áreas críticas e semi-críticas, materiais resistentes à lavagem e ao uso de desinfetantes, conforme o manual. "Eles devem proporcionar superfícies lisas, não porosas, sem apresentar fendas ou ranhuras, realçar a sujeira, absorver a luz, ser impermeáveis, resistir aos choques, ser duráveis, facilitar a limpeza e oferecer conforto acústico. As paredes devem ser pintadas com tinta hospitalar, devido à alta durabilidade com agente fungicida, baixo odor, fácil manutenção e suas cores devem ser suaves e claras", explica.

Badermann recomenda o uso de piso condutivo nas salas de cirurgia quando houver o uso de misturas anestésicas inflamáveis com o oxigênio ou óxido nitroso, bem como quando houver agentes inflamáveis de desinfecção. Alexis Joseph Steverlynch Fonteyne, diretor regional da ANAPRE, sócio da Solepoxy, explica que esse tipo de revestimento tem a propriedade de dissipar a uma rede de aterramento, as cargas elétricas estáticas geradas no ambiente. "Estas cargas podem ser geradas por fricção, pequenos diferenciais de potencial, etc. O revestimento é composto por materiais condutivos como fibras de carbono, grafite, alumínio, cobre, e outros. Estes pisos são mandatórios em locais onde se usa equipamentos eletrônicos de alta precisão ou muito sensíveis, pois a eletricidade estática em nossos corpos podem afetar os resultados dos aparelho de um centro cirúrgico e até mesmo queimar placas de micro processadores", explica.

Segundo Badermann, os materiais cerâmicos ou não, quando utilizados nas áreas críticas, não podem possuir índice de absorção de água superior a 4% e, além disso, o rejunte, se existir, deverá apresentar o mesmo índice. "Por isso recomenda-se a utilização do rejunte epóxi", diz.

Sobre os rodapés, estes devem ter um formato que possibilite a completa limpeza do canto formado com a parede. "As orientações de que os cantos nos hospitais e, sobretudo nos Centros Cirúrgicos devessem ser arredondados com o objetivo de facilitar a limpeza e evitar o acúmulo de poeira mudaram, pois, sabe-se que o ambiente não tem  importância maior do que ele realmente tem em relação a infecção hospitalar. Além disso, o canto arredondado em nada facilita o processo de limpeza quer ele seja feito com máquinas ou com o rodo envolto pelo pano que apresenta nas suas extremidades cantos de 90º", explica. "Deve-se atentar para que o rodapé não apresente saliências na união com a parede para que seja evitado o acúmulo de pó sendo de difícil limpeza", acrescenta.

 Os materiais de acabamento devem ser resistentes aos agentes de sanitização usados nesta unidade. Luiz A. Santos, diretor geral da Radfloor, sugere para a limpeza o uso de detergente neutro e ressalta a necessidade de uso equipamentos adequados para este tipo de ambiente.

Alexis  Fonteyne destaca o cuidado que dever ser tomado  quando da manutenção destes revestimentos, pois a aplicação de ceras, produtos de limpeza que geram filmes, poderiam isolar o revestimentos, eliminando sua capacidade dissipativa. "A manutenção deve ser feita com ceras especiais condutivas. A condutividade deve ser controlada frequentemente, para se assegurar  que o sistema esta realmente funcionando", diz.

 

Portas

Além dos revestimentos, é necessário estar atento às características das portas. Flávio de Castro Bicalho diz que a porta pode ser tanto de correr como de abrir. O importante, explica o arquiteto, é que se tenha um visor para evitar a abertura constantemente, e, conseqüentemente, que seja prejudicado o desempenho do sistema de ar condicionado. "Se for de correr, deve possuir trilhos somente na parte de cima para facilitar a limpeza do piso. Deve ser de material lavável, lembrando que deve ser resistente às pancadas de macas e carrinhos", diz.

Para Carlos Marchesi, o importante é que a consiga abrir a porta sem o uso das mãos, tem cliente que prefere de correr e outros de abrir. Importante salientar que se for de correr o trilho deverá ser suspenso para facilitar a limpeza. "Particularmente prefiro as de alumínio e PVC", afirma. Jonas Badermann de Lemos destaca que as portas devem ser suficientemente largas para facilitar a passagem da maca e equipamentos como macas e RX portátil. "Portas de correr não embutidas evitam a turbulência do ar na sala, entretanto, são contra-indicadas, uma vez que a limpeza é dificultada. É importante que as folhas das portas possuam visores de vidro o que evita aberturas desnecessárias. Elas devem ser revestidas com material lavável preferencialmente melamínico", diz. "Nos pontos onde a maca encosta na folha deve ser previsto revestimento preferencialmente metálico, como o aço inoxidável, servindo de proteção aos impactos. Como as laterais das folhas também são agredidas no dia a dia, é importante prever encabeçamento também em aço inoxidável", acrescenta.

 

Limpeza

Marchesi  afirma que, nos porcedimento de limpeza e desinfecção do Centro Cirúrgico, é necessário considerar todo líquido ou material orgânico de qualquer paciente (em todas as cirurgias) como possível fonte de contaminação, procurando confinar essa a uma restrita área próxima à mesa cirúrgica.

A limpeza e desinfecção da sala de cirurgia poderiam ocorrer antes, durante e após a cirurgia, conforme objetivos específicos para cada um desses momentos listado a seguir pelo arquiteto:

 

Limpeza antes do início dos procedimentos cirúrgicos do dia

O objetivo é remover a poeira porventura acumulada em móveis e equipamentos após a limpeza realizada no final do turno do dia anterior.

Realizar a limpeza das superfícies horizontais dos móveis e equipamentos com pano seco e limpo, umidificado com água ou solução desinfetante (de preferência, o álcool 70 %).

 

Limpeza durante o procedimento cirúrgico

O objetivo é contribuir para a manutenção de ambiente limpo durante a cirurgia. Realizá-la, desde que não interfira com o ato cirúrgico ou a pedido do cirurgião.

Manter limpa, o máximo possível, a sala de cirurgia durante todo o procedimento. Se necessária, realizar a limpeza do piso e superfícies durante a cirurgia. Trocar os hamperes e os cestos de lixo sempre que muito cheios, para evitar que transbordem e contaminem o piso.

 

Limpeza após cada procedimento cirúrgico

- O objetivo é recompor e preparar a sala para a próxima cirurgia.

- Após cada procedimento cirúrgico, a sala de cirurgia deve ser limpa (piso e a mesa cirúrgica, a princípio) e, se necessário, realizar a limpeza e desinfecção localizada de equipamentos, piso, paredes, portas, teto, mobiliários e demais instalações. A necessidade de desinfecção é determinada pela presença de respingo ou deposição de matéria orgânica. - - Para a desinfecção é utilizado o hipoclorito de sódio para as superfícies (pisos e paredes) e álcool 70 % para equipamentos e metais. Após a desinfecção, realizar a limpeza com água e sabão de toda a superfície. Secar muito bem as superfícies e os artigos / equipamentos.

- A porta da sala de cirurgia deve permanecer sempre fechada, mesmo não havendo procedimento cirúrgico.

- As Normas Internas de Funcionamento do Centro Cirúrgico prevêem o tempo de 15 minutos, o qual pode ser estendido, para fins de limpeza e desinfecção entre as cirurgias.

 

 Limpeza no final da programação cirúrgica diária (ou do turno) e Limpeza semanal

O objetivo é a limpeza mais completa, reservando para a limpeza semanal todos os itens não atingidos, rotineiramente, pela limpeza terminal diária. Observar as Rotinas de limpeza e desinfecção de superfícies e equipamentos do Centro Cirúrgico.

 O arquiteto Jonas Badermann de Lemos cita a existência de quatro etapas de limpeza em Centro Cirúrgico - a preparatória, a operatória, a concorrente e a terminal. A limpeza preparatória deve ser realizada antes do início das cirurgias programadas do dia com o objetivo de remover as partículas de poeira depositadas nas superfícies do mobiliário, foco cirúrgico e equipamentos.

A limpeza operatória é a que se executa durante o procedimento cirúrgico restrita à contaminação ao redor do campo operatório. O aspecto mais importante seria a remoção mecânica da sujidade (material biológico como sangue, secreção e muco).

A limpeza concorrente é executada no término de cada cirurgia. Ela envolve os procedimentos de retirada dos artigos sujos da sala, limpeza do piso e das superfícies horizontais dos móveis e equipamentos. As paredes devem ser limpas somente se houver contaminação direta com material orgânico assim como o forro.

A limpeza terminal é feita após o término da programação cirúrgica do dia sendo mais completa que a limpeza concorrente.

 

Paramentação

A paramentação cirúrgica tem como finalidade a formação de uma barreira microbiológica contra penetração de microorganismos no sítio cirúrgico do paciente, oriundos dele mesmo, dos profissionais, materiais, equipamentos e ar ambiente.

 A troca de roupa deve ser feita em um ambiente que se denomina vestiário de barreira, ou seja, uma barreira entre o CC e a área externa. "A lavagem cirúrgica dos antebraços e mãos deve se dar imediatamente antes de se entrar na sala de cirurgia, assim com a colocação da roupa "estéril" do cirurgião (capote), que é colocada momentos antes do ato cirúrgico", explica o arquiteto Flávio de Castro Bicalho. Segundo o arquiteto Carlos Marchesi, os componentes da paramentação cirúrgica são:

 

Aventais  

Têm como finalidade reduzir a dispersão das bactérias no ar e evitar o contato da pele da equipe com sangue e fluidos corporais que possam contaminar a roupa primitiva. É recomendada a troca de avental quando este estiver visivelmente sujo com sangue ou outro fluido corporal potencialmente infectante.

 

 Luvas

São utilizadas pelos membros de equipe cirúrgica com a função de proteger o paciente das mãos desses e proteger a equipe de fluidos potencialmente contaminados. Tem como finalidade reduzir e prevenir o risco de exposição ao sangue.

 

Máscaras

Seu uso é justificado por dois aspectos: proteger o paciente da contaminação de microorganismos (principalmente quando a incisão cirúrgica está aberta), oriundos do nariz e da boca dos profissionais, liberados no ambiente, quando estes falam tossem e respiram; e proteger a mucosa dos profissionais de respingos de secreções provenientes dos pacientes durante o procedimento cirúrgico.

 

Gorros

Sua utilização tem o intuito de evitar a contaminação do sítio cirúrgico por cabelo ou microbiota presente nele. O gorro deve permitir cobrir totalmente o cabelo na cabeça e face.

 Óculos ou máscaras protetoras dos olhos

Sua utilização é devido às doenças transmissíveis por substâncias orgânicas dos pacientes (a hepatite B, por exemplo).

 

Pro-pés

Seu uso é atualmente uma questão muito polêmica. Esse procedimento consiste em proteger a equipe à exposição de sangue, fluidos corporais e materiais pérfurocortantes.

 

 

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