
China processa o silício usando energia proveniente da queima de carvão
(crédito: Divulgação)
O diretor-geral brasileiro da hidrelétrica de Itaipu, Jorge Samek, assinou na última semana dois acordos de cooperação e transferência de conhecimento nas áreas de energia hidrocinética e de energia fotovoltaica. As propostas foram feitas pela asssessoria de energias renováveis da usina e tem como objetivo avaliar a possibilidade de purificar silício no Brasil para reduzir os custos da fabricação de painéis solares.
"São acordos baseados em transferência de conhecimento, que não envolvem nenhuma aquisição de produtos, processos, ou sistemas e não geram custos para Itaipu, a não ser o tempo técnico dos empregados", destacou Samek. De acordo com o executivo, os resultados servirão para tomada de decisão da diretoria da estatal, que poderá optar por enviar as análises a autoridades do setor elétrico.
Na área de hidrocinética, a ideia é a geração de energia aproveitando a correnteza do rio Paraná sem a necessidade de construção de uma barragem. O estudo será realizado em parceria com a Lapaza Empreendimentos, empresa que integrará o condomínio de empresas do Parque Tecnológico Itaipu caso os resultados dos levantamentos sejam favoráveis. O diretor da empresa, Fernando Borges, inclusive, viaja no início de setembro para a Escócia em busca de fornecedores de turbinas submersas.
Já o estudo sobre a logística do silício contará com a parceria da empresa alemã CentroTherm, segunda maior produtora de equipamentos para a cadeia mundial de suprimentos de produção de silício, sediada na Alemanha há 60 anos. "Queremos desenvolver o know how no Brasil para fazer o polisilício diretamente do quartzo e estudar melhores condições de purificar o silício em grau metalúrgico", afirmou o diretor técnico da companhia alemã, Peter Fath. O superintendente de energias renováveis de Itaipu, Cícero Bley Jr, destacou que o estudo permitirá verificar modos de ampliar a competitividade da energia solar fotovoltaica no mundo.
Hoje, o Brasil é o segundo maior exportador mundial de quartzo e de silício em grau metalúrgico (pedra) matéria prima do Polisilicone, mas ainda não desenvolveu uma indústria própria de transformação. O silício, extraído principalmente em Minas Gerais, é vendido para cinco empresas transformadoras em diferentes países, que os processam e devolvem na forma de polisilicone, base dos painéis fotovoltaicos, que o próprio Brasil importa. Cerca de 75% do silício utilizado para a produção de chips no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), por exemplo, é originário do Brasil.
"Existe muita incoerência neste processo, já que a China, por exemplo, processa o silício com energia elétrica do carvão, ou seja, processa o silício com energia poluente e vende painéis para a geração de energia dita limpa", apontou Bley. O estudo, denominado provisoriamente de Silício Verde, contará com a participação do Instituto Ideal e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Fonte: Jornal da Energia