
Expositores frigoríficos: foco na melhoria da circulação de ar, rendimento dos trocadores de calor e na economia de energia
(crédito: Eletrofrio)
Ana Paula Basile Pinheiro
Hoje no Brasil algumas tecnologias estão amplamente difundidas e já fazem parte do cotidiano das principais redes de supermercados do país. Esse processo de modernização engloba desde o layout, fluidos refrigerantes, expositores e câmaras frigoríficas, até a automação.
“Por exemplo, os sistemas de frio alimentar com utilização de fluidos secundários em regimes de média temperatura já é “sistema padrão” de redes como Carrefour e Wal-Mart, e começa a ser também no Pão de Açúcar, entre outros. Algumas redes já incorporaram à sua rotina os fluidos secundários, também em regimes de baixa temperatura, como Zaffari, Sonda, Guanabara e Angeloni, entre outros, onde existem instalações operando há mais de 10 anos com este conceito. Esta evolução permitiu o desenvolvimento destes sistemas que atualmente apresentam maior estabilidade de operação, menor consumo de energia e maior confiabilidade que as instalações de 13 anos atrás”, comenta Carlos Suffert, engenheiro da SPM Engenharia.
Para Suffert os principais fatores que impulsionaram o progresso das instalações de refrigeração em supermercados partiram da necessidade de utilização de alternativas ao uso de fluidos refrigerantes agressivos à camada de ozônio e diminuição dos custos para utilização de eletrônica.
“Enquanto o primeiro fator obriga os profissionais a buscarem por inovação de conceitos e reformulação dos antigos sistemas, o segundo fator permite maior precisão e segurança das malhas de controle, importante para confiabilidade e performance das instalações. Nos últimos anos a incorporação de tecnologias como motores eletrônicos, controladores com malha de PID conjugado e sistemas de degelo com fluido secundário aquecido melhoraram a qualidade das instalações, estes avanços trouxeram aos sistemas alta estabilidade e confiabilidade e que se traduz em satisfação do cliente, pois as instalações apresentam alta performance, baixo consumo de energia e diminuição dos custos com manutenção”, diz ele.
Luiz Renato Oliveira Chueire, diretor da Eletrofrio, lembra que o processo de modernização começou com a instituição do CDC, no início da década de 90, uma vez que a avaliação da performance de um sistema de refrigeração comercial era muito subjetiva (ainda é, mas um pouco menos). Nos anos subsequentes, o aumento do setor de perecíveis nos supermercados fez com que vários de seus aspectos operacionais e seus custos passassem a ter maior impacto no negócio. A consequência disto foi que refrigerantes que não agridem o meio ambiente, eficiência energética e outros temas que hoje preocupam o supermercadista ganharam importância por serem os sistemas de refrigeração um dos mais relevantes dentro de um supermercado.
“A busca por sistemas mais eficientes do ponto de vista de consumo de energia e de menor agressão ao meio ambiente é uma meia realidade no Brasil. Está na pauta de todos, mas faltam ações que orientem esta evolução. Não haver incentivos é uma realidade, mostra esta falta de objetividade por parte de todos os envolvidos. Não há estímulo para que o supermercadista invista em soluções mais evoluídas, que ainda demandam maior investimento inicial. Quem faz isto atualmente faz por conta própria”, revela Chueire.
Segundo ele ainda se busca o sistema ideal, que atenda a todos os requisitos que os novos desafios técnicos impõem. “Se considerarmos como referência os sistemas tradicionais, de expansão direta com R-22, ainda não se chegou a uma solução que consuma menos energia, que agrida menos o meio ambiente, que tenha menor custo inicial e que seja operado com facilidade pelos técnicos que estão no mercado”.

Racks de compressores são opções para garantir eficiência
Chueire aponta como opções os sistemas com fluidos intermediários, o uso de refrigerantes naturais como o CO2, a aplicação de controles e componentes eletrônicos (inversores de frequência, controles digitais de capacidade, válvulas de expansão eletrônicas etc.) e os sistemas descentralizados. Estas soluções aliadas ao uso de trocadores de calor mais eficientes (que permitem trabalhar com maiores pressões de evaporação e menores pressões de condensação) e a melhoria de performance dos expositores refrigerados são os principais focos de trabalho da indústria.
Na opinião de Jonathan Pretel, especialista de mercado supermercados da ebm-papst,no Brasil esta modernização é um processo que ainda está evoluindo: “Mas podemos dizer que nestes últimos anos houve mudanças significativas no setor, com a instalação de equipamentos mais modernos, voltados principalmente a reduções no consumo de energia, aumento da vida útil do equipamento, com a diminuição de trabalhos de manutenção corretiva e a melhora do sistema de refrigeração e ar condicionado de uma forma geral”.
Pretel acrescenta que as principais redes supermercadistas já conhecem o que o mercado tem de melhor para oferecer. O que falta ainda é a conscientização dos mesmos, já que inicialmente visam apenas o preço do equipamento e não o valor agregado que poderão adquirir.
Equipamentos e sistemas
A definição do layout da instalação frigorífica comercial, correspondente a área de vendas, balcões e câmaras frigoríficas respectivamente, é a base do trabalho para o projeto de refrigeração de um supermercado. Estas definições dependem do tipo do estabelecimento, público alvo, localização e metodologia de trabalho do próprio usuário. Esse trabalho resulta na real necessidade de carga térmica gerada para o estabelecimento, voltada para produtos resfriados (média temperatura) e congelados (baixa temperatura). A partir destes valores de carga térmica serão definidos os tipos de equipamentos a serem aplicados no sistema de refrigeração, analisando-se o melhor custo benefício a ser aplicado, pois diversas são as soluções tecnológicas em compressores e condensadores disponíveis no mercado. O que mais exige atenção às especificações reduzindo o consumo de energia é o projeto da casa de máquinas de maneira geral. O conceito moderno de layout dessa loja facilita e proporciona maior segurança e tranquilidade para as compras dos seus clientes com expositores que permitem adequação dos produtos expostos.
“É fundamental que previamente seja realizado uma análise e planejamento para qualquer instalação do frio alimentar, com isso garantimos um projeto adequado à realidade de cada aplicação, tal como posicionamento dos expositores, localização da sala de máquinas e local de passagem de tubulações, gerando os principais benefícios: Aumento nas vendas; conservação ideal dos produtos refrigerados e congelados; melhor aspecto visual (ambiente mais agradável); melhor rendimento energético; e baixo nível de manutenção e maior confiabilidade do sistema”, informa Alessandro da Silva, engenheiro de aplicação da Bitzer.
Silva acrescenta que qualquer introdução de nova tecnologia sempre deverá ser acompanhada de perto pelos fornecedores de tais equipamentos e que todo o pessoal técnico seja previamente treinado com a nova tecnologia antes de iniciar os serviços de instalação, operação e manutenção dos equipamentos.
“No que abrange a comunicação visual e layout do estabelecimento, os supermercadistas estão optando por expositores com design modernos e mais econômicos. Observa-se durante os últimos anos um crescente aumento na proporção de compra de produtos refrigerados (principalmente pratos prontos congelados) com relação a produtos secos. Tal alteração de perfil de compra dos consumidores faz com que o supermercadista adapte sua loja para uma melhor satisfação e atendimento de seu cliente, aumentando a proporção de exposição de produtos refrigerados. Tal fato gerou a presença constante de órgãos fiscalizadores nas lojas verificando as condições de temperatura de armazenamento e exposição dos produtos, assim como também os consumidores estão cada vez mais exigentes e esclarecidos. Isto obriga lojas a possuírem equipamentos modernos que garantam as condições de temperatura exigidas. Equipamentos em mau estado de conservação causam desconforto e desconfiança aos consumidores, ao passo que uma loja moderna, iluminada, com equipamentos em bom estado gera um ambiente mais agradável ao consumidor com consequente aumento de vendas”, revela o engenheiro da Bitzer.
Ele diz que a maioria dos supermercados está optando por utilizar sistemas de refrigeração mais compactos como rack com compressores semi herméticos alternativos, que aliam baixo custo inicial, operacional, baixo consumo de energia e também baixo nível de ruído. Nesse tipo de rack o sistema de monitoramento de óleo é de alta performance e proteção garantida através do separador de óleo com reservatório de óleo integrado e reguladores de nível de óleo eletrônicos que controlam a injeção de óleo na quantidade exata que o compressor necessita. Outra tendência apontada por Silva, que se faz cada vez mais presente em instalações de supermercados, é o gerenciamento eletrônico da instalação com monitoramento a distância, possibilitando um controle geral da operacionalidade de todos os equipamentos frigoríficos, inclusive o sistema de ar condicionado da loja.
“A exemplo do supermercado Freitas, todas as condições de operação dos equipamentos frigoríficos são controladas e monitoradas através do gerenciador eletrônico, que oferece altíssima precisão e confiabilidade no controle do sistema frigorífico. Este sistema permite acesso a todas as variáveis do sistema, também possui acesso remoto via LAN ou Internet, realiza envio de alarmes via fax ou SMS e possui histórico gráfico de todas as variáveis do sistema”.
O engenheiro da Bitzer menciona também a utilização do dióxido de carbono (CO2) como fluido refrigerante no sistema de refrigeração, substituindo os atuais refrigerantes sintéticos HCFC / HFC, tais como o R-22 e R-404A.

Supermercado VerdeMar: balcões expositores operam a partir do CO2
Chueire acrescenta que cada nova tecnologia tem suas limitações. Para ele a aplicaçãode fluidos intermediários leva normalmente a um pequeno aumento no consumo de energia e a um maior custo inicial. “O uso de CO2 como refrigerante aumenta o investimento inicial e a complexidade do sistema, exigindo técnicos altamente qualificados para operá-lo. Sistemas descentralizados aumentam os pontos de manutenção e controle. A aplicação de eletrônica traz dificuldades para a operação e manutenção do sistema. Por esta razão dizemos que ainda temos que trabalhar muito até chegarmos à solução ideal para a refrigeração comercial no Brasil, levando-se em conta nossas realidades técnicas, geográficas e econômicas. Há uma solução melhor para cada problema, especificamente. Menor consumo de energia? Uma das soluções é projetar sistemas que operam com maiores temperaturas de evaporação e menores pressões de condensação, por exemplo. Menos agressão ao meio ambiente? CO2 é uma opção. Menor custo inicial? Sistemas descentralizados podem ser considerados. Maior facilidade de operação e manutenção? Fluidos secundários podem ser a alternativa. Projetar um sistema que contemple tudo isto e mais (controles de velocidade ou de capacidade de compressores, motores eletrônicos de corrente contínua, condensação variável etc.) já é viável tecnicamente, mas a facilidade de operação será comprometida”, diz Chueire.
Os expositores frigoríficos, por exemplo, têm várias funções em um supermercado: manter produtos nas temperaturas adequadas, expor bem os produtos facilitando a venda, compatibilizarem-se com a arquitetura da loja, ser de fácil operação e manutenção e consumir o mínimo de energia para fazer tudo isto. São, portanto, os principais componentes de um sistema de refrigeração comercial, não devendo ser avaliados somente por serem bonitos ou não.
“Nos expositores trabalhamos para atender aos requisitos acima apresentados (manter produtos nas temperaturas adequadas, expor bem os produtos facilitando a venda, compatibilizarem-se com a arquitetura da loja, ser de fácil operação e manutenção e consumir o mínimo de energia para fazer tudo isto). O foco está na melhoria da circulação de ar, no rendimento dos trocadores de calor e no uso de componentes elétricos que consumam menos energia. Neste quesito podemos citar as lâmpadas fluorescentes T5, a iluminação por LED (embora estes componentes sejam muito caros ainda) e a utilização de micromotores eletrônicos, que chegam a consumir apenas de 20 a 30% da energia de um micromotor convencional. Outra tendência é instalar-se expositores fechados nos pontos de venda. Esta solução traz redução no consumo de energia e diminui a oscilação na temperatura dos produtos expostos, mas a discussão sobre o impacto nas vendas ainda é polêmica”, comenta Chueire.
Henrique de Sousa Ferreira Nascimento, técnico da Heatcraft do Brasil, observa que com o crescimento do poder aquisitivo da população e a melhora no grau de instrução, os consumidores estão ficando cada vez mais exigentes, obrigando os supermercados a se modernizar, atender melhor o seu cliente, ter um produto de qualidade nos balcões e prateleiras; tudo isto com o menor custo possível, e para tanto buscam a instalação de equipamentos modernos, eficientes e com apelo ambiental, principalmente no quesito consumo de energia, redução de emissões de gases de efeito estufa e danosos à camada de ozônio. Em resposta, os fornecedores estão oferecendo soluções que agridem menos o meio ambiente e consomem menos energia, impulsionando a modernização.
“A modernização dos supermercados é uma realidade no Brasil, podemos observar pelo crescimento das lojas com sistemas com glicol, aplicação de motores eletrônicos, compressores digitais, iluminação com LED, controladores eletrônicos, válvulas de expansão eletrônica etc., e com a evolução de estudos voltados ao CO2. Os evaporadores de ar hoje contam com opção de motores econômicos em termos de energia e controlador para otimizar o tempo de degelo. Os condensadores remotos vêm com a opção de motores eletrônicos, diminuindo o nível de ruído, consumo de energia e otimizando as pressões do sistema. E, ainda, em toda instalação existem as válvulas de controle eletrônico que otimizam os gastos e pressão do sistema. Hoje temos supermercados como Coop, Bretas e Wal-Mart, utilizando os evaporadores com motores iQ e condensadores com motores eletrônicos”, informa Nascimento.
Ele acrescenta que as limitações estão diretamente ligadas aos custos dessas implantações, sendo que no caso de obras de reforma, existe a mudança de toda a instalação e padronização das lojas. Para as lojas novas, existe um treinamento dedicado aos responsáveis por operarem e executarem as manutenções no sistema.
No caso de ventilação dos equipamentos de refrigeração e ar condicionado, o especialista da ebm-papst diz que podem ser aplicados em todo o sistema, como nos balcões e expositores de resfriados e congelados, nos evaporadores das câmaras frigoríficas e nos condensadores.

Ventiladores são incorporados nos equipamentos
“Procuramos orientar e treinar nossos clientes periodicamente de como melhor usar e aplicar cada produto, não só os fabricantes de equipamentos, como também os instaladores dos mesmos. Temos um departamento de engenharia de aplicação à disposição dos clientes, e antes de fornecer qualquer produto, levantamos todas as informações da aplicação para evitar problemas em campo, diminuindo assim qualquer tipo de limitação. Pudemos comprovar em algumas redes supermercadistas os ganhos quando aplicados os ventiladores no sistema de refrigeração, como redução significativa no consumo de energia (mínimo 30%), redução do nível de ruído, maior vida útil e melhora no sistema de refrigeração, como por exemplo, a pressão de condensação mais estável”, diz Pretel.
Retrofit
A melhor oportunidade de aplicar estes conceitos é durante a remodelação da loja e retrofit do sistema.
“O processo de retrofit leva a viabilidade de utilizar refrigerantes não agressivos à camada de ozônio, como no caso dos fluidos tipo HFC ou ainda refrigerantes naturais. Após usar este conceito em instalações com amônia como refrigerante primário, estamos agora utilizando também o propano R-290”, informa Suffert.
Ele alerta que o processo de retrofit para utilização de fluidos secundários implica em novas tubulações frigoríficas, novos forçadores de ar para câmaras e novas serpentinas nos expositores, por isso o momento ideal é quando da remodelação da loja.
“O cuidado principal é no projeto, algumas empresas não dimensionam corretamente a tubulação de distribuição do fluído secundário e deixam algum equipamento com falta de vazão e consequentemente queda de desempenho. Outro problema comum é o projeto do grupo resfriador de líquido que precisa privilegiar a estabilidade do sistema, algumas máquinas são projetadas sem o devido cuidado para a operação em regime de carga parcial o que ocasiona oscilações no desempenho e aumento no consumo de energia”.
Suffert acrescenta os principais benefícios obtidos através de retrofit desta natureza:
- economia no consumo de energia;
- aumento da confiabilidade e diminuição dos custos com manutenção;
- diminuição da carga de refrigerante;
- diminuição do impacto ambiental que pode ser 2500 vezes menor, se compararmos aos sistemas tradicionais de expansão direta de R-22 utilizados atualmente.
“Recentemente o Ministério do Meio Ambiente brasileiro lançou um programa de metas para diminuição e posterior eliminação dos gases agressivos à camada de ozônio tipo HCFC, como o R-22 que ainda é largamente utilizado em instalações de refrigeração comercial. Entretanto o mercado brasileiro está pronto para alcançar estas metas com certa facilidade, pois dispomos de tecnologia e experiência em instalações operando dentro do país com conceitos de baixo impacto ambiental”, diz Suffert.
“O fluido refrigerante é o grande responsável pela troca térmica em um sistema de refrigeração / climatização. Esse fluido, correto, de qualidade e procedência garantidas, além de um sistema bem projetado/mantido, garantem a conservação dos alimentos”, informa a área técnica da DuPont.
Eles citam a aplicação dos fluidos refrigerantes R-404A, R-507, ISCEON® MO29, ISCEON® MO79 e o mais novo produto da linha ISCEON®, a ser lançado neste semestre.
CO2
O engenheiro da Bitzer diz que para se obter o melhor aproveitamento dos recursos que os sistemas de CO2 oferecem, alguns itens importantes deverão ser levados em consideração, tais como:
- É importante e necessário que todo o grupo técnico do OEM, instalador, cliente final, etc., seja previamente treinado com a tecnologia de CO2 antes de iniciar os serviços de instalação, operação e manutenção dos equipamentos com CO2.
- De certo modo o sistema subcrítico com CO2 é mecanicamente muito simples, mas exige um amplo conhecimento referente ao seu comportamento sob certas condições. O mais importante é saber como o sistema irá reagir com a falta de energia elétrica, ou com uma falha no estágio de alta pressão que deixará de refrigerar o trocador de calor cascata.
- É muito importante que cada situação seja muito bem estudada antes do equipamento ser entregue ao cliente, de modo que a equipe de comissionamento saiba como será a reação do sistema, e a equipe de manutenção, que é responsável pelo sistema, saiba o que deverá fazer. Somente então o sistema poderá ser instalado e operado de maneira segura e confiável com a satisfação de todos.
- O pessoal de manutenção precisa ter um conhecimento íntimo das interdependências entre os sistemas de controle do estágio de alta e baixa pressão, assim como ser eficaz na manutenção e na conservação destes sistemas. O pessoal já deverá ter familiaridade com a operação, questões de segurança e controle para se assegurar de que o sistema irá operar de maneira segura e eficiente ao longo de sua vida útil.
“O resultado é a redução da emissão de poluentes a zero, já que o CO2 não destrói a Camada de Ozônio e possui um potencial de aquecimento global desprezível = 1. Todos os sistemas de refrigeração existentes utilizando nossos compressores com CO2 até agora tiveram uma performance bem superior aos refrigerantes sintéticos tradicionais na refrigeração comercial de supermercados, como o R22 e R404A, principalmente na questão energética. Devido às exigências estabelecidas pelo Protocolo de Montreal para a eliminação e redução dos HCFCs a partir de 2013, tais exigências atingem diretamente o setor de refrigeração comercial, uma vez que reduz significativamente a disponibilidade do R22 no mercado. Com isso, vários supermercados estão em busca de soluções “verdes” com a utilização de refrigerantes ecológicos como o Dióxido de Carbono - CO2, que não traz danos de nenhuma espécie ao meio ambiente e também reduz o consumo de energia elétrica da instalação frigorífica”, diz Silva.
Ele cita o exemplo da rede Verdemar que inaugurou, em abril de 2010, no Jardim Canadá, em Nova Lima – Minas Gerais, o primeiro supermercado na América Latina a utilizar o CO2 como fluido refrigerante e que, em breve, terá mais uma loja e um Centro de Distribuição também operando com o CO2. Outros supermercados que já estão negociados com CO2, de acordo com Silva, são o Bom Netto, em Jaguariúna (SP), e a Rede Extra.
“As vantagens do sistema de refrigeração com CO2 para supermercados sobre os sistemas tradicionais que utilizam o R404A ou R22: Fluido natural, não destrói a Camada de Ozônio e possui um potencial de aquecimento global desprezível (GWP=1); fonte disponível na natureza; redução do consumo de energia elétrica (aproximadamente de 20 a 35%, porém dependerá das condições de aplicação e do perfil de carga térmica); baixa relação de compressão e aumento da vida útil dos compressores; elevada densidade e alta pressão no estágio de baixa; redução dos diâmetros da tubulação; redução da carga de refrigerante; baixo custo do refrigerante CO2; elevada entalpia de evaporação e alto grau de líquido sub-resfriado e maior rendimento frigorífico; menor volume deslocado e tamanho menores dos compressores; rack e instalação mais compacta e menor número de compressores; evaporadores mais compactos e eficientes; e redução dos gastos com a instalação e manutenção.
Automação
A automação é uma solução economicamente viável, que além de todo gerenciamento das condições do frio alimentar, ainda gera eficiência e otimização para a instalação de frio alimentar.
“Acredito que a velocidade de resposta dos processos, a maior precisão nas medições e a possibilidade de gerenciamento das instalações foram fatores que levaram ao processo de modernização das instalações de refrigeração em supermercados. Hoje temos opções como controladores paramétricos, CLPs (Controlador Lógico Programável), sensores, inversores de frequência, válvulas de expansão eletrônicas, ventiladores eletrônicos, supervisórios, etc. A importância é desde a precisão no controle do sistema até o gerenciamento. Todos os componentes acima são interligados, o que permite além de controlar todos os pontos de refrigeração de uma loja (rack de compressores, balcões refrigerados, câmaras frias, ar condicionado, etc.) um gerenciamento completo de todas as variáveis e eventos ocorridos no sistema durante um período”, informa Roberto Possebon Junior, engenheiro da Carel.
Possebon acrescenta que a aplicação é simples, a instalação é feita da mesma forma que a convencional, porém os instrumentos devem “falar” entre eles para que a supervisão (gerenciamento do sistema) funcione.
Ele aponta como vantagens e benefícios gerados a redução do consumo energético e a possibilidade de equalizar, deixar o sistema mais eficaz com o gerenciamento e supervisão.
Anderson Machado, da equipe de Engenharia de Aplicação da Full Gauge Controls, diz que um dos aspectos mais importantes da automação é garantir a eficiência das instalações. Além disso, a constante preocupação com a economia de energia também é um fator importante para inserção de produtos com degelo inteligente (realiza os ciclos de degelo apenas quando necessário baseado na temperatura do evaporador), entre tantos outros com características específicas para a redução do consumo de energia. “Um sistema de automação bem planejado aumenta a vida útil e eficácia dos equipamentos. Hoje a automação informa para o cliente o momento da manutenção preventiva, evitando custos desnecessários com quebras de equipamentos”, afirma.

Controladores eletônicos: ciclos de degelo apenas quando necessário baseado na temperatura do evaporador
Para Machado o custo benefício é compensador, uma vez que, somente na refrigeração (ilhas de congelados, ar condicionado, gôndolas e outros equipamentos geradores de frio), pode-se economizar de 30-35% do consumo elétrico de uma loja, podendo chegar a 60% quando se agrega a iluminação. “Em geral uma automação se paga em menos de 8 meses, contemplado inclusive eventuais trocas de equipamentos.”
“A automação está mais forte do que nunca e a utilização de softwares de gerenciamento remoto é a grande tendência que está se consolidando cada vez mais, pois além de ser uma tecnologia à disposição, é ferramenta facilitadora, um meio de expandir o controle a distância e desvinculá-lo da presença humana no local das instalações, sem, no entanto, substituir a presença de um técnico, apenas facilitando o seu trabalho. Uma opção que acompanha a evolução tecnológica mundial em todos os setores. Investimentos em automação estão aumentando a cada dia. A alta competitividade “intramercado” somada aos constantes aumentos de custos da energia elétrica e à busca pela preservação do meio ambiente também geram oportunidades crescentes para o setor. No momento, há uma união de esforços no sentido de disseminar informações sobre o segmento, o que também é muito positivo. É somente através da troca de informações entre fabricantes, projetistas, consultores, instaladores, usuários e clientes que haverá uma maior conscientização sobre as vantagens da automação e a consequente valorização deste mercado”, aponta Machado.
Isolamento térmico
Em instalações de refrigeração a eficiência do sistema não depende somente dos equipamentos, mas de todos os seus componentes, inclusive do isolamento térmico, que exerce papel importante na economia de energia, na performance operacional dos processos e na vida útil do sistema.
“O material isolante térmico, muitas vezes relevado a planos secundários de importância, é responsável pelo bom funcionamento de todo o sistema de refrigeração. O material isolante deve reunir todos os requisitos necessários, possibilitando o controle de suas características técnicas juntamente com o seu comportamento na prática para que o sistema possa assegurar a sua performance ao longo do tempo. Portanto, é necessário escolher cuidadosamente, ao se projetar essas instalações, um sistema de isolamento térmico adequado. O usuário final deve controlar e exigir materiais de qualidade certificada, procedentes de fabricantes idôneos, e qualidade na aplicação, de acordo com os procedimentos corretos e recomendados pelos fabricantes, para assegurar o benefício da economia de energia proposto pelo material isolante, através de seu desempenho estável ao longo de todo o tempo de funcionamento da instalação”, adverte Andre Dickert, engenheiro da Polipex.
Ele acrescenta que de uma forma geral, em instalações de fluidos frios, deve-se tomar cuidado especial com a estanqueidade do sistema, mantendo homogênea a espessura do isolante, evitando zonas comprimidas e de pouca ventilação que favorecem o acúmulo de umidade, por isso deve ser corretamente projetado e instalado, e requer conhecimento e uma boa análise de todas as suas características, exigências, limitações e condições de contorno as quais o sistema está submetido, para que se possa assegurar o benefício da economia de energia, de forma efetiva ao longo do tempo de operação da instalação.
“As mantas e tubos de polietileno expandido de baixa densidade, por exemplo, são isolantes térmicos que mantêm as suas características na faixa de temperatura de -70°C a +90°C e as mantas e tubos de espuma elastomérica são isolantes térmicos que mantêm as suas características na faixa de temperatura de -200°C a +105°C. Por outro lado, esses materiais são suscetíveis a choques mecânicos e aos raios ultravioletas devendo, quando expostos a tais situações, ser protegidos com revestimento e proteção adequados”, diz Dickert.
André Fernandes, representante técnico-comercial de sistemas formulados da Dow Brasil, comenta a aplicação do poliuretano expandido: “Hoje painel termoisolante para câmaras frigoríficas, expositores refrigerados, congelados ou ambiente, refrigeradores, freezers, são largamente utilizados, tendo seu núcleo preenchido com espuma de poliuretano expandido, com densidade de 37 a 42 kg/m³, proporcionando um excelente isolamento térmico e economia no consumo de energia”.
Por Ana Paula Basile Pinheiro - editora da revista Climatização & Refrigeração