
Vista geral do edifício, com o telhado verde e a área de utilidades
(crédito: Divulgação)
O projeto foi desenvolvido para a British Columbia Hydro & Power Authority (BC Hydro). De acordo com o Plano de Ação Climática da Província, associado às suas necessidades de redução de emissões de carbono, a BC Hydro é obrigada a avançar para a neutralidade de carbono em todas as suas atividades. Como resultado, projetos de construção são financiados pelos contribuintes para exibir exemplos de desempenho ambiental. O projeto abaixo descrito é o primeiro edifício sob esta iniciativa.
A localização do projeto é essencialmente suburbano, nos arredores de Port Alberni, uma pequena cidade florestal na Ilha de Vancouver. Para criar o site do projeto, a vegetação secundária foi removida por descendentes dos habitantes originais (First Nation). As árvores cortadas foram moídas e utilizadas para projetos de construção na comunidade. Onde foi possível, manteve-se a floresta nativa ficou intacta para preservar o habitat natural e para minimizar os impactos. A localização do prédio foi restringida pela necessidade de se preservar a ocupação original nas redondezas.

O plano estreito garante boa penetração luz do dia em todas as áreas ocupadas
(crédito: Divulgação)
As exigências para o projeto incluiam que este fosse um prédio exemplar em seu desempenho ambiental, que contasse com alto nível de segurança e qualidade do ambiente de trabalho para os empregados, e que tivesse um impacto positivo na comunidade local, que foi afetada negativamente pelo declínio da indústria florestal.
Além disso, no interior da BC Hydro, tem persisitido um histórico de alguns atritos entre trabalhadores de campo e os do escritório. Portanto, parte das recomendações era unificar a organização. O longo e avançado volume suavemente curvado do teto cumpriu, emblematicamente, o papel de ponte entre os grupos. Buscou-se projetar o melhor edifício possível, com base em princípios de design passivo, para reduzir as cargas ambientais ao mínimo e, só a partir de então, adicionar sistemas ativos.
Com tal objetivo, o longo eixo do edifício é orientado na direção leste-oeste, o que otimiza e controla o acesso solar e limita a exposição que eleva as cargas de aquecimento e resfriamento. Proteções solares exteriores e beirais profundos proporcionam conforto visual para os ocupantes e auxiliam nas estratégias de iluminação natural.
O envelope ficou altamente isolado e hermético, reduzindo o total das cargas de aquecimento e refrigeração. O prédio também incorpora um telhado com vegetação que cobre 40% da sua área total, incrementando ainda mais o fator de isolamento do envelope.
A iluminação natural é maximizada através do desenvolvimento de placas estreitas de piso, uso cuidadoso de janelas bem dimensionadas e bem posicionadas, e clerestórios e clarabóias com controle de luminosidade. Toda a iluminação artificial em áreas regularmente ocupadas é equipada com dimmers controlados por fotocélulas. A iluminação de cobertura, onde se fez necessária, foi cuidadosamente projetada para reduzir o número total de dispositivos elétricos necessários. Tudo como parte do objetivo estratégico do cliente para reduzir o consumo anual de energia a níveis muito abaixo dos padrões norte-americanos contemporâneos.
A água da chuva que cai sobre as áreas não cultivadas do telhado é coletada em uma cisterna e reutilizada para irrigação dos jardins e lavagem de veículos. A água do local é geralmente desviada para as bacias de retenção de águas pluviais e de controle de sedimentos, onde sua liberação para o sistema municipal pode ser retardado, permitindo seu tratamento antes que seja finalmente lançada no Oceano Pacífico.
O edifício está ligado a um sistema geotérmico de troca de calor para o aquecimento e arrefecimento. A climatização consiste de sistema radiante hidrônico de aquecimento e refrigeração acoplado à massa do edifício. A ventilação mecânica é um sistema dedicado de 100% de ar externo acoplado a equipamentos de recuperação de calor do ar exaurido. Por último, cerca de 20% da energia do edifício será fornecido por um sistema de aquecimento solar de água, reduzindo assim utilidades baseadas em consumo de energia.
Desde o início deste projeto explicamos aos nossos clientes que a experiência de trabalhar em um prédio de alto desempenho é muito semelhante a velejar em um veleiro que necessita de ajustes constantes, de acordo com as condições dos ventos e da maré. Nós passamos um período considerável do tempo treinando os usuários e educando-os para garantir que a performance do edifício será otimizada, e esse desempenho mantido durante a vida útil do edifício.
Por Kevin Hanvey, Arquiteto, diretor da Omicron em Vancouver, e chefe da equipe de arquitetos do projeto.
Via SAB Magazine