Água
Chuveiros automáticos: o CPVC quebra paradigmas
CPVC é amplamente usado em sistemas de combate a incêndio
postado em: 10/12/2012 18:25 h atualizado em: 10/01/2013 16:24 h
Chuveiro automático de extinção de incêndio - sprinkler
(crédito: Divulgação Tigre)

Felizmente, as tecnologias evoluem. Que bom para nós. Nós consumidores, nós fabricantes, nós profissionais, nós cidadãos. Para tudo o que se pensa, há tecnologia em curso, buscando diversos focos de soluções econômicas, duráveis e de inteligência contextual. Nos anos 80, o mercado brasileiro de instalações de água quente experimentou uma revolução: tubos de plástico para a condução e consumo de água quente em sistemas prediais. Em pequena escala, nascia o uso do CPVC (poli(cloreto de vinila) clorado) no Brasil. Era a primeira quebra de paradigma desta resina fabulosa.

Com um ceticismo ainda existente, em país tropical (baixo consumo de sistemas de água quente) e historicamente dominado pela cultura do chuveiro elétrico, o Brasil sacramentou seu uso, pela facilidade de instalação, não-corrosão, manutenção da potabilidade da água e altíssima durabilidade.  Profissionais que não dominam o uso do CPVC para sistemas de água quente estão fardados ao ostracismo no mercado de trabalho.

Ainda assim, havia mais posições a serem galgadas. Historicamente, há décadas, o mercado de hotéis dos EUA. necessitava dominar uma nova tecnologia, alternativa aos tubos metálicos, para efetuar reparos e manutenção preventiva em redes de prevenção e combate a incêndios. Las Vegas, por exemplo, cidade reconhecida internacionalmente pelo seu apelo turístico de entretenimento noturno, com uma rede grande de hotéis, precisava ter sua manutenção ou reparo executados de maneira ágil, sem comprometer sua disponibilidade para locação. Afinal, nestas cidades temáticas, os valores de diárias são diferenciados e são as necessidades do mercado que movem as tecnologias.

Durante mais da metade da década dos anos 2000 os técnicos e a iniciativa privada brasileiros se movimentaram para validar mais este mercado para o uso do CPVC, já sacramentado externamente conforme o exemplo de Las Vegas. Sim, o CPVC também já havia quebrado este paradigma, o do plástico exposto ao fogo, e com êxito. Finalmente, em setembro de 2007, após anos de discussões nos comitês de normas da ABNT, revisou-se e publicou-se a NBR-10.897 Sistemas de proteção contra incêndios por chuveiros automáticos e, para os quatro riscos possíveis para os tipos de ocupações (leve, ordinário, extraordinário e pesado). Assim, liberou-se o uso de tubos e conexões para sistemas de combate a incêndio em CPVC apenas para os de risco leve. Segunda grande quebra de paradigma, mesmo que limitada a apenas uma família de ocupações.

No Brasil, a fabricação e ensaios de desempenho dos tubos e conexões para esta finalidade devem ter como premissas as recomendações da NBR 15.647 Tubos e conexões de CPVC para sistemas de proteção contra incêndios por chuveiros automáticos – Requisitos e métodos de ensaios. No início, poucos se habilitavam para assumir a vanguarda de projetar ou executar suas obras com o CPVC num sistema de combate a incêndios. Passados cinco anos, aqueles que contaram com o apoio da indústria, através da assistência técnica pré-especificação, não desejam retornar às soluções metálicas, pois as experiências quanto à produtividade, agilidade de instalação, esbeltez de suportes, custos reduzidos e principalmente a durabilidade pela ausência de corrosão agregaram valor antes não conhecido nestes sistemas.

Quantificações apontam que já se ultrapassa a marca de mais de 300 obras executadas com CPVC. Para apoiar os projetistas, os softwares de cálculo mais comuns já contemplam as bibliotecas de peças e os coeficientes inerentes ao material, facilitando as tarefas de dimensionamento e projeto. Conhecidamente, os plásticos têm coeficiente de rugosidade inferior ao metal, resultando em bitolas menores. As atuais normas exigem que o cálculo ocorra por fórmulas hidráulicas, o que otimiza a distribuição de água numa eventual ocorrência de incêndio. E, também por este motivo, o projeto executado pode inclusive racionalizar o número de sprinklers em até 10%, devido ao melhor aproveitamento da área de cobertura da chuva artificial promovida em sistemas com esta tecnologia plástica.

Os sistemas de combate a incêndios com chuveiros automáticos têm como premissa combater o incêndio no seu foco. Na presença de calor, o líquido contido no bulbo vidroso do chuveiro automático – sprinkler – se expande, rompe este bulbo e libera um jato permanentemente pressurizado de água que, ao se deparar com o defletor, promove uma chuva artificial, cercando o foco do incêndio ainda numa fase controlável, onde o calor liberado ainda não produz uma reação em cadeia incapaz de ser combatida. Sistemas permanentemente pressurizados com água são denominados sistemas de tubulação molhada, que têm como característica a presença de água em todos os trechos do sistema, dos reservatórios aos pontos de chuveiros automáticos.

É sabido que em incêndios não efetivados, ou seja, que não se consolidaram por falta de reação em cadeia, os sistemas de combate a incêndios com chuveiros automáticos foram, na maioria das oportunidades, os responsáveis pela sua contenção, impedindo prejuízos materiais e principalmente a perda de vidas. Por estas razões, obras que contemplem este sistema essencialmente de segurança são mais bem vistas por empreendimentos de grande valor agregado e por seguradoras. Por motivos de normas técnicas os projetos contemplam este sistema apenas em edificações com mais de 30 metros de altura (a partir da soleira da edificação até o topo da laje mais alta desta).

Entretanto, pelo seu poder de ações prévias, seguradoras de grandes grupos de hotéis e hospitais particulares, por exemplo, exigem e até bonificam o prêmio do seguro em função da opção pela instalação dos sprinklers. Por isso, vemos resorts predominantemente horizontais, com poucos pavimentos, que não atingem a altura obrigatória, contemplados com este sistema. No caso dos hospitais opta-se pelo sistema também pelo fato da debilidade dos freqüentadores, o que dificulta eventuais evasões. Redes de apoio a idosos e crianças em recuperação, muitas vezes instaladas em simples sobrados, são contemplados com este sistema.

Todos os tipos de edificação mencionados requerem manutenção se executados em soluções metálicas, de aço galvanizado, aço carbono ou cobre. Por se tratar de redes permanentemente cheias de água, em suspensão, porém sem vazão (movimentação nula da água), os minerais que ficam depositados na geratriz inferior dos tubos ocasionam seu contato superficial com as paredes do sistema metálico e corrosão eletrolítica. Por consequência, começam a aparecer pontos de vazamento ferroso no forro, que deteriora seu acabamento. Podem acontecer, por exemplo, uma interdição em uma laje de escritórios, a vacância de uma suíte de hotel ou até mesmo a perda de um leito útil em um hospital.

O terceiro paradigma quebrado pelo uso do CPVC neste sistema é a não necessidade de troca desta água ou procedimentos de proteção interna para combater os efeitos deste fenômeno.

Não obstante citei estas ocupações – escritórios, hospitais, casas de recuperação, escolas, etc. – pois estes compõem o escopo daquilo que é classificado pela NBR-10.897 como “risco leve”.  Os ensaios, no entanto, realizados no IPT, dentro da Universidade Estadual de São Paulo – USP – apontaram que seu desempenho pode ir além, pois as simulações ali efetuadas, baseadas na UL-1821, norma americana reconhecida internacionalmente, simulavam classes de risco equivalentes ao “pesado”.

E as tecnologias continuaram evoluindo. O CPVC hoje é utilizado também no Brasil para sistemas de transporte de fluídos industriais, oferecendo solução de alta durabilidade e baixo impacto nas instalações para líquidos de processos industriais. No mercado de incêndios, utiliza-se o CPVC também para aspiração de fumaça, sistema que consiste em tubulações “secas” que aspiram constantemente, à baixíssima pressão, o ar do ambiente. Este ar é encaminhado a uma câmara que, com o apoio de fechos de laser, identificam a presença de partículas inerentes e até mesmo anteriores à presença de fumaça, acionando um alarme e proporcionando a ação de um brigadista antes da presença do calor.

 Felizmente, as tecnologias continuarão evoluindo e, principalmente o mercado cineticamente fará com que esta tecnologia avance para outras classes de risco e, para nosso benefício, quem sabe também para prumadas de hidrantes. Quem viver verá e os pródigos usufruirão os benefícios da tecnologia do CPVC.

Fábio Jr. Rippe - engenheiro Civil da Tigre Tubos & Conexões, pós-graduado em Finanças e MBA-PMI em Gestão de Projetos.

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