Água
Reservatórios são necessários à segurança hídrica do país
Presidente da ANA diz que volume, hoje, é bem inferior ao de outros países
postado em: 14/11/2013 15:58 h
O país precisa de mais reservatórios, segundo Guillo
(crédito: Agência Senado)

A construção de novos reservatórios é vital para a garantia da segurança hídrica do país. O alerta é do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, que participou, na manhã desta quarta-feira (13), de audiência da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), presidida pelo senador Fernando Collor (PTB-AL). Segundo o diretor-presidente, o volume de água armazenado pelo Brasil hoje é muito menor que o de outros países, como Estados Unidos e Austrália.

Guillo admitiu o fato de muitas reservas atuais estarem sob pressão, operando para atender demandas para as quais não foram projetadas inicialmente. "A retomada de uma política de reservatórios no Brasil é crucial. Segurança hídrica é a capacidade de se oferecer água com qualidade e em quantidade. Os reservatórios garantem justamente esta segurança nos eventos climáticos, na produção de energia, na navegação e até no turismo", explicou.

Segundo informou o diretor-presidente da ANA, o Brasil tem hoje, em média, água reservada para 43 dias. Uma vez excluídos os reservatórios de energia elétrica, haverá menos de uma semana de garantia de água. Números bem distantes dos Estados Unidos, que têm mil dias. "A política de dar segurança hídrica significa retomar a construção de reservatórios. E têm que ser reservatórios de uso múltiplo", defendeu.

As estruturas ligadas aos reservatórios, como adutoras e canais, não podem ser esquecidas, conforme o representante da agência. Ele informou que o Brasil conta com uma "rede razoável" de adutoras, principalmente no semi-árido, mas há necessidade de ampliação, visto que a demanda por água é crescente.

Vicente Guilllo lembrou que a água não é recurso infinito, mas apenas renovável e com disponibilidade incerta, o que leva à conclusão óbvia de que o país precisa de estrutura de armazenamento que assegure a oferta no período de secas. "Não adianta dizer que água é vida, que é mais importante que petróleo e que vai ser motivo de guerras no futuro. Ela deve estar no centro de políticas públicas, pois é sempre mais difícil remediar do que tomar ações preventivas", advertiu.

Para o senador José Pimentel (PT-CE), a segurança hídrica é um tema que precisa entrar para a agenda política brasileira, inclusive do Congresso Nacional. Ele alertou que, especialmente para o Nordeste, a seca é uma realidade e vai existir sempre, por isso é preciso saber conviver com ela. "Num período de dez anos no Nordeste Setentrional, onde vivem 12 milhões de brasileiros, nós temos quatro anos de seca, dois anos de muito pouca chuva e apenas quatro anos com chuva. Isso vem desde 1930, quando o levantamento de dados começou a ser feito", afirmou.

Pimentel chamou atenção para o fato de que o período de chuva no Nordeste Setentrional, que é de março a maio, coincide com o período de seca no nascedouro do rio São Francisco, daí a necessidade de um processo de integração de bacias, para aproveitar o melhor aproveitamento da água.

 

Da Agência Senado

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