Ar condicionado
A capacitação profissional para a manutenção de sistemas
Necessidades e expectativas do mercado de AVAC
postado em: 27/11/2013 12:35 h atualizado em: 29/11/2013 14:53 h
Setor sente a nítida falta de mão de obra especializada para atender os novos postos para cada especialidade requerida
(crédito: Senai)

Na opinião de Alexandre M. F. Lara, diretor da A&F Partners Consulting, existem algumas necessidades e expectativas do mercado e de clientes (usuários em instalações) que deveriam pautar os treinamentos dos profissionais.

Lara aponta que a primeira refere-se ao atendimento aos clientes, condição muito importante que deveria ser abordada em um treinamento específico. Para ele não basta apenas a boa apresentação do profissional (uniforme, calçados em ordem, malas ou bolsas de ferramentas organizadas, barba feita ou cabelos e maquiagens bem feitas), mas principalmente a sua cordialidade e educação no tratamento com o cliente.

“Hoje em dia, o profissional de operação e manutenção se depara com clientes de todos os tipos, características e formação (nervosos, indiferentes, agressivos ou educados) e precisará estar pronto a atendê-los”, diz Lara.

A segunda refere-se ao trabalho de manutenção em si, onde se destacam:

- A organização em suas ferramentas e equipamentos de proteção individual;

- A organização no local do trabalho;

- O conhecimento geral da instalação por ele mantida;

- O cumprimento de procedimentos de manutenção, respeitando etapas e condições/critérios estabelecidos no planejamento;

- O adequado preenchimento de suas Ordens de Serviço (impressas ou eletrônicas), possibilitando a adequada contabilização e registro de dados pelo sistema informatizado;

- O conhecimento sobre a operação de equipamentos (treinamentos específicos com fabricantes de no breaks, geradores, chillers, etc);

- O conhecimento de planos de contingência (a serem utilizados em caso de emergência);

- O conhecimento da hierarquia de comunicação (situação de crise).

“Estes são os principais itens a serem trabalhados em um profissional de operação e manutenção, seja em qual área atue. Infelizmente convivemos hoje em um mercado com baixíssimos investimentos em cursos e treinamentos, mesmo quando falamos de treinamentos em casa ou "on the job". Vejo que muitos reclamam constantemente da qualidade de sua mão de obra, mas ao mesmo tempo, vemos que os processos de seleção se tornaram imediatistas (visando repor vagas com muita rapidez), sem que se vislumbre a preparação de profissionais para o futuro - não existem muitos investimentos neste sentido. Quando falamos em cursos de nível médio (SENAI e outras escolas bem conceituadas), também encontramos dificuldades na contratação de jovens valores, uma vez que grandes empresas já têm absorvido estes profissionais antes mesmo da conclusão de seus cursos. Já em termos de cursos de capacitação, não vemos muitos cursos prontos e necessariamente moldados às necessidades das empresas, sendo importantíssimo que busquem por parceiros de treinamento no mercado e o ajudem a customizar cursos para atendê-los. Por fim, outro fator que também dificulta a formação de novos valores é a ausência do chefe direto no campo, avaliando e corrigindo erros junto aos profissionais, pois muitas vezes existe uma distância o supervisor ou gerente e suas equipes, que são impelidas à atuar de forma autônoma ou independente; isto é muito ruim para a formação de um profissional, pois quantos de nós que iniciaram a vida profissional em outra época ainda se recordam de chefes presentes, mas rigorosos, duros no relacionamento, perfeccionistas, etc, que nos marcaram até hoje.....nós aprendemos com eles, não é verdade?”, comenta o diretor da A&F Partners Consulting.

Ele diz ainda que quando aplicados os treinamentos acima, proporcionam não só o desenvolvimento do profissional, como também a evolução da Operação & Manutenção como um todo para o empreendimento, no que tange a qualidade do atendimento, dos serviços prestados, do registro em bancos de dados e na satisfação final do cliente.

“Não há dúvida quanto a melhoria no processo se atuamos com mão de obra capacitada. No entanto, volto a dizer que a participação do chefe / gerência direta e da empresa no processo de capacitação / formação e de reciclagem contínua sobre os conhecimentos adquiridos assegurará a qualidade em todo o processo. Não existe mágica e sim, a organização, o planejamento, o comprometimento de todos e o acompanhamento da evolução dos profissionais, identificando necessidades de ajuste ou mesmo novas demandas para a capacitação”, alerta Lara.

Ainda é fato comum, instalações nestas condições sem manutenção e profissional capacitado

Outro fato destacado por ele é sobre qualidade de mão de obra que tem decaído muito, principalmente em função de dois fatores: formação não adequada e falta de oportunidades de aprendizado nos locais onde o profissional atuou (ausência ou distância da chefia imediata, falta de planejamento e de investimentos básicos nos profissionais, etc), se transformam em um ciclo vicioso e contínuo deteriorando cada vez mais o nível mínimo necessário de mão de obra.

“Mesmo em posição de nível médio também nos deparamos com esta dificuldade. Temos a carência de bons técnicos de nível médio no mercado e temos também a carência de engenheiros com o mínimo de experiência necessária, sendo que muitos são submetidos ao aprendizado direto em suas operações, se constituindo em um genuíno e preocupante aprendizado online. Certamente esta não é a maneira adequada de se formar um bom profissional. Cito como exemplo um caso real com o qual me deparei recentemente. Um grupo de operadores era responsável por manter e operar uma central de água gelada em uma grande edificação, CAG esta composta por circuito primário (BAGPs que atuavam em conjunto com os chillers) e por um circuito secundário com vazão variável de água gelada, comandado a partir da variação da pressão no circuito de alimentação dos condicionadores. Neste caso, o projetista indicava quais as quantidades e combinações de bombas (primárias e secundárias) precisariam ser operadas em conjunto, de forma a atender as vazões mínimas para o bom desempenho do sistema. No entanto, verificou-se que a operação mantinha apenas uma bomba de água gelada secundária ligada, pois entendia que o sistema deveria operar desta forma, ainda que desrespeitasse a orientação de projeto, ou seja, as equipes de operação e manutenção desconheciam literalmente o projeto e o procedimento adequado para operar as instalações. Neste sentido, vislumbrou-se um treinamento prático de toda a equipe sobre a instalação existente, sobre os seus componentes e modos de operação, objetivando difundir o modo adequado de operação do sistema a todos os profissionais que ali atuavam. Ainda que este treinamento ocorra, vejam que caberá ao gestor imediato avaliar continuamente a sua equipe, assegurando com que este conhecimento adquirido não se perca com o tempo. Seria importante um acompanhamento próximo desta operação (por parte do gestor imediato), sabatinando periodicamente a equipe em campo, sobre procedimentos normais, de contingência, etc”.

Fancoil em péssimas condições e sem manutenção a mais de um ano

Exemplo na prática

Aúreo Salles de Barros, diretor da A. Salles destaca o treinamento prático em campo com acompanhamento, além dos cursos especializados nas diversas áreas de atuação, como os do Senai.

“Como benefício temos a melhoria na qualidade dos serviços e qualificação dos profissionais. Quando o profissional está qualificado o mercado tem melhor reconhecimento. As figuras mostram exemplos de caso prático de manutenção em instalações. Vale lembrar que PMOC é um importante instrumento para a capacitação dos profissionais envolvidos na operação e manutenção, considerando as orientações nele contidas e a sua utilização como pauta para o treinamento”, informa Salles.

Por fim, Lara adverte que considerando o mercado hoje, envolvendo não só a baixa capacitação dos profissionais como também a alta rotatividade de pessoas, “entendo que as empresas precisariam investir mais na gestão do conhecimento, identificando os conhecimentos e informações vitais a organização, documentando-as e utilizando-as na formação e reciclagem de novos e antigos profissionais. A operação e manutenção jamais poderão depender de pessoas, e sim de processos bem elaborados, objetivando uma operação segura e confiável”, conclui.

Ana Paula Basile Pinheiro - editora da revista Climatização+Refrigeração

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