Mesmo controlada a pandemia da Covid-19, os investimentos em qualidade do ar devem ser mantidos

 Uma “herança” da pandemia da Covid-19 é a maior consciência coletiva quanto a necessidade de cuidados com a qualidade do ar em ambientes fechados. Nas palavras do médico e professor da Universidade de Washington, Dr. Vin Gupta, que também é chefe da área de saúde da Amazon, qualidade do ar interno é o maior desafio do século para edificações. Não apenas grandes empresas devem se atentar para essa questão, mas sim todos os espaços fechados de trabalho e lazer.

O que se verifica no mercado é uma maior atenção a essas questões, com necessidade de atendimento às normas e diretrizes vigentes, mas também às certificações como Leed e Well, que também se atentam às questões de qualidade do ar interno.

Mesmo controlada a pandemia da Covid-19, os investimentos em qualidade do ar interno devem ser mantidos, uma vez que a boa saúde dos ocupantes está diretamente relacionada, já que se diminuem os riscos de transmissão de doenças.  Além disso, estudos da Universidade de Harvard mostram a relação entre a boa qualidade do ar e aumento de produtividade dos ocupantes, estimado entre 61 e 101% superior.

Diversas certificações contemplam a questão da qualidade do ar interno, podendo destacar a Leed e Well como referência no mercado nacional. O que elas estabelecem é a taxa de renovação de ar em função do número de ocupantes e área do ambiente, podendo variar em função do tipo de atividade realizada.

Um dos grandes desafios para a renovação de ar adequada está na eficiência energética dos sistemas, uma vez que implica na entrada de ar externo nos ambientes.  Quando este espaço é climatizado, a entrada de ar externo faz com que o sistema de climatização tenha que operar com maior capacidade, uma vez que o ar externo entra no sistema em temperatura superior (ou inferior em localidades que utilizam o aquecimento) do que o ar climatizado e, geralmente, com maior umidade. Com isso, a eficiência energética fica prejudicada, uma vez que há um maior consumo de energia elétrica para atingir as condições de temperatura e umidade previstas em projeto.

Assim, se por um lado a necessidade de renovação de ar adequada para a saúde dos ocupantes e da edificação é fundamental, é um desafio alcançar a eficiência energética dos sistemas. Porém, isso não é impossível.

Uma das tecnologias possível de ser aplicadas e que pode ser citada como exemplo, são os recuperadores de calor, que têm como principal função realizar a transferência de calor entre o ar externo que está entrando e o ar interno que está saindo, como forma de pré-resfriar ou aquecer o ar antes de ser conduzido ao equipamento de ar-condicionado. Quando utilizados corretamente, contribuem para a redução no consumo de energia elétrica.

Uma alternativa interessante de ser aplicada é o free-cooling, ou seja, a entrada exclusiva de ar externo nos sistemas, desligando ou reduzindo os sistemas de climatização, sempre que a temperatura externa estiver mais fria do que aquela que está no ambiente interno.

Assim, o ideal é encontrar um ponto adequado entre eficiência energética e qualidade do ar interno.

Comitê de artigos técnicos da Smacna – Chapter Brasil

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