Roberto Peixoto

Patrocinado pelo capítulo brasileiro da Ashrae, evento mostra a importância da refrigeração

No dia 26 de junho, a Escola Senai Oscar Rodrigues Alves, em São Paulo, foi palco de mais uma edição do Refrigeration Day, o Dia Mundial da Refrigeração. O evento, organizado pelo Chapter Brasil da Ashrae, por meio de seu Comitê de Refrigeração, reuniu especialistas e entusiastas para celebrar uma área que, embora fundamental para a vida moderna, muitas vezes passa despercebida pelo grande público.

A ideia do Refrigeration Day surgiu de uma iniciativa do consultor britânico Stephen Gill, ex-presidente do Instituto de Refrigeração do Reino Unido, e foi celebrada pela primeira vez em 2019. A data escolhida, 26 de junho, homenageia Lord Kelvin, nascido em 26 de junho de 1824. Como destacou o organizador do evento, professor João Pimenta, a data ainda carece de ampla divulgação, mesmo entre os profissionais do setor. “Nós que somos do meio, às vezes, nem sabemos que essa data existe”, comentou, justificando a missão do comitê da Ashrae em promover celebrações que destaquem a importância da refrigeração.

João Pimenta

Esta foi a segunda edição consecutiva do evento no Senai Oscar Rodrigues Alves, e a avaliação dos organizadores foi extremamente positiva. Embora o público tenha sido ligeiramente menor que no ano anterior, a qualidade da programação foi apontada como um grande diferencial. “Acredito que foi um sucesso, houve uma melhoria”, afirmou Pimenta, ressaltando que a “grade de melhor qualidade” tornou o evento mais atraente e rico em conteúdo técnico.

A grade de palestras e mesas-redondas foi cuidadosamente elaborada para abordar a refrigeração em toda a sua amplitude, indo muito além das aplicações convencionais. Os temas apresentados evidenciaram a complexidade e a relevância da área. Após a saudação do então Presidente do Chapter da Ashrae, Cristiano Brasil, o professor Diego Londero, da Universidade Federal de Santa Catarina, abriu o evento traçando um panorama do setor de refrigeração. João Pimenta palestrou sobre um dos desafios mais urgentes da atualidade: a descarbonização do setor de refrigeração, alinhando a área às metas de sustentabilidade.

Em seguida, o professor Roberto Peixoto, do Instituto Mauá de Tecnologia, falou sobre o atual estágio da substituição dos fluidos refrigerantes. Peixoto traçou um panorama amplo e localizou como os vários mercados têm se posicionado.

A importância estratégica da criogenia foi a palestra proferida por Elinaldo Bendini, engenheiro da Fundação Butantan, que abordou o uso da refrigeração em processos especiais, como a produção e conservação de vacinas. A apresentação evidenciou a crucialidade da criogenia, tema pouco difundido, mas que se mostrou vital durante a pandemia da Covid-19, com a necessidade de armazenamento de vacinas a temperaturas ultrabaixas (como os -70°C exigidos pela vacina da Pfizer).

Mobilidade elétrica foi o tema desenvolvido pelo professor Guilherme Borges, do ITA, que trouxe uma perspectiva inovadora ao falar sobre sistemas de refrigeração para baterias de veículos elétricos, uma aplicação essencial para a expansão da mobilidade sustentável.

Tecnologia aplicada foi o tema explorado pelos representantes das empresas Danfoss e Bitzer, Davi Vidigal e Marcos Euzébio, que apresentaram palestras técnicas aprofundadas sobre dispositivos de expansão e compressores de refrigeração, respectivamente.

Para fechar a programação, o professor Edivaldo, do Senai, discutiu a importância do controle e automação em sistemas de refrigeração, demonstrando o alto grau de especialização exigido na área.

O grande valor do Refrigeration Day reside em sua capacidade de iluminar uma área que é a espinha dorsal da sociedade moderna, mas que opera silenciosamente nos bastidores. Como bem salientou Pimenta, a refrigeração vai muito além do ar-condicionado, um equívoco comum que a data busca corrigir.

A refrigeração está presente em data centers, que permitem o funcionamento da internet e das transações financeiras, na cadeia do frio, que preserva alimentos e medicamentos (como as vacinas), e em inúmeros processos industriais. É uma área apaixonante e vital que, muitas vezes, não recebe o reconhecimento que merece.

“Sou apaixonado por refrigeração, mais do que por ar-condicionado”, confessou Pimenta, expressando o entusiasmo que move os profissionais da área. Para ele, o evento é uma oportunidade de “mostrar para as pessoas a importância de uma área que a gente dedica a nossa vida”.

O Refrigeration Day no Senai Oscar Rodrigues Alves foi, portanto, muito mais do que uma reunião de engenheiros. Foi um marco na celebração de uma ciência que molda o mundo em que vivemos, reafirmando o compromisso dos profissionais da área com a inovação, a sustentabilidade e, acima de tudo, com a construção de um futuro em que a refrigeração seja devidamente valorizada por sua contribuição indispensável à humanidade.

 

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