É o que afirma Graziela Yang, da LG, ao defender a viabilidade desses sistemas em edifícios altos e grandes complexos prediais
A instalação de sistemas VRF apresenta diversos desafios. Entre eles, estão as largas distâncias entre unidades externas e internas e a grande quantidade de fluidos refrigerantes circulando nos ambientes. No primeiro caso, as dúvidas recaem sobre a eficiência dos sistemas, no segundo, a saúde dos ocupantes dos edifícios climatizados. Situações amplificadas quando se trata de edifícios altos ou de grandes complexos prediais. A indústria afirma que tais desafios são facilmente contornáveis, desde que os profissionais responsáveis pela instalação e manutenção respeitem as especificações de projeto e trabalhem amparados pelas boas práticas. É o que defende Graziela Yang, Gerente de Ar-condicionado Comercial da LG, em entrevista realizada por email pela revista Abrava+Climatização & Refrigeração e reproduzida no Portal EA.
Abrava + Climatização & Refrigeração: Qual a viabilidade dos sistemas VRF em edifícios altos?
Graziela Yang: Os sistemas VRF são plenamente viáveis em edifícios altos e, inclusive, vêm sendo cada vez mais adotados nesse tipo de aplicação. A evolução tecnológica dos últimos anos ampliou significativamente os limites operacionais desses sistemas, permitindo maiores desníveis verticais e distâncias entre unidades, sem comprometer desempenho e eficiência.
A LG vem desenvolvendo soluções VRF projetadas justamente para atender edifícios de múltiplos pavimentos, hotéis, hospitais e empreendimentos corporativos de grande porte. Esses sistemas incorporam compressores de alta eficiência, controles inteligentes e estratégias avançadas de gerenciamento de carga, capazes de ajustar a operação conforme a demanda real do edifício.
Além disso, o VRF oferece vantagens importantes para edificações altas, como flexibilidade de instalação, modularidade, menor necessidade de áreas técnicas em comparação a sistemas centrais tradicionais e controle individualizado por ambiente. Isso permite maior conforto ao usuário e melhor gestão energética do prédio como um todo.
Naturalmente, a viabilidade depende de um bom projeto executivo, com correto dimensionamento, análise de carga térmica, definição de trajetos de tubulação e atendimento às normas de segurança. Quando essas etapas são bem conduzidas, o VRF se mostra uma solução altamente eficiente e confiável para edifícios verticais.
A+CR: Como contornar a limitação imposta pela distância entre evaporadoras e condensadora em sistemas VRF instalados em edifícios altos?
GY: A limitação de distância é um ponto técnico relevante em sistemas VRF, mas hoje ela pode ser bem administrada com tecnologia adequada e, principalmente, com um projeto bem estruturado.
Os sistemas VRF atuais já permitem distâncias horizontais e desníveis verticais significativamente maiores do que no passado, graças à evolução de compressores, controles eletrônicos mais precisos e sistemas de gerenciamento de óleo e de retorno de refrigerante. Isso amplia bastante o campo de aplicação em edifícios altos.
Além disso, é comum adotar estratégias de projeto como a divisão do sistema por zonas ou por andares, uso de módulos condensadores combinados e posicionamento estratégico das unidades externas em pavimentos técnicos ou intermediários. Essas soluções reduzem trajetos críticos e ajudam a manter o desempenho do sistema.
Outro ponto essencial é o correto dimensionamento das tubulações e a execução conforme as recomendações do fabricante, incluindo testes de estanqueidade, vácuo adequado e controle de carga de refrigerante. Quando projeto e instalação são bem conduzidos, é possível atender grandes distâncias sem comprometer eficiência ou confiabilidade.
A+CR: Como resolver a questão da grande quantidade de fluidos refrigerantes circulando no interior dos espaços climatizados?
GY: Esse é um ponto importante em aplicações de VRF de grande porte. A forma mais eficaz de endereçar a questão é combinar engenharia de sistema com medidas de mitigação de risco, para que o VRF opere com eficiência sem comprometer a segurança dos ocupantes.
Na prática, isso envolve: segmentar o sistema por zonas, de forma que cada circuito atenda áreas específicas e reduza a concentração de refrigerante associada a um único trecho; dimensionar corretamente tubulações e volume atendido, seguindo as recomendações técnicas; e prever recursos de segurança, como estratégias de detecção de vazamento, ventilação adequada em áreas críticas e controles que permitam resposta rápida em caso de anomalia.
Além disso, é fundamental que o projeto esteja alinhado às normas e diretrizes aplicáveis e que a instalação seja executada por equipes qualificadas, com procedimentos rigorosos de estanqueidade e comissionamento. Em projetos bem planejados, é possível conciliar os benefícios do VRF com um alto nível de segurança operacional.
A+CR: Quais as precauções a serem tomadas em relação a vazamentos em linhas de líquidos em instalações de VRF em grandes edifícios?
GY: A prevenção de vazamentos começa no projeto e se estende por toda a execução e manutenção do sistema. Em instalações de grande porte, é essencial que o projeto de tubulação seja bem dimensionado, com definição correta de trajetos, diâmetros e pontos de conexão, sempre em conformidade com as recomendações do fabricante e com as normas técnicas aplicáveis.
Na fase de instalação, a qualidade da execução é determinante. Isso inclui procedimentos adequados de brasagem, limpeza interna das tubulações, realização de testes de estanqueidade, vácuo correto antes da liberação do refrigerante e comissionamento criterioso do sistema. Esses cuidados reduzem significativamente o risco de vazamentos ao longo da vida útil do equipamento.
Outro aspecto importante é a adoção de rotinas de manutenção preventiva e inspeções periódicas, que permitem identificar eventuais perdas de desempenho ou indícios de vazamento de forma precoce. Em projetos de maior porte, também pode ser recomendável avaliar soluções de monitoramento e detecção, dependendo das características da edificação e dos requisitos de segurança.
Quando todas essas etapas são respeitadas, os sistemas VRF podem operar de forma segura e confiável mesmo em aplicações complexas.
A+CR: Linhas de líquidos de sistemas VRF merecem atenção especial. Quais os procedimentos a serem observados?
GY: As linhas de líquido são parte crítica do sistema VRF porque influenciam diretamente a estabilidade da operação, a eficiência energética e a confiabilidade do conjunto. Por isso, alguns cuidados são fundamentais desde o projeto até a instalação.
O primeiro ponto é o dimensionamento correto das tubulações, conforme capacidade do sistema, distâncias envolvidas e orientações do fabricante. A escolha adequada de diâmetro e o controle dos comprimentos equivalentes ajudam a evitar perdas de desempenho e variações indesejadas de pressão.
Também é essencial garantir isolamento térmico apropriado, fixação adequada das linhas e proteção mecânica, principalmente em shafts e percursos longos dentro do edifício. Isso evita trocas térmicas indesejadas, condensação e danos físicos à tubulação.
Na instalação, devem ser seguidos rigorosamente os procedimentos de limpeza, brasagem adequada, testes de estanqueidade e vácuo, além do correto comissionamento do sistema. Esses processos asseguram que não haja umidade ou impurezas no circuito, o que poderia comprometer o funcionamento a longo prazo.
De forma geral, quando projeto, instalação e comissionamento seguem as boas práticas do setor e as recomendações técnicas do fabricante, as linhas de líquido operam com alto nível de confiabilidade mesmo em aplicações de grande porte.
A+CR: A grande distância entre as unidades não pode comprometer a eficiência do sistema? Como resolver essa questão?
GY: A distância entre unidades é um fator que precisa ser considerado no projeto, porque ela pode influenciar perdas de carga, controle de fluxo de refrigerante e resposta do sistema.
Os sistemas VRF atuais evoluíram bastante em termos de controle eletrônico, modulação de capacidade e gerenciamento de operação, o que permite atender projetos com maiores distâncias e desníveis quando bem dimensionados. O ponto central é sempre o planejamento técnico.
Para preservar a eficiência, é fundamental realizar cálculo preciso de carga térmica, definir adequadamente diâmetros e trajetos de tubulação, posicionar estrategicamente as unidades externas e respeitar os limites de aplicação do sistema. Em muitos casos, a segmentação do projeto por áreas ou pavimentos também contribui para manter o desempenho.
Em resumo, a eficiência está muito mais relacionada à qualidade do projeto e da instalação do que simplesmente à distância. Quando o sistema é bem especificado e executado por profissionais qualificados, o VRF pode manter alto desempenho mesmo em edifícios de maior porte.






