
Ao profissional de instalação não basta saber fazer o vácuo e calcular a bitola elétrica
O mercado de ar-condicionado split passou por uma transformação silenciosa, literalmente. A evolução deixou de ser uma corrida apenas por maior capacidade de refrigeração e selos de eficiência energética. Hoje, o estado da arte em climatização se define pela tríade: eficiência, conforto acústico e inteligência artificial.
Para o instalador, que atua na linha de frente, entender essas tecnologias não é mais um diferencial, mas uma necessidade para especificar corretamente, evitar retrabalhos e agregar valor ao cliente final. Nesta matéria, introduzimos alguns aspectos técnicos que estão redefinindo os padrões de ruído e fluxo de ar, com a visão de dois especialistas do setor: Geraldo Souza, Coordenador de Suporte Comercial da Fujitsu General do Brasil, e Leonardo Marques, Product Manager CAC & FJM da Samsung.
Convergência entre eficiência e baixo nível de ruído
A evolução da eficiência energética andou de mãos dadas com a redução do ruído? A resposta dos especialistas é que, sim, houve essa evolução. “Houve avanços significativos na redução do ruído, acompanhando a evolução da eficiência energética”, afirma Souza. Ele destaca um marco técnico impressionante: “Em ambientes residenciais, já é comum encontrar unidades internas operando abaixo de 21 dB(A), em modo silencioso, algo impensável há alguns anos.”
Para a Samsung, essa integração é a base de uma nova filosofia de produto. “Os aparelhos deixaram de ser soluções isoladas para se tornarem parte ativa de um ecossistema inteligente”, explica Leonardo Marques. Nesse ecossistema, o conforto acústico é um elemento central da experiência. A prova disso é a tecnologia WindFree™ da marca, que, segundo ele, permite que as unidades internas operem em níveis extremamente baixos de ruído, “chegando a cerca de 16 dB”, após atingir a temperatura desejada. Para o instalador, isso significa que o dimensionamento correto e a instalação impecável são cruciais para que esses ganhos tecnológicos se concretizem na prática.
Do jato direto à distribuição homogênea
O paradigma do fluxo de ar mudou. O antigo objetivo de “jogar ar gelado” deu lugar à busca por uma climatização homogênea e sem correntes de ar desconfortáveis. “Os equipamentos atuais apresentam distribuição de ar mais homogênea, maior alcance com menor velocidade aparente e redução de correntes de ar desconfortáveis”, detalha Geraldo Souza. Ele menciona que a linha premium da Fujitsu utiliza uma tecnologia patenteada no Japão que garante que “o fluxo de ar climatiza de forma confortável, sem incidir diretamente sobre o usuário”.
Essa mudança de abordagem é ainda mais radical em outras soluções de mercado. “A Samsung inverteu essa abordagem com a tecnologia WindFree™”, explica Marques. “Essa tecnologia prioriza a distribuição homogênea da temperatura no ambiente, sem correntes de ar diretas.” O ar é disperso por meio de microfuros, de forma multidirecional e suave. Para o técnico, isso implica em novos desafios de instalação: o posicionamento da evaporadora e a garantia de que não haja obstáculos para essa dispersão suave são fundamentais para o desempenho.
Anatomia do silêncio: compressores, ventiladores e eletrônica
O que, de fato, contribui para essa redução drástica de ruído? A resposta é um conjunto de fatores, mas com um protagonista claro.
“O compressor inverter foi o divisor de águas, enquanto os ventiladores refinam o resultado”, resume especialista da Fujitsu. Ele detalha os principais contribuintes:
- Compressores inverter: “Eliminação de partidas bruscas” e “operação contínua e modulada” são os fatores-chave. A Fujitsu leva isso ao extremo em sua linha premium, que utiliza “compressor inverter, motor ventilador da condensadora e motor ventilador da evaporadora inverter, além de válvula de expansão eletrônica”. Esse conjunto permite um controle preciso do fluxo de gás, reduzindo o esforço dos componentes.
- Ventiladores aerodinâmicos: O design das pás, muitas vezes com “perfil biomimético”, visa a “menor turbulência”, uma fonte primária de ruído.
- Controle eletrônico avançado: “Ajustes finos de rotação conforme carga térmica” evitam que o sistema opere em rotações desnecessariamente altas.
Na Samsung, a visão é complementar. “O compressor Digital Inverter e a tecnologia WindFree™ atuam de forma complementar”, afirma o porta-voz da empresa. O compressor garante uma operação estável, “com menos variações bruscas”. Já a tecnologia WindFree™ evita que o aparelho funcione constantemente em alta rotação, mantendo a climatização de forma regular e silenciosa após o resfriamento inicial.
A inteligência por trás do fluxo de ar perfeito
Se o compressor é o coração, o sistema de controle de fluxo de ar é o cérebro da operação. “O maior impacto vem do design aerodinâmico das evaporadoras, ventiladores de maior diâmetro e menor rotação, e defletores e aletas motorizadas e inteligentes”, explica Souza, da Fujitsu. O uso de “sensores de presença e temperatura” é o que permite que o foco deixe de ser “mais vazão” e passe a ser o “melhor direcionamento e controle do ar”.
Leonardo Marques reforça a mudança de métrica: “Durante muito tempo, o desempenho desses aparelhos foi medido principalmente pela força do jato de ar. Hoje, o foco passou a ser a distribuição inteligente e equilibrada da temperatura.” O objetivo final é que o usuário se sinta confortável “sem jatos gelados, sem ressecamento intenso”.
IA, conectividade e o papel do instalador
Olhando para o futuro, as tecnologias mais promissoras miram um equipamento quase imperceptível. Geraldo Souza aponta para “compressores com sistema inverter e a utilização do fluido R-32”, que além de eficiente, permite projetos mais compactos. Ele também destaca o “isolamento acústico com novos polímeros e espumas técnicas” e o “controle de ruído baixo (Low Noise Control)”, que atacam não só a fonte do ruído, mas também sua propagação.
Para Leonardo Marques, a grande fronteira é a inteligência artificial aplicada. “Uma das principais tecnologias nesse avanço é a inteligência artificial aplicada ao controle do funcionamento do equipamento como um todo.” Integrada a plataformas como o SmartThings, a IA aprende as rotinas do usuário e permite que o compressor funcione de “maneira mais estável e precisa, ajustando sua intensidade apenas quando necessário. Isso reduz vibrações, evita picos de funcionamento e, como consequência direta, diminui significativamente o nível de ruído”.
Quanto ao controle de fluxo de ar, a personalização é a palavra de ordem. Geraldo Souza vê um futuro com “aletas independentes multizona, sensores de presença e mapeamento térmico do ambiente”, cujo objetivo é o “conforto personalizado”. Marques complementa que a tendência são aparelhos que “aprendam de forma contínua a rotina dos usuários, antecipem necessidades e ajustem automaticamente parâmetros como nível de ruído, fluxo de ar e uso de energia”.
O instalador como integrador de sistemas inteligentes
Para o técnico instalador, a mensagem final é clara: o split deixa de ser um mero equipamento de climatização. Como sintetiza Souza, ele se torna “um sistema inteligente de conforto ambiental”. Marques arremata, definindo o novo papel do ar-condicionado como “uma solução que pode auxiliar na sustentabilidade dentro das residências”, com um papel ativo na gestão do conforto e do consumo energético.

Geraldo Souza, Coordenador de Suporte Comercial
Isso exige do profissional uma nova postura. Não basta mais saber fazer o vácuo e calcular a bitola elétrica. É preciso entender de sensores, conectividade, perfis de operação de inverter e, principalmente, de como as tecnologias de conforto acústico e de fluxo de ar interagem com o ambiente e com a rotina do usuário. O instalador de sucesso será aquele que se tornar um verdadeiro integrador de sistemas de conforto ambiental.
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