
É impensável uma instalação sem o uso de ventilação e refrigeração, seja na produção de proteína animal ou na armazenagem de grãos, frutas, verduras e legumes
Atualmente não se pode conceber uma instalação do agronegócio sem o AVACR. Equipamentos de refrigeração, ventilação e ar-condicionado fazem parte do cotidiano do negócio nas mais variadas aplicações, como avicultura, suinocultura, bovinocultura, armazenagem de grãos, desenvolvimento de mudas e embriões, conservação de alimentos, entre muitos outros.
Na avicultura, suinocultura e bovinocultura, por exemplo, o uso é amplo. A ventilação e mesmo o ar-condicionado, em ambientes mais sofisticados, como desenvolvimento de matrizes, ajudam no controle da temperatura e umidade em galpões. Os benefícios são diversos. Ao reduzir o estresse térmico, por exemplo, frangos para abate ganham peso mais rapidamentee galinhas poedeiras aumentam a produção de ovos.
Na criação de suínos, ao manter uma temperatura ideal e controlar a umidade, a climatização evita a concentração de gases, prevenindo doenças respiratórias. Da mesma maneira, a melhora do bem-estar animal redunda em melhor conversão alimentar.
“Os benefícios da ventilação são bem claros”, diz Baldissera. “Na avicultura, por exemplo, uma ventilação bem dimensionada pode aumentar a produtividade em até 20%. Na suinocultura, reduz-se a incidência de doenças respiratórias e melhora-se o ganho de peso. Já na bovinocultura leiteira, a combinação de ventilação com nebulização pode elevar a produção de leite em até 15%. Ou seja, ventilar bem dá retorno direto e rápido.”
Também em galpões e salas de ordenha o conforto térmico é essencial na bovinocultura moderna. A diminuição do estresse térmico em vacas leiteiras aumenta a produção do leite. A redução da proliferação de moscas e bactérias, graças à melhor circulação do ar, reduz o índice de doenças.
A ventilação também tem lugar no controleda umidade e temperatura em silos e armazéns. Dessa maneira, evita o surgimento de fungos e o aquecimento de grãos que poderiam acarretar perdas por deterioração.
No caso de estufas e cultivos protegidos, os benefícios não são diferentes. Ao regular temperatura, umidade e nível de CO₂ em estufas de vegetais e flores, a climatização promove a otimização do crescimento das plantas, previne doenças fúngicas e melhora a eficiência fotossintética. O controle da temperatura e umidade através da refrigeração, preserva a germinação e o vigor das sementes, evitando fungos e perdas.
Não por outro motivo que Laura Baldissera, diretora da Projelmec, não hesita em dizer que “a ventilação está presente em praticamente todas as etapas do agronegócio.Os setores que mais demandam, segundo ela, são:
– Avicultura, suinocultura e bovinocultura, onde o foco é garantir conforto térmico, renovação do ar e controle de gases como amônia. Aqui, o ventilador tem função direta na produtividade animal;
– Secagem e armazenagem de grãos, onde a ventilação é usada para controlar temperatura e umidade. A lógica é simples: sem ar em movimento, o grão estraga;
– Estufas e viveiros, que dependem de microclima estável para o desenvolvimento de mudas;
– E, claro, nos galpões de beneficiamento agrícola, onde lidamos com partículas, calor e gases, a ventilação aqui entra como segurança e conforto ocupacional.”
“Na secagem e armazenagem, a ventilação é responsável por manter os grãos em boas condições. Sem controle de temperatura e umidade, o risco é alto: surgem fungos, insetos e pontos quentes que comprometem a qualidadee o valor do produto. A ventilação aqui não é conforto. É proteção de patrimônio”, alerta ela.
A diretora da Projelmec lista os equipamentos mais comuns nessas aplicações. “O equipamento mais comum é o ventilador axial, pela alta vazão e eficiência energética. Dentro dele, temos: os que atuam na exaustão, retirando o ar quente e úmido do ambiente (às vezes combinados com painéis evaporativos na entrada);e os que fazem a circulação interna, movimentando o ar dentro dos galpões e quebrando bolsões de calor.A escolha depende do layout, densidade animal e das condições do ambiente. E é bom lembrar: ventilador no agro precisa resistir a poeira, umidade e a uma dose generosa de amônia no ar.”
Baldissera estabelece, também, os sistemas de ventilação mais indicados para as várias aplicações. “Para granjas, a ventilação tipo túnel, exaustores axiais com painéis evaporativos e ventilação positiva.Para armazenagem e secagem de grãos, o uso de ventiladores centrífugos tipo limitload, que garantem vazão estável mesmo com variações na resistência dos silos ou dutos.Para estufas, exaustores com controle automático e ventiladores suspensos para circulação de ar.”

Laura Baldissera
“As tecnologias mais promissoras envolvem automação, sensores ambientais e controle remoto, ainda não tão difundidos quanto poderiam, mas com enorme potencial no campo.Os principais parâmetros a serem atendidos são: temperatura, umidade relativa, renovação de ar e níveis de CO₂ e luminosidade. Esses fatores são controlados por meio de sistemas automáticos com ventiladores, nebulizadores, sombreamento, cortinas móveis e sensores climáticos. Quanto mais integrado e responsivo o sistema, melhor o desempenho das mudas e menos variação no resultado” explica a diretora da Projelmec.
Sem dúvida, é no processamento e conservação de alimentos que a refrigeração mostra toda a sua essencialidade. A começar pela conservação de frutas, verduras e legumes in natura. Câmaras de atmosfera modificada, por exemplo, reduzem a respiração dos produtos elevando sua longevidade.
Seria impensável uma indústria de processamento de proteína animal, por exemplo, sem o uso da refrigeração. Crítica para a produção de leita, carne, queijos e derivados, apenas através da refrigeração podem ser atendidas as várias normas sanitárias. Sem falar nas câmaras de armazenagem e túneis de congelamento.
Mesmo na produção de bebidas, como vinhos e cervejas, a refrigeração torna-se imprescindível. Fermentação e armazenamento exigem controle preciso de temperatura.
Em relação à evolução das tecnologias e equipamentos de ventilação aplicados ao agronegócio, Laura Baldissera é taxativa. “O agro já deixou para trás o tempo dos ventiladores improvisados e dos ajustes ‘no olho’. Hoje, falamos em equipamentos mais robustos, silenciosos, eficientes e com melhor resistência à corrosão. A digitalização ainda caminha devagar, mas sensores, monitoramento remoto e manutenção preditiva começam a aparecer, principalmente em sistemas maiores ou propriedades mais tecnificadas.E tudo isso tem um ponto em comum: quando a ventilação falha, o prejuízo não é só térmico, é financeiro.”






