Nos próximos 4 a 5 anos a tendência é triplicar toda a base que foi instalada nos últimos 25 anos

O mercado de data centers vive um momento único de expectativa de expansão e incertezas. Ao mesmo tempo em que o mundo urge por novas instalações para atender às novas tecnologias e ferramentas, existem diversos desafios, como disponibilidade de energia, responsabilidade ambiental e até aspectos políticos. O Brasil é um dos países que mais possui vantagens para a instalação de data centers neste momento. Sendo assim, existem aproximadamente 50 projetos de novos data centers planejados no Brasil, o que triplicaria a nossa capacidade em termos de potência elétrica (dos atuais 700MW para algo acima dos 2GW). Porém, ainda dependemos de parte da demanda global ser destinada à nossa região.

O TC 9.9 da Ashrae vem ditando as temperaturas e umidade aceitáveis em data centers desde a sua criação para termos uma referência da faixa de operação. Hoje, o que se vê na média, são temperaturas de até 26oC no corredor frio, comumidade relativa de até 75%. Porém, visando uma maior eficiência energética, já existem instalações operando com um limite de quase 30oC no corredor frio, e umidade relativa de 80%. Entretanto, estas faixas estão sempre em revisão devido à chegada de novos computadores e, consequentemente, novas exigências de operação.

A regra principal de um data center é ter 100% de disponibilidade. Ou seja, um data center não pode parar sua operação. Para aumentarmos esta disponibilidade (hoje falamos em 7 noves, ou 99, 99999% de disponibilidade), implementamos redudância nas instalações em diversos níveis (também chamado no mercado de manutenção concorrente). Isto é atingidoconcebendo uma instalação com mais equipamentos do que a operação necessita para que, no caso de falha de um equipamento, outro esteja pronto para assumir sua operação.

Quando se trata de consumo de energia, sempre buscamos a melhor eficiência energética possível. A área que sempre será a de maior possibilidade de melhorias neste aspecto é a climatização de um data center. E não há segredo, quanto maior a temperatura de operação de um data center, menos se exige em termos de climatização, possibilitando uma instalação mais eficiente. O conceito de um projeto deve buscar a maior temperatura de operação possível e o meio mais eficiente de atingir essa temperatura, utilizando uma excelente engenharia na instalação e aplicação dos equipamentos mais eficientes dentro dos parâmetros estabelecidos.

Os equipamentos devem entregar eficiência e confiabilidade. Um data center opera de forma ininterrupta (24/7). Portanto, para gerar confiabilidade, o equipamento deve ser projetado para esta finalidade. Os componentes do equipamento devem ser dimensionados para isso. Para se obter eficiência, o equipamento deve ter sido projetado para operar nas condições que um data center necessita.

O mercado de data center exige muita qualidade na sua instalação. Os projetos de data centers já atingem esta qualidade e as instaladoras devem sequir o projeto,que já foi discutido com os clientes e, se estão em execução, já foram aprovados nos mais diferentes níveis. Outro fator importante, além da qualidade, é a rapidez na instalação. Os prazos no mercado de data center contam muito, pois, quanto mais cedo se coloca uma operação no ar, mais cedo o cliente consegue atender o mercado e aumentar sua receita.

A tendência no momento é a aplicação do liquidcooling. Para ficar claro, o liquidcoolingnão vai substituir o formato atual de climatização. A climatizaçaõ do ar ainda será necessária para complementar o sistema de resfriamento que será baseado em liquidcooling. Os 2 principais tipos de liquidcoolingsão o direct-to-chip e o immersioncooling. O immersioncooling é um método de resfriamento de equipamentos de IT através da imersão destes equipamentos em um líquido dielétrico (que não transmite corrente elétrica). O direct-to-chipleva um líquido refrigerante para um trocador de calor dentro do computador (direto ao chip). Hoje, qualquer projeto que visa atender a uma operação de inteligência artificial necessita ter uma destas tecnologias aplicada.

O mercado precisa se preparar para este momento. Estamos falando em triplicar nos próximos 4 ou 5 anos tudo que foi instalado nos últimos 25 anos. A nossa cadeia de suprimentos não está pronta para isso. Se esta realidade se concretizar, teremos uma falta de recursos de mão de obra qualificada e de disponibilidade de equipamentos. Não há mais espaço neste setor para empresas que não estejam preparadas para entregar eficiência, qualidade e competência.

Fernando Madureira é diretor comercial da Deerns

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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