Computer Room Air Handler (Divulgação Indústrias Tosi)

Dado o alto consumo energético desse tipo de instalação, vários parâmetros têm sido atualizados no sentido de torná-los mais eficientes

As previsões de crescimento do mercado de data centers para o próximo período variam conforme a fonte, mas, em geral, o crescimento global é estimado entre 8% e 14% e, no Brasil, de 10% a 16,7%. Globalmente estão previstos investimentos de U$ 750 bilhões só para data centers de inteligência artificial. No Brasil vemos uma expansão mais acelerada regionalmente com atenção especial a hiperscale, em regiões de São Paulo, que concentra de 52% a 77% da capacidade nacional, mas também estamos vendo o surgimento de novos data centers em Fortaleza por conta da chegada de cabos submarinos de fibra ótica nesta região.

Dado o alto consumo energético desse tipo de instalação, vários parâmetros têm sido atualizados no sentido de torná-los mais eficientes. Os parâmetros de temperatura e umidade para instalações de data centers são frequentemente atualizados pela Ashrae, através da T.C. 9.9 Thermal Guidelines for Data Processing Environments. Na tabela podemos ver como eles foram evoluindo ao longo dos últimos anos.

Como podemos verificar, os parâmetros estabelecidos na quarta edição de 2015 permaneceram nas edições seguintes de 2018, 2021 e 2024. Contudo, na quinta edição de 2021 foi introduzida uma nova classe, a H1 para equipamentos de alta densidade, com faixa de temperatura mais restrita, recomendada de 18ºC a 22ºC e aceita até 25ºC.

Importante lembrar que estes parâmetros são do ar de entrada nos servidores, e não do ambiente do data center em que temos temperaturas diferentes nos corredores frios e quentes.

Os pontos críticos de uma instalação de data centers aos quais o projeto deve atender são a disponibilidade ininterrupta de energia elétrica e climatização, com possibilidade de paralização de qualquer equipamento ou dispositivo para manutenção sem que esta disponibilidade seja afetada, conforme determina a certificação TIER III do Uptime Institute, razão pela qual sempre existem equipamentos de reserva para estas funções.

Na conceituação do projeto de um data center, deve ser considerada a escalabilidade para que sua área e capacidade possamaumentar conforme o crescimento da demanda de serviços digitais, sem que isto afete o consumo de energia inicial e final, a separação do ar frio de alimentação dos servidores do ar quente de expurgo dos mesmos, as temperaturas operacionais e a eficiência dos equipamentos, entre outros detalhes. As últimas tendências visando redução no consumo de energia têm sido de eliminação do piso elevado com confinamento dos corredores quentes, utilização de CRAH (Computer Room Air Handlers) do tipo fan wall, cuja relação consumo dos ventiladores por vazão de ar é melhor, sistemas de água gelada operando com temperatura acima de 18ºC com DT de até 10ºC, sistemas de free cooling direto e indireto, resfriamento adiabático e, mais recentemente, a adoção de sistemas de liquid cooling (refrigeração por líquido) que podem ser tanto do tipo direct to chip, como por imersão em fluido dielétrico.

As características exigidas de cada equipamento que compõe uma instalação de climatização de data centers são: eficiência energética, confiabilidade (alto MTBF – mean time between fails ou tempo médio entre falhas, na tradução), e facilidade para manutenção.

Uma empresa instaladora de sistemas de climatização para data centers precisa possuir engenharia com conhecimento técnico e experiência neste tipo de instalação, e capital compatível com o tamanho da instalação que pretende executar, pois, os contratos possuem cláusulas com multas por não cumprimento do prazo e falhas na construção bastante severas.

Neste mercado de data centers, a disponibilidade de energia elétrica para a expansão prevista e necessária é uma preocupação global, já existem países que não estão permitindo a instalação de novos data centers por não ter energia elétrica suficiente para novas instalações. Nos Estados Unidos já estão sendo projetados novos data centers com pequenas centrais nucleares para atendimento de sua própria demanda; outra preocupação é com o uso de energias renováveis. Neste sentido, o Brasil é visto como um mercado muito promissor para novos data centers por conta da sua matriz energética.

Marcos Santamaria Alves Corrêa é engenheiro de aplicação nas Indústrias Tosi

 

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