Ao substituir sistemas baseados em combustíveis fósseis, tecnologia corta as emissões de CO₂; em fontes renováveis a redução de emissões é ainda maior

Impulsionado pela transição energética, políticas de descarbonização e avanços tecnológicos, o mercado mundial de bombas de calor tem experimentado grande expansão nos últimos anos, embora as vendas na Europa, o maior mercado para esses equipamentos, sofreram um recuo de 23% em 2024, retornando aos níveis pré-guerra na Ucrânia. Exceção para o Reino Unido, que registrou crescimento de 63% no mesmo período. Incertezas sobre as regulamentações, principalmente na Alemanha, contribuíram para o resultado total.

De qualquer maneira, em 2024,o mercadoglobal desses equipamentosmovimentou cerca de US$ 100 bilhões, segundo a European Heat Pump Association (EHPA). A organização prevê, para 2025, uma expansão para US$ 123,42 bilhões. Até 2034 a projeção é de que esse mercado atinja a marca de US$ 276 bilhões, com crescimento médio anual 9,37%.

No entanto, a Agência Internacional de Energia (IEA), destaca que as vendas globais de bombas de calor precisam crescer mais de 15% ao ano nesta década para atingir as metas de emissões líquidas zero até 2050. De fato, atualmente, esses equipamentos atendem 10% das necessidades globais de aquecimento, com a expectativa de alcançar 20% até 2030.

A Europa, ainda de acordo com a EHPA, é um dos mercados líderes, com 25,5 milhões de unidades instaladas em 19 países analisados até o presente ano.AUnião Europeiapersegue a meta de 10 milhões de bombas de calor adicionais até 2027 e 30 milhões até 2030, conforme o Plano REPowerEU.

Dentre os fatores de crescimento deste mercado, estão os incentivos governamentais oferecidos por mais de 30 países, sejam através de subsídios ou créditos fiscais.Eficiência energéticatambém impulsiona esse crescimento, uma vez que as bombas de calor emitem de 3 a 5 vezes menos CO₂ do que caldeiras a gás. Por fim, não menos importante, está a possibilidade de elevar a independência energéticaem regiões que utilizam, prioritariamente,os combustíveis fósseis.

Segmentação por regiões

A Europa é, de longe, o maior mercado para as bombas de calor, com 38,7% da receita global. Regulamentações rigorosas, como a proibição de caldeiras a gás nos Países Baixos e metas de neutralidade carbônica até 2050, têm impulsionado o crescimento.

A Ásia-Pacífico é a região com maior taxa de crescimento do mercado, em torno de 10,5% ao ano. A liderança, por óbvio,pertence à China, seguida de perto por Japão e Coreia do Sul. A China destaca-se por políticas de infraestrutura energética e diversificação climática.

Na América do Norte, o crescimento tem sido acelerado, por enquanto, por normas como o Código de Energia da Califórnia (EUA), que exige bombas de calor em novas construções residenciais.Impossível saber se o ritmo se mantém diante das políticas negacionistas do governo Trump.

Por tipos de aplicação, as bombas ar-ar lideram com 45,2% do mercado, devido ao custo mais atrativo, aliado à facilidade de instalação. A bombas geotérmicas, menos comuns, embora de eficiência superior, também se destacam em climas extremos.

O setor residencial ainda é o principal segmento, com crescimento de 20% ao ano na Europa. Projeções da Daikin apontam para 4 milhões de instalações ano até 2030 no segmento. Sistemas híbridos, integrados à energia solar, têm ganhado terreno em centros de compras, hotéis e supermercados.

O uso de fluidos refrigerantes como o R-290 tem sido incentivado, no objetivo de reduzir os impactos ambientais, embora o R-32 seja uma opção forte. Ferramentas de IoT e monitoramento remoto já estão presentes em 25% das instalações realizadas em 2024. Da mesma forma que o uso de compressores inverter.

Entre os principais fornecedores globais estão a Daikin, com robustos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Mitsubishi e Trane Technologies destacam-se no segmento de alta temperatura para aplicações comerciais. A Midea Group também tem tido uma postura agressiva, incluindo uma nova fábrica na Itália. No Brasil, a JellyFish, parte das Indústrias Tosi, tem realizado fortes investimentos no desenvolvimento de bombas de calor mais eficientes e, com isso, marcado forte presença no segmento.

Embora altamente vantajosas e com generosas oportunidades, inclusive com a possibilidade de integração a redes de energias renováveis, o custo elevado de instalação e a escassez de mão de obra qualificada têm sido uma barreira para sua disseminação em todo o mundo. Na Europa serão necessários cerca de 750 mil instaladores até 2030. No Brasil não poderia ser diferente, ainda que, ao lado da Índia, o país tem visto crescer o uso da tecnologia, principalmente para o aquecimento de piscinas.

Em resumo, as bombas de calor são uma tecnologia chave para a transição energética, especialmente quando combinadas com a expansão de energias renováveis. Em uma matriz renovável, as bombas de calor maximizam a utilização da eletricidade limpa, melhoram a eficiência do sistema energético e ajudam a alcançar metas de sustentabilidade.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), sua adoção em larga escala poderia reduzir as emissões globais de CO₂ em pelo menos 500 milhões de toneladas até 2030.A IEA e a EHPA, projetam um crescimento robusto no longo prazo, impulsionado por políticas climáticas e avanços tecnológicos. No entanto, o ritmo atual ainda está abaixo do necessário para cumprir as metas de descarbonização.

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Crédito da foto http://www.dreamstime.com/stock-photography-outdoor-air-conditioning-heat-pump-units-pumps-as-used-houses-central-heating-produces-cold-hot-image146570952

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