
Mesa redonda discutiu destinação de fluidos refrigerantes
Os fluidos refrigerantes de baixo GWP alternativos aos HFCs e a destinação correta de fluidos refrigerantes foram os eixos centrais da quarta mesa-redonda do Conbrava. O encontro, coordenado por Roberto Peixoto e Maria Celina Bacellar (Johnson Controls), evidenciou os avanços e os desafios de um tema prioritário para o setor e para as políticas ambientais do país.
Peixoto contextualizou o debate dentro de uma abordagem mais ampla sobre os caminhos para reduzir emissões de gases de efeito estufa. Segundo ele, o objetivo foi alcançado ao dividirem a mesa de fluidos refrigerantes em duas etapas: a substituição dos HFCs por alternativas de baixo GWP, em conformidade com a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, e a gestão do ciclo de vida dos refrigerantes, envolvendo previsão de fugas, recolhimento, reciclagem e regeneração e destruição.
“Discutimos as barreiras, as oportunidades e a necessidade de treinamento e normas para lidar com novos fluidos de baixo GWP, que são na maioria inflamáveis e tóxicos. Foi um momento fundamental para reforçar o compromisso do setor com a mitigação das mudanças climáticas e a proteção da Camada de Ozônio”, afirmou.
Edgard Neto, do Pnud, Lucas Fugita, da Chemours, e Danilo Gualbino, da Honeywell, ressaltaram a necessidade de capacitação dos técnicos envolvidos com a instalação e manutenção de sistemas de ar-condicionado e refrigeração em boas práticas de manuseio de fluidos inflamáveis como o R-290 (propano) e os HFOs.

Mesa redonda sobre fluidos refrigerantes
Frank Amorim, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), lembrou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina a destinação final adequada de gases refrigerantes, reforçada pela proibição do Ibama contra o descarte intencional na atmosfera de substâncias controladas. Embora mais de 17 mil técnicos já tenham sido treinados em boas práticas pelo Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), a logística para encaminhar fluidos como o R-22 a centros de reciclagem ou regeneração ainda avança de forma lenta.
Esse cenário tende a mudar, segundo Ana Paula Leal, gerente de Projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que anunciou a expansão da rede de centrais de regeneração. Atualmente presentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, as estruturas ganharão mais três unidades, incluindo a primeira da Região Norte, em Manaus.
Sandro Germano, vice-presidente do Capítulo Brasil do IIAR, destacou que a tradução dos standards do IIAR em parceria com a ABNT, tem por objetivo produzir uma versão técnica de referência de boas práticas em refrigeração por amônia e outros fluidos naturais, alinhada com a realidade nacional e com os padrões da ABNT.
Do ponto de vista empresarial, Thiago Pietrobon, diretor da Ecosuporte e da Abrava, destacou a logística reversa como gargalo crítico para o setor. Ele defendeu a instalação de pontos de recolhimento em comércios especializados, aproximando técnicos da cadeia de destinação.
Na mesma linha, Filipe Colaço, presidente do Departamento Nacional de Meio Ambiente da Abrava e diretor da Recigases, ressaltou a regeneração como peça-chave de uma economia circular, mas alertou para os riscos da informalidade: “Infelizmente, ainda lidamos com produtos adulterados e ilegais, o que fragiliza a credibilidade de quem segue os padrões técnicos”.
Ao final da mesa-redonda, o tema deu abertura para o lançamento da Renabrava 13 – Recomendação Abrava, que trata o tema “Práticas recomendadas para o manuseio seguro de fluidos refrigerantes inflamáveis (A2, A2L, A3, B2L, B2 e B3)”, que pode ser consultada no https://abrava.com.br/normalizacoes/renabravas/
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