
Mesa redonda de qualidade do ar
A importância da qualidade do ar interior (QAI) e os meios para sua efetiva implementação técnica foram debatidos na mesa-redonda realizada durante o Conbrava 2025, reunindo os especialistas Celso Simões Alexandre (Presidente da SBCC e membro do board da Ashrae Brasil), Paolo Tronville (Politécnico di Torino – Itália) e o médico e ex-vereador de São Paulo, Gilberto Natalini, sob coordenação dos engenheiros Antonio Luís de Campos Mariani e Arthur Aikawa, atuantes em projetos de QAI na USP.
As principais conclusões apontam que a saúde respiratória de quem frequenta ambientes interiores não pode depender de uma próxima pandemia para ser tratada como prioridade. E os debatedores concordaram que as mudanças climáticas e os fenômenos relacionados a elas estão trazendo novos tipos de poluentes e de microrganismos, exigindo que as soluções técnicas para QAI ampliem sua presença em sistemas de ventilação e ar-condicionado em edificações.
O engenheiro Antonio Mariani destacou problemas na edição mais recente da Parte 3 da NBR 16.401 – Norma Brasileira de Ar Condicionado e Ventilação, que trata de QAI, publicada em novembro de 2024 e suspensa em maio de 2025. “Na edição publicada, os modelos e equações estavam prejudicados e sua aplicação não viabilizaram um passo à frente”, afirmou, acrescentando que já estão sendo estudadas soluções para corrigir as incongruências.
Mariani lembrou que projetos voltados à boa qualidade do ar podem exigir maior investimento devido a componentes e cuidados adicionais. Nesse mesmo sentido, Celso Simões ressaltou a resistência de alguns proprietários e de empresas, que atuam na integração de soluções para edificações, em ceder espaço para equipamentos maiores ou lidar com a necessidade de maior disponibilidade de pressão no sistema para melhorar a filtragem. Aikawa contribuiu chamando todos a “pensar fora da caixa”, priorizando a necessidade de ampliar a divulgação da importância da qualidade do ar.
O professor Paolo Tronville concorda que os obstáculos não se restringem ao Brasil: “Na Itália e na Europa também existem desafios neste campo. Mas, com as últimas exigências estabelecidas nas recentes normas internacionais, é possível implementar processos e soluções técnicas que tragam novos patamares para a obtenção da QAI”.
Para Gilberto Natalini pode haver avanço importante com a evolução da questão política. O médico lembrou que seu projeto de lei sobre qualidade do ar em edificações paulistanas segue parado na Câmara Municipal. “Apenas a pressão social e de entidades, como a Abrava, pode mudar a situação na direção da aprovação de legislação municipal inédita no Brasil, e que irá colaborar com a Qualidade do Ar em ambientes Interiores, vencendo interesses econômicos contrários”, defendeu.
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