De acordo com a segunda pesquisa realizada pelo Comitê de Mulheres da Abrava, em 2025, com 292 respostas, 26% a mais que na edição anterior, de 2020, o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R) tem visto e sentido mudanças significativas na trajetória e presença das profissionais mulheres ao longo dos últimos cinco anos.

“O resultado da nossa pesquisa mostra que estamos no caminho certo. O setor está mudando — mais mulheres estão se qualificando, liderando e mostrando que competência não tem gênero. O desafio do Comitê de Mulheres da Abrava é transformar essa presença em permanência, garantindo uma indústria cada vez mais inclusiva, diversa e sustentável para as próximas gerações”, declara Juliana Reinhardt, presidente do Comitê.

Dados da pesquisa

Os dados apontam avanços importantes: cresce a presença feminina em cargos de liderança e diretoria, revelando maior protagonismo nas decisões estratégicas. Mais mulheres têm clareza sobre seus objetivos de carreira e demonstram consciência na construção de suas trajetórias profissionais, movimento que reduziu em quase 11 pontos percentuais o número das que aguardavam apenas reconhecimento sem plano definido.

Outro ponto positivo é a queda na percepção de desigualdade salarial, que passou de 39,4% em 2020 para 27,6% em 2025, além da redução nas dificuldades de acesso a cursos de capacitação por questões financeiras. A procura por especializações e cursos online também cresceu, ampliando o acesso à qualificação em diferentes regiões do país.

De acordo com Ana Carolina Rodrigues, VP do Comitê, e coordenadora da pesquisa “nos últimos cinco anos, a participação das mulheres em nossa área avançou significativamente, com maior presença e protagonismo no nosso setor em diferentes áreas de atuação, especialmente de liderança. Apesar desse progresso, ainda persistem desafios, como a conciliação entre carreira e maternidade”

“A pesquisa trouxe insights valiosos para as novas ações do Comitê. Um aspecto que se destacou foi a questão da mão de obra, um desafio observado de forma recorrente. Os resultados reforçam a importância de incentivar a entrada de jovens profissionais, especialmente mulheres, garantindo o crescimento sustentável e a renovação do setor” conclui.

No entanto, os desafios permanecem. Conciliar maternidade e carreira foi apontado como dificuldade por um número 6,7 pontos percentuais maior em relação a 2020, e a necessidade de apoio no planejamento de carreira e expansão de negócios também se intensificou. Além disso, 62,7% das empresas ainda são predominantemente masculinas, enquanto apenas 2,3% têm maioria feminina.

As barreiras culturais também resistem: cerca de 30% das profissionais relatam discriminação ou desvalorização de sua capacidade, um índice praticamente estável em relação à pesquisa anterior.

Em termos de liderança, embora a representatividade feminina tenha crescido, dois terços das empresas seguem com mais homens do que mulheres em cargos de comando. Apenas 27,1% registram equidade nas funções de liderança.

Para a liderança do Comitê, os números mostram um cenário em transformação. Se, por um lado, há sinais claros de avanço em qualificação, acesso a oportunidades e presença em posições estratégicas, por outro, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a conquista de maior reconhecimento seguem como obstáculos centrais.

O resultado da pesquisa é claro, a representatividade feminina no AVAC-R está crescendo, mas ainda ocupa apenas 1% do espaço total do setor. O chamado é para que mais mulheres se unam ao movimento, fortalecendo a presença feminina e abrindo caminho para futuras gerações.

A seção Abrava é editada a partir das informações produzidas pela Momento Comunicação, assessoria de comunicação da entidade, dirigida pela jornalista Alessandra Lopes.

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