Uma empresa que não aplica boas práticas ambientais, pode ser muito mal-vista por seus clientes e acionistas

Os conceitos de sustentabilidade em novos edifícios devem levar em consideração que um edifício é projetado para durar décadas e que as ações e decisões tomadas hoje,afetarão não somente a nossa geração, mas as gerações futuras. Se hoje vivenciamos os efeitos causados pelo aquecimento global, muito se deve a decisões tomadas há muitas décadas.

Portanto, para novos empreendimentos, é muito importante que o projeto, construção, operação, ocupação e, até mesmo, o fim da sua vida sejam planejados para causar o menor impacto ambiental. Dentro de cada etapa devem ser avaliadas as melhores estratégias e tecnologias disponíveis no momento para otimizar a construção, com atenção aos materiais empregados e avaliando os equipamentos aplicados. É importante que sejam adotadas tecnologias para automação de sistemas visando otimizar o consumo de energia e que o empreendimento possa, ao menos, ser capaz de gerar energia para seu próprio consumo.

Edifícios existentes

Para edifícios existentes, os desafiossão ainda maiores, pois a maioria não foi projetada e segundo os conceitos NZEB (Edificação com Balanço Energético Zero) e ZEB (Edificação com Emissão Zero). E ainda há o desafio de realizar modernizações com o edifício em operação, sem impacto no dia a dia dos usuários.Muitos edifícios, principalmente os mais antigos, talvez nem permitam modernizações significativas que possam atender cenários NZEB e ZEB.

Transformar a redução de carbono em investimento

Atualmente, o tema ESG está muito em pauta e empresas de todos os portes e segmentos estão, cada vez mais, dando atenção para o tema. Uma empresa que não aplica boas práticas ambientais, pode ser muito mal-vista por seus clientes e acionistas, acarretando perda de oportunidades no mercado e desvalorização acionária.

Já as empresas que possuem políticas ambientais e, de fato, aplicam ações que fazem a diferença, podem negociar com empresas que aplicam conceitos similares, além de ocupar espaços que também trazem a mesma filosofia. Portanto, edifícios que não aplicam conceitos NZEB e ZEB podem vivenciar baixas ocupações e desvalorização do custo de locação.

Economia de energia

O Brasil está muito à frente da maioria dos países na geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Porém, ainda precisamos complementar cerca de 20% da energia consumida pelo país utilizando fontes de combustíveis fósseis, que emitem muito CO2. Portanto, quanto menos energia o país demandar, menor será a necessidade de queima de combustíveis fósseis para suprir toda a demanda de energia consumida pelo país.Visar a eficiência energética traz benefícios diretos em relação à redução de custo operacional e aumento de competitividade. Mas, se adotada de forma massiva, pode contribuir para a redução da demanda energética do país.

Outro ponto importante é que, quanto mais desenvolvido o país se tornar, maior será a sua demanda energética. Por exemplo, o consumo médio per capita nos países industrializados da União Europeia é de 3,22 TEP/capita, enquanto a média mundial é de 1,66 TEP/capita. Isso se deve à maior industrialização dos países que consomem evidentemente mais energia e ao maior acesso à dispositivos elétricos e tecnologias pela população em comparação aos países em desenvolvimento. Com isso, em países como o Brasil, que buscam o desenvolvimento, haverá naturalmente um aumento de demanda energética, podendoelevar a dependência de combustíveis fósseis para atender o desenvolvimento.

Contribuição da indústria de equipamentos e componentes

A eficiência energética é apenas um dos pilares que devem ser observados na busca por conceitos NZEB e ZEB. É importante não se restringir apenas à busca de sistemas eficientes, mas que também utilizem matrizes energéticas de baixo GWP (Global WarmingPotential) e refrigerantes de nova geração com baixíssimo GWP.

A Trane tem sido pioneira no que diz respeito à eficiência energética, com destaque para os chillers com compressores centrífugos, que utilizam conceitos de acoplamento direto, múltiplos estágios de compressão e operação a baixa pressão. Atualmente, a aplicação de variadores de frequência em todas as linhas de produtos e utilização de novas gerações de refrigerantes também impulsionam a redução de emissões.

Não podemos deixar de destacar o tema de eletrificação do aquecimento, que talvez seja o campo de maior potencial para operações que buscam reduzir as emissões de CO2. O conceito de eletrificação do aquecimento se baseia em aplicar o ciclo de refrigeração para transportar energia de uma fonte de calor fria para uma fonte de calor quente, aquecendo água para consumo ou processo através de um equipamento 100% elétrico, eliminando desta forma a necessidade de queima de combustíveis fósseis para gerar água quente.

O papel do projetista é fundamental para que uma edificação possa atender NZEB e ZEB, pois é ele quem avaliará as diferentes tecnologias disponíveis no mercado para atender o objetivo do cliente. E o fabricante de equipamentos pode contribuir muito com informações de novos produtos e tecnologias, bem como com ferramentas que possam apoiar nas análises comparativas que o projetista irá realizar para definir a melhor solução.

Bombas de calor e os conceitos NZEB e ZEB

As bombas de calor são o futuro da geração de água quente. E esse futuro não está distante. Eu diria que hoje em dia já não faz sentido trabalhar em um projeto de um novo edifício utilizando a queima de combustíveis fósseis para gerar água quente.

Já para edifícios existentes, novamente, pode haver uma maior complexidade para realizar o retrofit do sistema existente para bombas de calor. Pois, a substituição de tecnologia irá demandar algumas adequações de casas de máquinas, sistemas de infraestrutura elétrica e hidráulica. Porém, com um estudo adequado e uma empresa especializada à frente, os desafios podem ser superados.

As bombas de calor eliminam a necessidade de contar com uma matriz diferente da energia elétrica para geração de calor, otimizam os custos operacionais, reduzem a complexidade da operação e descarbonizam a operação por não queimar combustíveis fósseis. Tudo isso com um investimento inicial não tão mais elevado do que o exigido por sistemas tradicionais que queimam combustíveis fósseis.

As bombas de calor podem utilizar como fonte de calor o ar ambiente, no caso dos equipamentos água/ar. E o sistema de água gelada ou água de condensação do AVAC, no caso dos equipamentos água/água. Ambos os cenários podem ser amplamente difundidos em edificações que demandam água quente, cada um com sua particularidade.

No caso dos equipamentos água/ar, por não demandar consumos simultâneos de quente e frio, há a versatilidade de poder operar de forma independente gerando água quente utilizando o ar ambiente como fonte de calor. Já a opção de equipamentos água/água, a premissa de consumo de quente e frio simultâneo restringe um pouco as aplicações a edificações que de fato consomem água quente e fria/gelada simultaneamente, porém, mesmo no Brasil de clima tropical há alta demanda para este tipo de solução, como por exemplo em hospitais, hotéis e indústrias em geral. A grande vantagem das bombas de calor água/água é o potencial do COP agregado elevado da solução, que pode ser até mesmo superior a 6 ou 7, dependendo das condições operacionais.

Giancarlo Delatore é engenheiro de aplicação e energia sênior na Trane e presidente do DN Tecnologia da Abrava

 

Veja também:

Estratégias avançadas para a sustentabilidade no AVAC-R

Caminhos para reduzir consumo em sistemas de ventilação e distribuição do ar

Dutos: aplicações e recomendações

Escolha do duto impacta o desempenho e a sustentabilidade

Bombeamento pode contribuir para a otimização energética e hídrica

Estratégias para redução do consumo de água

 

Tags:, ,

[fbcomments]