A Abrava divulgou compromissos e planos de ação que estão sendo adotados para levar o AVAC-R ao cumprimento de suas metas ambientais, assumidas em novembro passado na COP 30 e em eventos internacionais anteriores, desde o Acordo de Paris (firmado em 2015).
De acordo com o diretor de Meio Ambiente da Abrava, Thiago Pietrobon, o setor AVAC-R pode contribuir com 10% da meta nacional de descarbonização para 2035. Mas, para isso, é importante que as ações comecem agora.
Segundo ele, alguns desses desafios são reduzir 68% das emissões de gases de efeito estufa no setor, aumentar em 50% a eficiência energética dos equipamentos e avançar com a aplicação de fluidos refrigerante com GWP menor que 150 GWP — (Global Warming Potential ou Potencial de Aquecimento Global).
Controle de vazamentos e reciclagem
A principal contribuição – que também envolve o consumidor final – é não deixar o fluido refrigerante vazar para a atmosfera, por meio da manutenção adequada, controle de vazamentos e reciclagem dos equipamentos antigos.
Os estoques de fluidos refrigerantes dentro de equipamentos em uso equivalerão a 10% da meta definida na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2035. Não à toa, a estratégia já aparece no Plano Setorial de Mitigação da Indústria, do Plano Clima.
A Abrava está participando e promovendo várias reuniões, estando integrada a diversos grupos de estudo. Uma das iniciativas é o Programa Brasileiro de Eliminação de HCFC (Clorohidrofluorocarbonetos), que em sua terceira e última etapa tem disponibilizado US$ 36,5 milhões para projetos a serem implementados até 2027.
Redução de HFCs
Em outra iniciativa, o recém-lançado Programa Brasileiro de redução dos HFCs, deverá angariar ainda mais recursos para a finalidade de descarbonização e aumento da eficiência energética de equipamentos.
A Associação se prepara para receber a visita técnica do Fundo Multilateral (órgão financiador destes programas), além de representantes das agências de implementação (Pnud, Unido e GIZ) e do Ministério de Meio Ambiente (MMA), como parte das agendas relacionadas à Implementação da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, firmada em 2016, que visa reduzir a produção e o consumo de HFCs, conectando a agenda de proteção da camada de ozônio à agenda climática.
Além disso, ainda em 2026, o MMA, por meio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), inicia a elaboração do Plano de Ação Nacional de Resfriamento. Já na primeira semana de 2026, Abrava e Pnuma estiveram reunidos, definindo o apoio na elaboração deste plano e apresentando os pontos de interesse nacional do setor, como eficiência energética como estratégia de acessibilidade das soluções de adaptação ao clima extremo e de qualidade do ar interior, uma vez que o aumento do tempo em ambientes confinados precisa ser acompanhado pelo cuidado com o ar que respiramos.
Considerado a autoridade global líder em meio ambiente, fundada em 1972 (após a Conferência de Estocolmo), o Pnuma atua como um facilitador central para acordos ambientais internacionais e continua a se atualizar para enfrentar crises planetárias.
Redução de consumo de energia elétrica
Outro contato estratégico que tem sido feito pela Abrava é com o Ministério de Minas e Energia e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que lançou um comitê que acompanhará as ações de mapeamento da cadeia produtiva e os avanços de metas mais arrojadas em eficiência energética —de equipamentos a edifícios.
O grupo envolve indústrias, institutos, centros de inovação tecnológica e instituições internacionais de pesquisas. O objetivo é avançar no tema e chegar a metas que resultem em índices que contribuam para ampliação da adaptação no enfrentamento do calor extremo, garantindo mais saúde e produtividade, além de contribuir com a redução do aquecimento do planeta.
Importância do protagonismo e integração
“A Abrava tem participado das conferências internacionais como a COP e reuniões do Protocolo de Montreal há muitos anos. Hoje vivemos um momento geopolítico importante, no qual estão sendo colocados à prova todos os debates ambientais e estar participando ativamente traz uma vantagem competitiva ao setor que pode tomar decisões baseadas na construção do conhecimento próprio sobre o tema”, afirma Pietrobon.
“Por exemplo, reduzir a demanda por energia reduzindo o uso de climatização é importante, como afirmam alguns relatórios internacionais recentes, mas buscar eficiência energética pode ser uma estratégia muito mais assertiva para o Brasil, para democratização de acesso a equipamentos de ar-condicionado, levando conforto térmico a toda a população, que precisa adaptar suas casas, escolas e ambientes de trabalho ao calor extremo”, acrescenta.
“A demanda por ar-condicionado e refrigeração dobrou nos últimos dois anos e seguirá aumentando. Se hoje já temos equipamentos que custam bem menos que um celular, que consomem metade da energia que consumiam 10 anos atrás, e cerca de 80% das residências ainda não possuem climatização, fica evidente o quanto este mercado ainda crescerá. Planejar e se preparar agora é o que o setor está fazendo, juntamente com outros atores ambientais e da área energética, transformando o que seriam desafios futuros em oportunidades e benefícios para toda sociedade”, conclui o diretor de Meio Ambiente da Abrava.
Com informações e texto base da Communicação, assessoria da Abrava






